"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

domingo, 30 de novembro de 2008

O Advento e seu significado

O Advento é um dos tempos do Ano Litúrgico e pertence ao ciclo do Natal. A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.

O tempo do Advento formou-se progressivamente a partir do século IV e já era celebrado na Gália e na Espanha. Em Roma, onde surgiu a festa do Natal, passou a ser celebrado somente a partir do século VI, quando a Igreja Romana vislumbrou na festa do Natal o início do mistério pascal e era natural que se preparasse para ela como se preparava para a Páscoa. Nesse período, o tempo do Advento consistia em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Foi somente com São Gregório Magno (590-604) que esse tempo foi reduzido para quatro domingos, tal como hoje celebramos.

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperança e convida à alegre vigilância. A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha, nas regiões evangélicas, situadas ao norte do país. Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. Na confecção da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes são sinais da vida que teimosamente resiste; são sinais da esperança. Em algumas comunidades, os fiéis envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Até a figura geométrica da coroa, o círculo, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e fim, representa a perfeição, a harmonia, a eternidade.

Na coroa, também são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade. Quanto às cores das quatro velas, quase em todas as partes do mundo é usada a cor vermelha. No Brasil, até pouco tempo atrás, costumava-se usar velas nas cores roxa ou lilás, e uma vela cor de rosa referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o Domingo de Gaudete (Domingo da Alegria), cuja cor litúrgica é rosa. Porém, atualmente, tem-se propagado o costume de velas coloridas, cada uma de uma cor, visto que nosso país é marcado pelas culturas indígena e afro, onde o colorido lembra festa, dança e alegria.

Pe. Agnaldo Rogério dos Santos
Reitor dos Seminários Filosófico e Teológico
da Diocese de Piracicaba

Publicado no Portal A Catequese Católica

Advento:As Duas Vindas de Jesus

A Canção Nova é uma comunidade criada por Deus para formação de homens novos para um mundo novo. Ela existe com a missão de evangelizar e preparar o mundo para Segunda Vinda de Jesus.

Anunciamos a vinda de Cristo: não apenas a primeira, mas também a segunda, muito mais gloriosa. Pois a primeira revestiu um aspecto de sofrimento, mas a segunda manifestará a coroa da realeza divina.

Aliás, tudo o que concerne a nosso Senhor Jesus Cristo tem quase sempre uma dupla dimensão. Houve um duplo nascimento: primeiro, ele nasceu de Deus, antes dos séculos; depois, nasceu da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla descida: uma discreta como a chuva sobre a relva; outra, no esplendor, que se realizará no futuro.
Na primeira vinda, ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, ele suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercada de uma multidão de anjos.

Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos ainda, ansiosamente, a segunda. E assim como dissemos na primeira: Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 21,9), aclamaremos de novo, no momento de sua segunda vinda, quando formos com os anjos ao seu encontro adora-lo: Bendito o que vem em nome do Senhor.

Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que se constituíram seus juízes. Ele, que ao ser julgado, guardara silêncio, lembrará as atrocidades dos malfeitores que o levaram ao suplício da cruz, e lhes dirá: eis o que fizeste e calei-me (Sl 49,21).

Naquele tempo ele veio para cumprir um designo de amor, ensinando aos homens com persuasão e doçura; mas, no fim dos tempos, queiram ou não, todos se verão obrigados a submeter-se a realeza.

O profeta Malaquias fala dessas duas vindas: Logo chegará ao seu templo o Senhor que tentais encontrar (Ml 3,1). Eis uma vinda.

E prossegue a respeito da outra: E o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; e estará apostos, como para fazer derreter e purificar (Ml 3,1-3).

Paulo também se refere a essas duas vindas quando escreve a Tito: A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tt 2,11-13). Vês como ele fala da primeira vinda, pela qual dá graças, e da segunda que esperamos?

Por isso, o símbolo da fé que professamos nos é agora transmitido, convidando-nos a crer naquele que subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de ver, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. No Senhor Jesus Cristo virá, portanto dos céus, virá glorioso no fim do mundo, no último dia. Dar-se-á a consumação do mundo, e este mundo que foi criado será inteiramente renovado.

Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo.
(I Domingo do Advento – Liturgia das Horas).

Natal Feliz é natal com Cristo!

Como você se prepara para a segunda vinda de Jesus? Clique AQUI e deixe o seu recado.

Minha benção fraterna+

Padre Luizinho,
Missionário Canção Nova.

Estrada da vida

Adriano Moraes
Foto: Robson Siqueira
Eu conheci a Igreja verdadeira, de uma forma concreta junto com a Canção Nova através da Flávia, minha esposa.

Menino pobre nascido em Quintana- SP, meu pai trabalhava no sitio do meu avô na época, nasci numa casa de pau e chão batido, paiol de um lado, casa do outro, onde minha mãe ouvia o barulho das cobras comendo os ratos no meio dos milhos.

Uma vida bem difícil, bem pobre, bem rural, mas Deus escolheu o Adriano pra nascer ali, nascido de gente pecadora, bem simples, assim como eu e você. Escolheu o Adriano para ser três vezes campeão mundial? Também, mas este não foi o primeiro chamado, o primeiro chamado que Deus tem para cada um de nós, é o chamado a felicidade, o chamado a vida plena junto com Ele, e quantos de nós demoramos quase a vida toda para ouvir o chamado de Deus.

Deus me chamou de muitas maneiras, muitas vezes eu ignorei. Eu sempre li muito bem, então a professora me escolheu para fazer a leitura da Missa de domingo cedo, Missa das Crianças, e então fui chamado pelo padre a ser coroinha esta foi meu primeiro chamado, mas nunca me senti tocado pelo aquele momento.

Depois veio o chamado, quando tinha treze, quatorze anos, a participar do grupo de jovens, e eu fugi, assim como alguma ‘coisa’ foge da Cruz, então comecei a me interessar por montaria em touros e fui levado por este mundo, um mundo gostoso, atraente, bonito, eu paquerava muito, e fui ficando cada dia mais distante de Deus, mas o chamado de Deus é constante, e ele bate a porta, todo o santo dia.

Então Deus viu o Adriano Moraes, um ‘peãozinho’ caminhando, tentando achar alguma coisa na vida, e Ele já sabia claro, desde quando Deus pensou no Adriano Moraes, Ele já sabia o que eu ia O procurar pelo resto da vida, procurando felicidade, acalento, cura sem nem mesmo saber, e tentava achar nas coisas do mundo. Então Deus que ama a cada um de nós, pensou em como pegar esse peãozinho.

Foi ai que Deus pensou: ‘Vou ter que achar alguém, alguém de fé, alguém que possa pegar o peão, então vou ter que usar alguém bonito, porque o peão, gosta das belezas da vida, de olhar as moças bonitas. Eu era firme, mas tinha o coração vazio, pequei muito, pequei com o pecado do sexo. Graças a Deus poucas vezes, mas estava me desviando cada vez mais do chamado de Deus. Então Deus teve que colocar alguém forte no fogo pra me resgatar, alguém bonito, foi ai que vi pela primeira vez no rodeio na cidade da Matão - a Flávia, e pensei: ‘rapaz que 'muié' bonita’, e ia pensei no meu coração, esta vai ser minha esposa um dia. Depois que acabou o rodeio a Flávia sumiu, então saímos na captura dela pela cidade, encontramos a Flávia com o fusquinha branco que ela tinha, então fomos tomar um lanche, e ai começou nossa conversa, alguns dias depois ela só me falava de Deus, e eu ficava pensando como uma moça bonita daquela só queria saber das coisas de Deus, me lembro até hoje, o primeiro presente que ela me deu foi um terço, então fiquei pensando: ‘que presente besta, vai dar terço pra 'véia', pra mim não’.

Só que ai Deus já estava me resgatando, a Flávia já começou a me evangelizar, é menina forte, cresceu dentro da Igreja. Deus me chamou através da Flávia.

Precisamos nos decidir seguir na vida determinado, firme, em direção a meta. Deus nos chama a todo e qualquer momento da nossa vida, através de pequenos atos.
'Recomeço ou começo agora, vamos atender o chamado de Deus'
Foto: Robson Siqueira

Deus me mostra hoje como Ele quer que eu ande, com meta, com decisão firme, no caminho da Igreja, na minha Consagração a Canção Nova, Deus não quer me ver me arrastando, murmurando, titubeando na fé. É lá no fundo da estrada que Deus quer meu olhar, quando respondemos ao chamado de Deus, nada preenche o buraco no nosso coração, se não respondemos ao chamado de Deus, você pode ter uma fazenda linda, ter influência, mas nada vai te preencher o coração.

No ano passado, 2007, não foi um ano bom financeiramente, não montei bem, então voltei a depender de Deus única e exclusivamente, por causa da parte financeira e física, me machuquei, e nisto comecei a precisar de Deus, o meu chamado de uns três anos atrás, tem sido na dificuldade, e eu louvo e agradeço a Deus.

No momento do sofrimento temos que estar abertos ao chamado de Deus, pois Deus bate a porta a todo e qualquer momento, todos os dias, vinte e quatro horas, a salvação de Jesus é eterna, o Espírito Santo é eterno, o chamado de Deus é eterno. Deus não é ladrão, Ele não arromba a nossa porta, Ele está lá fora quando você está lá dentro ‘festando’ e está também batendo a porta quando você está lá dentro num cantinho chorando. Abre o coração, abre a janela, deixa Ele entrar, Deus está batendo agora, neste momento, deixa Deus entrar, deixa ele entrar para te fazer feliz.

Quero fazer a você agora um desafio, deixa Deus entrar, é tempo de começo e recomeço, temos que nos apossar da armadura de Deus.

Recomeço ou começo agora, olhos fixos, na chegada, na meta, Ele estará te esperando no podium, onde todos seremos campeões, onde não tem mais geada, chuva de pedra, doença na vaca, seca, onde não tem mais cansaço, não tem mais sofrimento, onde a Trindade Santa e Nossa Senhora vão estar te esperando.

Recomeço ou começo agora, vamos atender o chamado de Deus, por que Ele nos quer felizes e realizados, por que a vida eterna vai ser maravilhosa, eu vou gastar a minha vida para tentar chegar lá, na Vida Eterna, como eu gastava pela montaria.
E isso que eu peço a todos vocês, vamos juntos fazer esta festa bonita, esta Canção Nova Sertaneja lá no céu.


Adriano Moraes
Missionário de aliança da Comunidade Canção Nova

Publicado no portal da Comunidade Canção Nova
Transcrição e adaptação: Carlos Eduardo Silva

Leia outra pregação de Adriano Morais durante o Canção Nova Sertaneja

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Encontrão de Novembro

Show do Pe. Fábio de Melo - O Caderno

Caros,

Padre Fábio de Melo esteve em Fortaleza, no último dia 23. O show foi sensacional.

Vejam um dos momentos do show... Nessa música, Pe. Fábio faz o paralelo entre a vida e um caderno... os dias e as folhas do caderno. E como nos tempos de aprendizado com nossos velhos caderninhos, quando errarmos muito, Pe. Fábio nos sugere virarmos a folha... ou seja, recomeçarmos. Lembremos dos erros cometidos, e creçamos com eles. Erros devem ser fonte de arrependimento, e não culpa. Como Pe. Fábio lembra, culpa nos paralizam, arrepedimentos nos levam para frente.

Ouçam a música...



Deus nos abençoe!

domingo, 16 de novembro de 2008

Contrários

Caríssimos,

Ultimamente tenho ouvido muito o CD "Vida" do Padre Fábio de Melo. O CD é muito bom, e traz em suas trilhas belíssimas passagens sobre a vida, como a metáfora entre a vida e o caderno, onde escrevemos nossa história nos dias que se passam... lá ficam registrados nossos acertos e erros, e a experiência com cada um... os erros e os acertos. Mas não é dessa música que quero falar. Não agora...

Tenho me flagrado cantarolado muitas vezes uma outra música... "Contrários". A música fala sobre os vários contrários da vida, como raio de sol e a sombra, a busca pelo acerto, e o desencontro dos erros. Mas sobre tudo, a música nos ensina a identificar a beleza dos contrários, a reconciliar os contrários da vida, e como tirar proveito das adversidades, pois como fala música, é no conflito que a vida faz crescer.

Veja vídeo do programa Direção Espiritual exibido no dia 12/07/07, quando o Padre fábio nos fala sobre os contrários da vida (faça uma pausa na radiola do círculo verde, na esquerda do blog, logo abaixo do espaço para mensagens).



Contrários

Pe. Fábio de Melo

Composição: Fábio de Melo

Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais
Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
Precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota o motivo para lutar
E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E que o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
Que esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
E que o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando existe alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar
Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer

sábado, 15 de novembro de 2008

É preciso aprender a ser feliz


O amor não nasce por geração espontânea e não morre de causas naturais

Criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor, o ser humano nasceu para amar. Essa é sua vocação fundamental. Essa é a grande finalidade da existência humana. A partir dessa certeza absoluta, nasce uma premente necessidade: aprender a amar e a cuidar do amor. O amor não nasce por geração espontânea e não morre de causas naturais. A morte do amor é sempre conseqüência de um assassinato cometido pela negligência. O amor morre por eutanásia passiva, de tédio, porque não foi alimentado. Amor que não se alimenta não se renova.

O amor se aprende e, além disso, necessita de esforços, renúncias e sacrifícios. Para isso, é fundamental: começar sempre de novo, não ficar lembrando ofensas, ter respeito mútuo (fala, ação, gestos), dinamizar a vida conjugal, não discutir por bobagens, ter vida sexual saudável, educar a vontade: objetivo, determinação, persistência, ter senso de humor, superar os momentos difíceis, saber escutar, aprender a dialogar – adquirir a graça da comunicação, ter jogo de cintura, cortesia, tato, procurar agradar o outro, não viver num mundo de sonhos e de ideais angelicais, expulsar o pessimismo da vida e das palavras (críticas e acusações, opiniões pejorativas , danificar a imagem do outro, generalizações negativas, centralizar detalhes negativos e aumentá-los, antecipar- se no negativo...).

É preciso aprender a ser feliz. Amar é algo que ninguém nasce sabendo. Ninguém ama por geração espontânea. O amor verdadeiro exige aprendizado, treinamento, começo e recomeço. O lar cristão precisa ser uma escola onde se aprende a amar verdadeiramente. Esse aprendizado é impossível sem a vivência e a prática de uma espiritualidade conjugal encarnada. Espiritualidade conjugal é para ser vivida na carne, situada no tempo e no espaço. Podemos falar em espiritualidade conjugal exatamente porque foi o próprio Deus que, ao longo das páginas da Sagrada Escritura, se apropriou dessa imagem para expressar e manifestar seu infinito amor pela humanidade. O amor conjugal precisa ser anúncio explícito do amor apaixonado de Deus pela humanidade.

Não existe nenhum amor mais intenso e profundo do que o amor conjugal. O envolvimento amoroso de um casal é o mais pleno que existe, pois implica corpo, alma, coração, sentimentos, emoções, sangue e sonhos. Tudo isso porque Deus o fez instrumento de revelação do seu amor por nós.

A espiritualidade conjugal, e, como conseqüência, a espiritualidade familiar, tem a grande missão de ajudar o ser humano moderno a encontrar os caminhos para essa ajuda do Alto. A espiritualidade conjugal precisa ajudar no processo de compreensão e superação dos desafios modernos que se tornaram ameaças à fidelidade e à convivência. É preciso combater a cultura do provisório, compreender as diferenças entre homem e mulher, ajudar a criar estruturas de apoio à família, achar caminhos para vencer a idéia de que tudo é fácil, sem esforço, e que a vida pode ser vivida na superficialidade.

O cuidado pelo próprio amor deveria ser a mais importante missão de um casal cristão.

Pe. Léo

Artigo extraído do livro “Seja feliz todos os dias” do saudoso Pe. Léo, e publicado no portal da Comunidade Canção Nova

Eu, quando visto pelo outro.

Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam.

O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.

Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou.

Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos.

O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.

Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.

Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.

Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.

Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

Publicado no blog do Padre Fábio de Melo - fabiodemelo.com.br - © 2003/2008 - todos os direitos reservados

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

De etapa em etapa, até a última!

Dom Redovino Rizzardo

Muitas vezes me perguntei o que eu faria e como reagiria se o meu médico de confiança, no final de uma consulta, me fixasse nos olhos e dissesse calmamente: «Preciso informá-lo que um câncer tomou conta de seus pulmões e nada mais há a fazer!»

Normalmente, somos todos especialistas em dar conselhos, às vezes até com certo ar de arrogância... se quem jaz num leito de dor ou numa cadeira de rodas são os outros! Quando, porém, chega a nossa vez de não descortinar nenhum sinal de alívio e esperança, tudo muda e desmorona! O mínimo que fazemos é chorar e gritar: «Que crime cometi para merecer esse castigo? Onde está Deus? O que vou fazer agora com a minha vida?».

Quem é jovem, sem nenhum problema de saúde, talvez não consiga entender o que se passa na mente e no coração de alguém que descobre que... o trem chegou na última estação! Uma pálida idéia do que então pode acontecer revelam-no as palavras do rei Ezequias, ao saber, através do profeta Isaías, que a morte o estava espreitando, atrás da porta:
«Eu pensei comigo mesmo: é necessário que eu me vá no apogeu de minha vida e de meus dias; para a mansão triste dos mortos descerei, sem viver o que me resta dos meus anos. Não mais verei o Senhor Deus na terra dos vivos; nunca mais verei um ser humano neste mundo!» (Is 38,10-11).

Só quem teve a graça de escapar da morte e recuperar a saúde pode compreender a imensa alegria e gratidão de Ezequias ao ser atendido por Deus:
«Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Vou aumentar em quinze anos a duração de tua vida!» (Is 38, 5).

Na verdade, para quem recebeu o dom da fé e olha para a saúde como um dom a ser colocado a serviço dos irmãos, a vida e a morte se completam e equivalem, como aconteceu com São Paulo:
«Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se continuar vivendo, poderei ainda fazer algo útil. Por isso, não sei o que escolher. As duas coisas me atraem: meu desejo é morrer para estar com Cristo, e isso é muito melhor; mas, para vós, é mais importante que eu continue a viver» (Fl 1,21-24).

Graças a Deus, também em nossos dias não faltam imitadores de São Paulo. Em outubro de 2006, o cardeal Paulo Shan Kuo-hsi, bispo emérito de Kaohsiung, em Taiwan, descobriu que estava com câncer nos pulmões. Apesar de seus 83 anos, não se sentou para aguardar a morte. Pelo contrário, passou a se dedicar com mais intensidade a seus fiéis, como se a sua vida estivesse começando naquele instante. Iniciou uma viagem – que denominou “despedida de minha vida” –, visitando várias cidades de Taiwan, para se encontrar com os doentes que, como ele, pareciam destinados a não ter mais perspectivas.

Costumava repetir: «Trato o câncer como o meu “pequeno anjo”. Ele me leva para onde quer que haja doentes que enfrentam os desafios da vida». Ao completar 85 anos, no dia 3 de dezembro de 2007, Shan Kuo-hsi se disse «muito feliz por ser testemunha do Evangelho nesta última etapa de minha vida».

Durante a homilia da celebração que assinalou a data, narrou que, poucos dias antes, havia estado num centro de dependentes químicos, em Taitung. Aos trezentos internos que lá encontrou, confidenciou: «O câncer me revelou que estou na última etapa de minha vida e me impulsiona a dar o melhor de mim à sociedade».

Não se tenha, porém, a ilusão de que o cardeal aceitara a perspectiva de uma morte iminente com estoicismo ou masoquismo. Como é normal nestes casos, ele também se sentiu desarmado e confuso: «No começo, perguntei a Deus: Por que eu? Quando me acalmei, reconheci a vontade de Deus, que me levava a partilhar com outros a minha experiência pessoal. Por isso, agora, ao invés de perguntar “por que eu?”, repito: “Por que não eu?”. Não é por ser cardeal que pretendo o privilégio de gozar sempre de saúde!»

Quem o ajudou a se manter nesse profundo clima de espiritualidade, foi o exemplo heróico de João Paulo II, que o elevara ao cardinalato. O câncer que lhe fazia companhia, também colaborou para intensificar sua unidade com um Papa que, por entre os sofrimentos mais atrozes, manteve-se numa atitude de doação total a todos, até o fim.

Sem dúvida, também o cardeal Shan Kuo-hsi podia – e pode, porque continua ainda caminhando conosco nesta terra –, repetir as palavras com que João Paulo II descrevia como iniciava a última e mais importante etapa de sua vida: «Quero manifestar-lhes os sentimentos que me animam neste derradeiro período de minha vida. Apesar das limitações impostas pela idade, conservo o gosto pela vida. Agradeço ao Senhor. É bonito poder gastar-se até ao fim pela causa do Reino de Deus! Sinto uma grande paz quando penso no momento em que Deus me chamar: de vida em vida! Por isso, tenho freqüentemente nos lábios, sem qualquer sentimento de tristeza, uma oração que o sacerdote reza após a celebração eucarística: Na hora de minha morte, chamai-me e mandai-me ir para vós!».

Publicado no Portal da Comunidade Católica Shalom

Quando o sofrimento bater à sua porta


Sofremos demais por aquilo que é de menos

Sofrer é como experimentar as inadequações da vida. Elas estão por toda parte. São geradas pelas nossas escolhas, mas também pelos condicionamentos dos quais somos vítimas.

Sofrimento é destino inevitável, porque é fruto do processo que nos torna humanos. O grande desafio é saber identificar o sofrimento que vale a pena ser sofrido.

Perdemos boa parte da vida com sofrimentos desnecessários, resultados de nossos desajustes, precariedades e falta de sabedoria. São os sofrimentos que nascem de nossa acomodação, quando, por força do hábito, nos acostumamos com o que temos de pior em nós mesmos.

Perdemos a oportunidade de saborear a vida só porque não aprendemos a ciência de administrar os problemas que nos afetam. Invertemos a ordem e a importância das coisas. Sofremos demais por aquilo que é de menos. E sofremos de menos por aquilo que seria realmente importante sofrer um pouco mais.

Sofrer é o mesmo que purificar. Só conhecemos verdadeiramente a essência das coisas à medida que as purificamos. O mesmo acontece na nossa vida. Nossos valores mais essenciais só serão conhecidos por nós mesmos se os submetermos ao processo da purificação.

Talvez, assim, descubramos um jeito de reconhecer as realidades que são essenciais em nossa vida. É só desvendarmos e elencarmos os maiores sofrimentos que já enfrentamos e quais foram os frutos que deles nasceram. Nossos maiores sofrimentos, os mais agudos. Por isso se transformam em valores.

O sofrimento parece conferir um selo de qualidade à vida, porque tem o dom de revesti-la de sacralidade, de retirá-la do comum e elevá-la à condição de sacrifício.

Sacrifício e sofrimento são faces de uma mesma realidade. O sofrimento pode ser também reconhecido como sacrifício, e sacrificar é ato de retirar do lugar comum, tornar sagrado, fazer santo. Essa é a mística cristã a respeito do sofrimento humano. Não há nada nesta vida, por mais trágico que possa nos parecer, que não esteja prenhe de motivos e ensinamentos que nos tornarão melhores. Tudo depende da lente que usamos para enxergar o que nos acontece. Tudo depende do que deixaremos demorar em nós.


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Spinoza escreveu: “Percebi que todas as coisas que temia e receava só continham algo de bom ou de mau na medida em que o ânimo se deixava afetar por elas”. O filósofo tem razão. A alegria ou a tristeza só poderão continuar dentro de nós à medida que nos deixamos afetar por suas causas. É questão de escolha. Dura, eu sei. Difícil, reconheço. Mas ninguém nos prometeu que seria fácil.

Se hoje a vida lhe apresenta motivos para sofrer, ouse olhá-los de uma forma diferente. Não aceite todo esse contexto de vida como causa já determinada para o seu fracasso. Não, não precisa ser assim.

Deixe-se afetar de um jeito novo por tudo isso que já parece tão velho. Sofrimentos não precisam ser estados definitivos. Eles podem ser apenas pontes, locais de travessia. Daqui a pouco você já estará do outro lado; modificado, amadurecido.

Certa vez, um velho sábio disse ao seu aluno que, ao longo de sua vida, ele descobriu ter dentro de si dois cães – um bravo e violento, e o outro manso, muito dócil. Diante daquela pequena história o aluno resolveu perguntar- E qual é o mais forte? O sábio respondeu – O que eu alimentar. O mesmo se dará conosco na lida como os sofrimentos da vida. Dentro de nós haverá sempre um embate estabelecido entre problema e solução. Vencerá aquele que nós decidirmos alimentar...

Padre Fábio de Melo

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Encontrar Jesus nos desencontros do mundo

Os homens primitivos eram profundamente religiosos. A história da humanidade e as descobertas arqueológicas nos confirmam essa verdade. Diante do poder da natureza, das chuvas, dos trovões, do sol, da lua e das estrelas, o homem primitivo percebia e reverenciava uma força superior.

O homem moderno perdeu esse contato com a natureza. A ausência de contato com a natureza provoca uma insensibilidade no homem contemporâneo, fazendo com que não consiga perceber e encontrar a presença de Deus nas coisas criadas. Com isso, não queremos cair no panteísmo. Queremos apenas, despertar a atenção para as belezas da criação. Embora aceitemos a evolução, afirmamos a intervenção de Deus nessa evolução. Negar a mão de Deus na criação é o mesmo que afirmar o acaso. A perfeição relativa do mundo não pode ser fruto do acaso.

Se as coisas criadas são um caminho para Deus, são também um convite para a entrega total. O próprio Cristo usou da natureza para nos evangelizar. Ao apontar para as aves do céu e os lírios do campo, Ele não quis fazer poesia, mas indicar um caminho para Deus.
Com tantos problemas para resolver, como parar para observar flores?
Foto: Arquivo CN

Diante da natureza, podemos questionar nossa confiança em Deus. Nós nos abandonamos nas mãos de Deus? “Olhai as aves que voam no céu; não semeiam o grão nem colhem, nem acumulam a colheita nos celeiros; pois o vosso Pai celeste lhes dá de comer. Acaso não valeis muito mais do que elas?” (Mt 6,26).

É claro que valemos muito mais do que as aves, porque somos filhos de Deus; só que, infelizmente, nos deixamos levar por vãs preocupações, pelo consumismo e não percebemos esse amor imenso.

Com tantos problemas para resolver, como parar para observar flores? Tantos homens no mundo morrendo de fome, tantas guerras; o petróleo que está acabando; a inflação cada vez subindo mais; o governo cada vez mais corrupto; a poluição sonora e ambiental; as doenças contagiosas; as favelas sempre maiores... E nós ainda perdendo tempo para olhar os lírios? Não seria alienação?

O que devemos aprender é olhar o mundo com os olhos de Deus. Jesus quando esteve entre nós, como homem, conhecia perfeitamente os graves problemas da humanidade. No entanto, Ele quis nos ensinar que é preciso aprender com as flores. Elas, como os pássaros, nos ensinam a confiar em Deus. Infelizmente, não aprendemos a amar a natureza, assim como não aprendemos a amar os homens, criados por Deus à sua imagem e semelhança.

Como encontrar Deus nos desencontros do mundo?


Aquele que faz uma experiência de Deus em sua vida, procura olhar o mundo a partir dessa ótica divina. Percebe a mão do Pai em cada criatura, em cada acontecimento, mesmo que corriqueiro de sua vida. É preciso escutar o Senhor que nos fala através das coisas mais simples que nos acontecem. A doença, por exemplo, pode muitas vezes ser um caminho para Deus. Ela não vem de Deus (Deus não é doença, mas pode nos conduzir a Ele se nos abrirmos e nos entregarmos ao seu amor).

Quando experimentamos Deus como um Pai que nos ama, então, torna-se fácil perceber sua ação em nossa vida. O homem moderno não se contenta mais com uma idéia a respeito de Deus. Ele quer tocá-lo. Como tocá-lo, senão através de cada um de nós? Quando o experimentamos, nos tornamos canais do seu amor para os outros homens. Tornamo-nos “torneiras” de Deus para a sede de amor que os homens de hoje tanto sentem. Para isso, é preciso escutar o que Ele tem a nos dizer através da sua Palavra, mas também através dos acontecimentos do dia-a-dia, da natureza, das coisas criadas... É preciso experimentá-lo!
(Trecho extraído do livro "Tocar o Senhor", do saudoso padre Léo-SCJ).

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

Só Deus não vai embora


Saber lidar com perdas é nossa busca constante

Uma perda é sempre algo que nos incomoda. Pode ser a perda de uma chave, do ônibus, de dinheiro, de um sonho…. E claro, a perda de alguém. Saber lidar com perdas é uma busca constante que temos, nesses momentos tentamos nos agarrar a pequenos detalhes, a pequenas desculpas ou a soluções para nos confortar.

A morte tornou-se um tabu em nossa sociedade. Foi confinada às UTIs dos hospitais, escondida das crianças, apagada das conversas… Numa cultura que valoriza o prazer e o sucesso, ninguém gosta de se lembrar da existência das perdas.

Fiz uma experiência linda com uma garota que conheci em uma missão que fui. No intervalo, entre uma pregação e outra, ela apareceu, tocou em meus ombros e começou a abrir o coração. Levou-me ao dia em que perdeu a mãe. Assassinada pelo namorado com várias facadas. No primeiro instante, fiquei chocado pelo ato em si, mas depois olhando nos olhos daquela menina de 19 anos, que havia 5 anos que havia perdido a mãe, vi que não se perde ninguém quando se traz essa pessoa no coração, eternizando a quem amamos. Ela me pregou o Evangelho quando disse que não guardava rancor do assassino. Evangelho da vida!

Nos olhos daquela menina percebi que a morte em si não tem a última palavra. A vida, sim, tem a última palavra! Palavra de ressurreição! Aquela menina de olhos serenos não se perdeu de si mesma com a perda da genitora. Mas, guardando-a no coração adentrou no mistério de eternidade. Todos vão embora. Só Deus não vai embora. Mas quando guardamos o outro em Deus, este também não vai embora.

De maneira geral, temos muita dificuldade em lidar com perdas. Luto não é só quando morre alguém; sofremos perdas desde que nascemos: perda de emprego, divórcio, mudanças repentinas. Também há fases do desenvolvimento humano que envolvem perdas, por exemplo, para se chegar à adolescência é preciso perder a infância. Essas são questões existenciais que precisamos enfrentar. Saber lidar com o limite é saudável, não só do ponto de vista humano, mas também do cristão.

Acredito que nos olhos daquela menina que não perdeu a mãe, aprendi que muitos morrem estando vivos. É o luto diário que vivemos. Ver os que amamos indo embora ainda estando. Uma perda que dói, pois vemos e não temos!

Mistério da ressurreição dos vivos! Para você este clipe. Reze com ele; espero seu comentário para ler no programa ao vivo!

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Adriano Gonçalves
adriano@geracaophn.com

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Deus nos fez pescadores


Ele escolhe vasos de barro para depositar o Seu tesouro

O Evangelho nos fala da vocação de São Pedro. Jesus estava à beira da praia pregando e as pessoas se aproximaram d'Ele. Então, Ele sobe na barca de Pedro e a usa para falar às multidões. O grande apóstolo mal sabia que ali seria sua última pescaria. Ele estava dentro da barca enquanto o Senhor pregava. Ele ouvia tudo que o Mestre dizia; e ficamos a imaginar que experiência extraordinária deve ter sido essa.

Enquanto Cristo pregava, aquelas pessoas eram "pescadas", e Pedro o foi também.

Jesus, para converter as pessoas, não começava fazendo milagres. Ele primeiro pregava a Palavra. E da pregação brotava a fé nas pessoas.

Cristo Jesus escolhe Pedro para estar com Ele e para ser pescador de homens com Ele. Mas antes, o discípulo teve de reconhecer que era pecador e assumir que Deus podia usar de um homem assim para ser pescador de homens.

Deus escolhe o vaso de barro para colocar o tesouro dentro, para que ninguém se confunda e adore o vaso. E sim, que se reconheça o tesouro.

Deus nos chama para Si, Ele quer separar a todos para Si, levar todos para Si. Isso é pescaria e precisamos ser pescados.

Nós não estamos neste mundo por um momento ou por uma temporada. Não estamos aqui para sempre. Estamos aqui, mas não somos para este mundo. Por isso, sentimos que nada nos satisfaz. Mesmo que tenhamos saúde, família, casa, dinheiro, nos sentimos "estrangeiros". Neste mundo nada vai saciar o nosso ser. Esta vida não é ruim, não é má. Ela é boa, mas não estamos aqui para este mundo.

O Senhor nos colocou aqui para prepararmos a vida com Ele. Uma vez que fomos pescados pelo amor de Cristo, nos sentimos meio fora de lugar aqui.

Essa é a pescaria que você precisa fazer no seu apostolado e com seus filhos. Isso é testemunhar seu ser cristão. A vida cristã precisa ser bela e apontar para o alto, para o céu. Isso é pescar homens e mulheres para Deus.

Pe. Paulo Ricardo

Artigo produzido a partir da pregação do autor, transcrita por Nara Bessa, e publicado no Portal da Comunidade Canção Nova.

O encontro pessoal com Jesus é único

Ver Jesus é uma necessidade urgente para este tempo. Somente quem consegue vê-Lo, ou seja, ter uma experiência profunda com Ele, consegue ir adiante sem desanimar pelo caminho.

Não basta seguir aqueles que tiveram a graça de um encontro pessoal com Jesus; é preciso encontrá-Lo também, fazer nossa própria experiência. Certamente que as experiências dos outros nos edificam, mas é preciso que cada um receba a graça do seu encontro pessoal com o Senhor. Esse encontro é único e acontece para cada um de maneira diferente. A experiência não se repete, é totalmente pessoal.



A partir desse encontro com o Cristo Vivo é que podemos mudar o meio em que estamos inseridos e transmitir as maravilhas dessa grande graça aos demais, de modo que também estes possam clamar: ‘Queremos ver Jesus’!

Monsenhor Jonas Abib

Publicado no Portal da Comunida Canção Nova

O que é o amor e quem é o Amor? (Caso Eloá)

Ainda estamos acompanhando na imprensa o desenrolar das investigações do assassinato da adolescente Eloá (15 anos) pelo seu ex-namorado, o jovem Lindemberg (22 anos), em Santo André / SP. Mais um crime que nos choca e mais uma vez uma pessoa inocente é vítima de um desequilíbrio emocional.

Diante de tal acontecimento que leva, infelizmente, o nome do "amor", o "matar por amor", ficamos pasmos. Como não lembrar da expressão do Papa Bento XVI [1] que diz: "O eros inebriante e descontrolado não é subida (...), mas queda, degradação do homem (...), o eros necessita de disciplina." Caso contrário, seu desequilíbrio chega ao extremo de fazer sofrer e até aniquilar uma pessoa a quem se ama, como a si mesmo.

Somente o eros elevado até o amor "ágape" pode então se transformar em "amor que cuida, que não busca a si próprio, mas busca o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes, procura-o pelo bem da pessoa amada".[2] Mas a renúncia é um valor muito pouco valorizado nos nossos tempos. Filhos de um imediatismo cruel, de uma sociedade que tudo descarta quando se trata de um valor moral, religioso, evangélico, somos treinados inconscientemente para o desequilíbrio emocional. Aceitar perder, calar mesmo estando certo, silenciar para não ferir o outro , desculpar-se quando formos grosseiros... tudo parece sinônimo de ser abobalhado e, alguns ainda dizem: não é mais possível viver isso!

O que diria Freud se estivesse vivo a contemplar esse "libido" enlouquecido dos nossos jovens onde tudo deve gerar, a qualquer custo, satisfação pessoal, prazer egoísta e possessividade? Também o filósofo Nietzsche precisaria ficar convencido de que o Cristianismo não põe veneno no eros, mas pelo contrário, dignifica-o, eleva-o e impulsiona-o a ir além da emoção, ou seja, torna-o amor que quer a felicidade do outro, saindo assim o eros da sua embriagues irracional.

Recordo o Evangelho do Domingo em que morreu no hospital a adolescente Eloá (Mt 2, 15-21: Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César!) Fiquei pensando comigo: "Quem são os Césares do nosso tempo?" Não serão todos aqueles nos quais depositamos todas as nossas expectativas humanas como busca desesperadora por felicidade, por ser amado? César se proclamava "deus" e precisava corresponder às expectativas dos seus súditos. Eloá veio assim a se tornar "uma deusa" para o jovem Lindemberg. Ela não pôde corresponder às expectativas do ex-namorado e a ordem era a mesma de Herodes quanto ao pequeno menino Jesus: matar! Se não compartilha dos meus interesses não pode viver! Não é esta a nova "regra de ouro da violência" nos nossos dias?

O amor eros é uma vitalidade indispensável! Ele é a mola propulsora das nossas emoções e essa capacidade de fazer emanar os impulsos, mas se não faz uma ascendência ao amor ágape, único capaz – diz o Papa Bento XVI – de prometer infinitude e eternidade, não pode amadurecer no cuidar, na promoção da felicidade de si e nem do outro. Tal amor eros não terá condições de deixar o outro livre, mas sua liberdade será sempre uma ameaça para mim.

Será que a jovem Eloá tinha o direito de fazer sua opção enquanto digna do direito e da possibilidade de construir o seu futuro? Lindemberg não conseguiu compreender que "somos livres", que Deus nos criou livres, com o altíssimo dom da liberdade e que, por meio dela, podemos até mesmo cometer a loucura de rejeitar amar o próprio Deus. Apesar disso, Deus não deixa de nos amar, ama-nos ao extremo de dar a vida do seu próprio Filho pela nossa salvação.

Os pais costumam afirmar: "Nossos meninos não sabem mais amar!". Nossos jovens não sabem mais o amor de altruísmo, que cuida, que dá a vida pelo outro e não o contrário, que rouba desastrosamente a vida do outro. Mas os pais não sabem mais dar limites aos filhos. As conseqüências desta educação são catastróficas. Nossos jovens estão amando errado porque já não conseguem encontrar nos pais aquele modelo de amor que renuncia pelo bem do outro, que perdoa, que protege, que sabe sempre recomeçar no amor quando o outro erra, que simplesmente ama.

Também – dizem os pais - os nossos meninos não suportam mais ouvir um "não"! Qualquer "não" é sempre uma ameaça. Não se tem mais estrutura, maturidade humana para viver a abnegação e a capacidade de querer sempre a felicidade do amado mesmo que eu tenha que perder. Aqui não se pode esquecer daquela adolescente da cidade de Nazaré, a Virgem Maria, que soube refletir sobre o pedido do anjo, pediu-lhe uma explicação, mas livremente renunciou aos seus lindos planos para fazer a vontade de Deus. Quão bela foi a atitude do jovem José, seu castíssimo esposo: amou aquela adolescente e se dispôs a dá a vida por ela! O amor simplesmente ama em qualquer situação. Ah se os casais de hoje conseguissem viver isso e o comunicassem aos seus meninos e meninas!

E perguntamos: por que nossos jovens não refletem mais suas decisões? A agressividade, o desespero e a violência são as respostas quando o coração não mais se eleva para dá uma resposta positiva aos "nãos" da vida? O amor, o verdadeiro amor não pode matar, mas ele se entrega livremente: "Ninguém me tira a vida, eu a dou por mim mesmo" (Jo 10,18). O verdadeiro amor não interrompe a beleza e o curso da vida, não arranca dela a única oportunidade de fazer sua escolha e buscar seus planos e sonhos. O amor não pode fazer de "uma paixão não correspondida" uma decisão cruel de destruir tal vida, por sua vez, tão jovem. Eloá só queria o direito de poder escolher um namorado que pudesse, com ela, construir uma família feliz e que pudessem como casal ensinar aos filhos o que é amar até o extremo para se querer a felicidade do outro. Realmente ela estava certa na sua decisão, mas não pode exercer sua liberdade de ao menos ter a chance de tentar no exercício de aprender a amar.

Nada se pode justificar tamanha covardia, mas, apesar de tudo, não se pode esquecer que a misericórdia de Deus nunca destruirá a liberdade dos seus filhos. Essa misericórdia é a única que pode elevar a vida à sua altíssima vocação que é o amor a Deus. Lindemberg é hoje mais um réu de uma justiça humana, mas será sempre convidado a ser filho na comunhão do amor. Não vim para os bons, mas para os doentes, diz o Senhor da vida. Precisamos - nós cristãos - sair de um simples sensacionalismo e nos conscientizarmos de que o homem de hoje, as Famílias e, especialmente, os nossos jovens, precisam encontrar o Evangelho, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, o único que pode satisfazer a todos os nossos mais profundos anseios do coração e da alma.

Rezemos ao Pai, com Bento XVI,[3] através do coração de Maria: "Mostra-nos, ó Virgem e Mãe, o que é o amor, onde este tem sua origem e de onde recebe incessantemente sua força". Ensina-nos Mãe e, aos pais de hoje, aos filhos e aos jovens namorados, o que é o amor e quem é o amor! Assim seja!
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[1] Cf. Deus Caristas Est, 4.
[2] Cf. Ibidem, 6.
[3] Deus Caristas Est, 40



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por Antonio Marcos , Missionário na Comunidade de Vida Shalom ,
Comunidade Católica Shalom

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As quatro dimensões do encontro com Jesus

O encontro com Jesus é um encontro sempre novo. De uma vez por todas, ninguém pode falar: "Eu encontrei o Senhor". Porque o encontro com Ele se renova a cada dia por meio de novas experiências. Um casal, para viver feliz, deve impor-se renovar a cada dia o próprio amor: o marido deve encontrar a esposa de uma forma sempre nova, criando situações e experiências que possam estimular o interesse recíproco e isso não requer sacrifício porque o amor é infinito e criativo.



Para clarear esse conceito, apresento o encontro com Jesus sob quatro dimensões:

Encontro com Jesus que cura

É importante evitar o erro de pensar que quando encontramos Jesus que cura chegamos até o cume da experiência. Na realidade, estamos somente no início da nossa caminhada, no primeiro degrau da escada. É o encontro do homem que grita: "Ajudem-me". É o grito do homem que olha mais para si mesmo do que para a pessoa de Jesus, mas é o nosso primeiro encontro.

Encontro com Jesus Mestre

Após tê-Lo encontrado e ter experimentado a Sua misericórdia, vamos até Ele não mais para pedir, mas, ao contrário, para dar: "O que tenho de fazer, Mestre?". Esta é a dimensão de quem tem sede de saber o que Deus quer. Não mais se pergunta "o que me ajuda?", mas "o que Deus quer?". É claro que estamos em um nível mais alto.

Encontro com Jesus Amigo

Aqui, a sede do homem é a prece, a intimidade com o Senhor. Sente-se uma grande necessidade de entrar em plena sintonia com Deus. Freqüentemente acha lugares solitários para ficar a sós com o Pai. Mais que uma prece para pedir ("dê para mim"), a sua oração zela por uma união com o Senhor.

Encontro com Jesus Senhor

Neste encontro, nós nos sentimos ser totalmente d'Ele, portanto, entregamos tudo que somos e possuímos, inclusive, nossos carismas. Isso significa dizer: "Pega o que queres da minha vida, Senhor! Não sou eu que devo projetar o que tenho que fazer, és Tu que deves falar por mim".

Trecho adaptado e retirado do livro: "Cura do mal e libertação do maligno”, de Frei Elias Vella

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

A unidade original do homem e da mulher na humanidade


A família tem sido alvo de muitos ataques. Acreditamos que ela é a base fundamental da sociedade. Sem família o ser humano padece de aconchego, proteção e amor. Por isso vamos continuar dando ênfase ao que ela tem de mais precioso para que todos nós possamos salvaguardá-la de todo o mal. Neste artigo vamos refletir sobre a unidade original do homem e da mulher na humanidade.

Para entendermos esse tema tão importante precisamos entender o mistério da criação do homem. O homem, homem e mulher, foi criado à imagem e semelhança de Deus. Isto significa que o homem é o ápice de toda a criação. O homem, homem e mulher, coroa toda a obra da criação.

Dizer que o homem é criado à imagem e semelhança de Deus quer dizer que o homem é chamado a existir como pessoa, com livre arbítrio e razão, capaz de conhecê-Lo e de amá-Lo. Mas significa ainda que o homem é chamado a existir para os outros, a tornar-se um dom. Isto consiste em existir em referência a um outro “eu”, como o Deus Trindade. Essa relação deve ser recíproca e nesse ser “para o outro” acontece a integração querida por Deus no “princípio” daquilo que é masculino e daquilo que é feminino. Então o homem e a mulher são chamados a viver uma comunhão de amor. Como afirma João Paulo II, são chamados a viver uma “unidade de dois”. Essa unidade de dois deve transbordar assim para toda a humanidade.

Quando o livro do Gênesis afirma que “não é conveniente que o homem esteja só” (Gen), está revelando que o homem foi criado para “ser para o outro”, é chamado à unidade original. Dentre todos os seres criados ele não havia encontrado que pudesse vivenciar com ele esta sua vocação.

O sentimento da solidão original entra a fazer parte do significado da unidade original, cujo ponto-chave parece ser precisamente as palavras: “O homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Gen 2,24). Os dois modos de “ser corpo” do mesmo ser humano, são chamados à comunhão de amor entre si e desta com toda a humanidade. A família nasce dessa vocação ao amor vivido por Deus Trindade. A família nasce da necessidade que o homem tem de amar e ser amado, de não fechar em si mesmo, de não “repudiar” nenhum dos seus semelhantes. Existe uma semelhança entre a união das Pessoas divinas e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança manifesta que o homem, única criatura na terra que Deus quis por si mesma, não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo. Isto significa que o homem, homem e mulher, só pode alcançar a própria realização senão “por um dom sincero de si mesmo”.

A família, portanto, tem como raiz a própria peculiaridade da criação do homem, como homem e mulher. A família nasceu da necessidade ontológica que o homem possui de doar-se a si mesmo. A família nasceu da vocação do homem ao amor. Está inserida no mistério da criação da forma que ela foi querida por Deus.

Erra-se gravemente ao pensar que a família é uma dimensão que se pode prescindir da vida da sociedade e da humanidade.

Adão ao contemplar pela primeira vez Eva manifesta alegria e até exultação, de que anteriormente não tinha motivo, por causa da falta de um ser semelhante a si. Adão manifesta a alegria em relação ao outro ser humano, a alegria para o segundo «eu», que é Eva, demonstrando assim que aquela primeira mulher, “criada da sua costela” (Deus serve-se da sua “costela” só para acentuar a natureza comum do homem e da mulher) foi imediatamente aceita como auxiliar semelhante a ele. O termo “auxiliar” sugere o conceito de “complementaridade”, ou melhor, de “correspondência exata”. Expressa assim que a mulher deve “auxiliar” o homem, e que este, por sua vez, deve ajudar a ela. É fácil assim, compreender que se trata de um “auxiliar” de ambas as partes, de um “auxiliar” recíproco. Humanidade significa chamada à comunhão interpessoal e toda a história do homem sobre a terra realiza-se no âmbito desta chamada. Tudo isto ajuda a estabelecer o significado pleno da unidade original do homem e da mulher na humanidade.

A família tem início de uma especial ação divina. Há uma “incorporação” profunda entre o homem e a mulher que tendem a viver essa mesma “incorporação” com os outros seres humanos. Só assim o homem é feliz. Só assim o homem se realiza.



Bibliografia:
Lúmen gentium
Mulieres dignitatem
Gaudium et spes


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por Germana Perdigão, Comunidade de Aliança Shalom
Revista Shalom Maná - Ed. Shalom

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A chave do passado


Nossos valores são maiores que nossos erros

A cada novo dia vivemos novas experiências e sempre temos decisões a tomar. Em razão dessas escolhas podemos acertar ou errar.

Na vida a dois, reconhecemos que algumas atitudes assumidas foram malsucedidas, contudo, não deixam de fazer parte da nossa história. Sem haver a menor possibilidade de apagar os erros do passado, deles só podemos tirar a lição de não reincidir nos mesmos enganos.

Ainda que as pessoas nos alertem sobre alguns cuidados para evitar os sofrimentos, em alguns momentos, estaremos arriscando a nossa liberdade – mesmo não sendo intencional – de também errar.


:: Ouça comentários adicionais


A cada dia, o casal participa mutuamente da história do outro, e não sendo possível apagar de nossa vida as más experiências, não será difícil, em certo momento, o (a) companheiro (a) tomar conhecimento dessas situações.

Diante dessas descobertas - que poderão não ser tão doces quanto gostaríamos – o desejo do cônjuge de continuar a jornada do convívio com aquele por quem se dizia estar apaixonado pode esfriar. Sob o domínio das decepções, pode-se rotular ou condenar o outro ao escárnio; difamando-o a fim de justificar o sentimento de decepção e recusando-lhe o direito da “boa fama”. Pois, na sua natureza egoística, imagina não ser o único a saber da história do (a) parceiro (a) e considera vergonhoso partilhar a vida com alguém após tomar conhecimento do passado da pessoa amada.

Aceitamos e justificamos os nossos erros, mas não suportamos os deslizes do outro. Com memória curta ou anestesiada pela soberba deixamos perder em nossas lembranças o fato de que não somos irrepreensíveis. Esquecemos que também temos um “telhado de vidro” e por outras inúmeras vezes fomos objeto da misericórdia e da complacência de outras pessoas, quando nos víamos numa esparrela sem saída.

Na odisséia em que nos colocamos a viver no comum de um relacionamento, estará aquela pessoa que escolhemos para ser o nosso “co-piloto”. Juntos, faremos novas descobertas sobre os segredos da convivência. Assim, ninguém poderá fazer do nosso passado uma arma, disparando-a quando quiser nos ofender, chantagear ou aprisionar.

A pessoa com quem nos relacionamos é muito mais que um simples produto que - uma vez “arranhado” ou com “data de validade vencida”- perde seu valor e sua integridade.

A beleza de cada ser humano está na sua capacidade infinita de desejar viver uma nova história. Mesmo que ele tenha vivido um passado maculado pelas contingências, nenhum de nós é íntegro o bastante para julgá-lo.

Apesar de termos caído em algumas armadilhas, a nossa vida e os nossos valores não ficaram presos às “arapucas” das quais fomos vítimas.

Um abraço,

José Eduardo Moura

Publicado no Blog Comportamento

O Segredo


A verdadeira Paixão de Cristo

O silêncio profundo da alma de Jesus, em sua Paixão, guardava um precioso segredo: o mistério de sua Paixão interior, seu sofrimento moral. Segredo que nenhum cineasta e nenhum poeta, por mais talentosos e inspirados que fossem, saberiam expressar. Segredo de Deus, do Filho de Deus. Segredo do Homem, do Filho do Homem.

Era costume, entre os judeus, matarem um cordeiro em memória da primeira Páscoa. O sangue do animal, sem mancha, macho, de um ano, era a garantia de que as famílias que marcassem as entradas de suas casas com ele seriam preservadas da morte de seus filhos primogênitos.

Costume, também, era utilizar um bode para, por meio de um ritual, pôr sobre ele a culpa e os pecados dos fiéis, soltando-o, em seguida, para a morte no deserto. Era o “bode expiatório”, aquele cuja vida era tomada em troca do pecado do fiel que procurava os sacerdotes do Templo.

Jesus, ofertando-se como Cordeiro, preserva (assim, no presente do indicativo) toda a família humana, de todos os tempos, da morte eterna. Mais que isso: abre para ela as portas da vida eterna, inclusive em nosso corpo a ser feito glorioso por ocasião da ressurreição dos mortos.

Tomando sobre si o peso do pecado do homem, de cada homem, de todos os tempos, Cristo expia, dá-se como pagamento de todo pecado, faz-se expiação, uma troca que todo judeu entendia muito bem.

E aqui reside segredo: ao tomar sobre si o pecado, “fez-se pecado” e iniciou a dor de sua Paixão interior. Fazer-se pecado, por amor a você, trouxe-lhe o indescritível sofrimento humano pelo afastamento do Pai, que não tem nenhuma parte com o pecado.

Essa foi sua verdadeira Paixão, mais lancinante que toda chicotada; mais mortal que toda tetania; mais cruel e injusta que toda cruz. O Amor Encarnado viu-se separado do Amor que O sustentava.

De sua parte, o Pai, em Seu segredo de amor, suportava, por amor, o sofrimento da separação do Filho, que entregava para, n’Ele, acolher o pecador que, a Seus olhos, não mais tem o rosto do pecado, mas o rosto amado de Seu Filho.

Maria Emmir Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Shalom

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

domingo, 9 de novembro de 2008

Não discutir


Tristes daqueles que aceitam a provocação...

Um dos grandes segredos para sermos felizes é saber enfrentar os problemas com maturidade e serenidade. Se você quer ser feliz, não deixe que nada de negativo invada seu coração. Procure viver a reagir com naturalidade. É claro que vamos nos sentir magoados quando alguém nos ofender. Mas, como já sabemos, é preciso ter serenidade e maturidade diante das críticas e ofensas.

Infelizmente, a maioria das pessoas acha que precisa ter sempre razão acerca de tudo. E isso também tira-lhes a paz interior, pois, sentem-se forçadas a argumentar até as últimas conseqüências. Aí está a causa de tantas brigas, discussões e contendas. Não precisamos ter sempre a última palavra. O outro também pode ter razão; talvez estejamos enganados. Talvez o outro precise de um reforço positivo, talvez também tenha necessidade de se superar. São argumentos que nos ajudam a não perdermos a paz com discussões idiotas.

A Bíblia nos diz que Jesus não discutia nunca. Ele simplesmente respondia, ocultava-se de seus adversários ou se retirava. Em meio a uma discussão que não levaria a nada, “ocultou-se deles” (cf. Jo 12,36). Jesus sabia quem era, a verdade que possuía e a importância de Sua missão. Por isso mesmo, ao ser uma vez agredido, “passando por eles, retirou-se” (cf. Lc 4,30). Ele nunca contestava. Jamais precisou argumentar: "Só saio daqui quando provar que sou o Filho de Deus". Ele sabia que o era.

Essa é uma das grandes ações que podemos e devemos experimentar. Tenho procurado realizar isso em minha vida e tenho percebido, cada vez mais, que os frutos são muito positivos. Por que vou perder tempo tentando me defender? Ora, quando uma pessoa nos acusa, ela o faz por motivos interiores. Ou a estamos incomodando ou questionando algum comportamento seu com nossa atitude. Então ela passa para a defensiva e procura nos provocar. Tristes daqueles que aceitam a provocação. Acabam se nivelando à provocação.

Para manter a paz interior é preciso muito mais que algumas pistas psicológicas. É preciso ter o coração curado. A cura interior nos revela quem somos. Mostra-nos que não precisamos provar nada a ninguém. Basta que saibamos, com humildade e serenidade, diante de Deus, e diante de nós mesmos, quem somos de fato. A cura interior nos ajuda também a mudar o que em nós precisa ser mudado.

Pe Léo

(Trecho extraído do livro: "Seja feliz todos os dias").

Entrevista com Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo
Padre Fábio de Melo

"A felicidade não é o resultado da 'casa final', mas a alegria de saber que você a está construindo"

As múltiplas faces do sofrimento, sua natureza e a importância de assumi-lo são os assuntos abordados por padre Fábio de Melo em seu mais recente livro "Quando o sofrimento bater à sua porta". De acordo com o sacerdote, o sofrimento é destino inevitável, por ser fruto do processo que nos torna mais humanos.

O escritor, pregador, professor e músico ressalta que a obra não visa retirar a dor das pessoas, mas é uma forma de ajudá-las a encontrar um caminho, porque "ao sofrer de um jeito certo, sofremos menos, pois descobrimos uma sabedoria para lidar com a dor", destaca.

Nesta entrevista, ele também conta qual o significado da palavra "sofrimento" e "sacrifício" na vida de um sacerdote e o porquê de o homem moderno ser vítima de tantos infortúnios.

cancaonova.com: Por que o senhor escolheu o sofrimento como tema deste livro?

Padre Fábio: Talvez porque eu tenha um contato tão direto com ele. Ser padre é, de alguma forma, ser psicólogo, porque as pessoas me procuram para contar suas dores. Escrever um livro falando disso é uma forma de fazer justiça, de fazer as pessoas buscarem caminhos que possam ajudá-las a sofrer com qualidade. O livro não retira o sofrimento de ninguém, mas é uma forma de ajudar as pessoas a encontrar um caminho, porque, ao sofrer de um jeito certo, sofremos menos, pois descobrimos uma sabedoria para lidar com a dor.

O sofrimento é uma espécie de inadequação; toda vez em que eu o experimento é porque existe alguma coisa inadequada dentro de mim. Eu compreendo que o sofrimento seja uma das causas de derrota para as pessoas, porque, nem sempre, conseguimos sofrer de um jeito certo. Por isso, eu quis refletir sobre isso; nem é tanto porque nós sofremos, mas como sofremos.

cancaonova.com: Por que a dor, o sofrimento e as tragédias ganham tanta relevância e destaque na mídia?

Padre Fábio: Quando vemos um sofrimento estampado na televisão, nós reconhecemos uma dor que é nossa também, ou, então, quase uma espécie de indignação ao ver os caminhos do mundo, as escolhas que fazemos e como vamos construindo a própria experiência de viver. Por isso, o sofrimento será sempre uma notícia que vai nos causar alarde; é o momento em que nós reconhecemos a crueza da nossa humanidade. As pessoas são mais destaque quando elas são sofridas, principamente quando conseguem dar um significado bonito ao sofrimento e fazem dele uma uma fonte de transição. Aí essa pessoa realmente entra na história, porque ela se diferencia do contexto das pessoas comuns.

cancaonova.com: Diante de tanto sofrimento que a vida nos impõe, o senhor acredita que é possível sermos realmente felizes?

Padre Fábio: O tempo todo. Acho que a felicidade é uma espécie de susto; quando você vê, já aconteceu. Ela é justamente uma construção pequena de todos os dias. É como se estivéssemos fazendo uma casa que, a cada dia, precisamos fazer mais um pouquinho. A felicidade não é o resultado da "casa final", mas a alegria de saber que você a está construindo. É isso que nos faz felizes. Muitas vezes, nós não nos sentimos felizes porque compreendemos que a felicidade é um destino final, mas não o é; é o processo que nos realiza.



cancaonova.com: Não corremos o risco de nos tornar masoquistas ao pensar que o sofrimento é bom?

Padre Fábio: Não creio. Eu acredito que não se trata de correr atrás do sofrimento, mas de acolhê-lo do jeito certo. Há sofrimentos que nos redimem e sofrimentos que nos destroem. O sofrimento, em si, é ruim, ele não é benéfico; mas, a partir do momento em que ele aponta para uma melhora, ele vira uma bênção para nossa vida.

cancaonova.com: Em seu livro, o senhor fala muito sobre limites. O que impulsiona o ser humano a buscar sempre a superação de seus limites?

Padre Fábio: Todo ser humano que tem boa consciência do limite é um ser humano que está num processo de aperfeiçoamento. Eu sei que tenho limites, mas eu os respeito; não tenho medo deles. Então, a partir disso, estabeleço metas de superação e, quando consigo isso, o limite deixa de me condicionar. Eu continuo limitado, mas não estou condicionado a ele [limite], porque eu consegui uma possibilidade boa de lidar com as coisas que me limitam.

cancaonova.com: Qual o grande sofrimento do homem moderno?

Padre Fábio: A experiência de ser "líquido". Um sociólogo polonês faz uma análise muito interessante das realidades modernas e contemporâneas a partir da realidade líquida. Ele afirma que o grande sofrimento do ser humano, nos dias de hoje, é justamente sentir-se temporário demais, ele passa muito rápido e isso faz com que ele se experimente ainda mais limitado. É tudo mais difícil nos dias de hoje, como segurar os relacionamentos do mundo atual, justamente porque está tudo muito "líquido", muito rápido. E quando essa estrutura de mundo se volta contra nós, não sabemos como reagir, porque criamos um estrutura de mundo rápida, muito em série. Mas, na verdade, o ser humano deseja viver de maneira artesanal, ele quer um amor para si, ele quer um espaço que seja dele. No entanto, infelizmente, o mundo tem ameaçado tudo isso, sobretudo no que diz respeito à estabilidade dos relacionamentos.

cancaonova.com: Qual o significado da palavra sofrimento e sacrifício na vida de um sacerdote?

Padre Fábio: As palavras "sacrifício" e "sofrimento" são muito próximas, sacrificar é você se tornar santo, é você tirar do contexto do profano e colocá-lo no lugar do sagrado; sacrifício é isso, algo que é profano vai ficar santo. Sofrimento é isso também, é eleger uma matéria pela qual nós queremos nos sacrificar. Acho que na minha vida o sofrimento entra assim como uma realidade que me sacrifica. Assim, eu descubro nos sofrimentos que eu enfrento uma forma de alcançar a santidade tão desejada.

cancaonova.com: Como conscientizar as pessoas de que é possível olhar o sofrimento de uma maneira diferente?

Padre Fábio: Abrindo a cabeça delas, porque a conversão passa pela nossa cabeça. Dizem que Deus mudou o nosso coração, mas, na verdade, o que Ele muda é a nossa forma de pensar. O ser humano verdadeiramente convertido é aquele que está pensando diferente, está pensando como Deus. O Cristianismo tem essa pretensão. No momento em que eu modifico minha maneira de interpretar a dor e o sofrimento, eu começo a adentrar a mística do Cristianismo. Não é uma apologia ao sofrimento, mas uma resignificação dele. Jesus, ao morrer por uma causa, nos ensina que quando sofremos por aquilo que amamos, nós estamos crescendo como pessoa. Eu acho que essa é a pretensão: ajudar as pessoas a serem capazes de crescer e amadurecer a partir do que elas amam e que, para elas, é sagrado.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cura interior


Oferece o perdão, recebe a paz

Como saber se eu preciso de cura interior? Onde preciso de cura interior? Se o médico é cuidadoso em fazer um diagnóstico do seu paciente, muito mais nós precisamos ter cuidado com o diagnóstico das nossas emoções e as das pessoas. A cura interior é importante e necessária: precisamos ser curados! Deus quer nos curar plenamente.

Por meio da cura somos restaurados em nossa personalidade. A cura interior é a chave para a cura plena da pessoa. Cada dia é um dia de surpresas que o Senhor nos reserva para colher Dele mesmo o caminho de cura que necessitamos trilhar. Podemos confiar e nos abrir sem medo à ação do Espírito Santo, Ele trabalha para o nosso bem, nosso crescimento e nossa cura. Todos nós temos uma história de vida. Essa história é a chave para nos conhecermos melhor e trilharmos um caminho, tanto de cura como de crescimento.

Muitas pessoas acreditam que precisam buscar somente a cura, porém, também se faz necessário preparar o coração para trihar o caminho de crescimento. Daí a necessidade de olharmos para a nossa história e verificar nosso caminho para cura interior. Precisamos trilhar um caminho de reconciliação com a nossa história. Não precisamos ter medo de olhar para ela. Deus quer caminhar conosco por essa mesma história para curar. Para que a libertação aconteça, é necessário existir o perdão e a reconciliação, porque “quantos sofrimentos fazem padecer a humanidade por não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por não saber perdoar!

Uma verdadeira paz torna-se possível somente com o perdão” (João Paulo II). É necessário nos reconciliarmos com Deus, com o outro, conosco, com a nossa história... A Paz é fruto de um coração que se abre ao perdão e à reconciliação.

Ser homens e mulheres de paz é sinal de homens e mulheres curados, libertos pelo poder do Espírito. Seremos portadores e semeadores da paz se tivermos a paz no coração. Deus nos convida, mais do que nunca, a sermos homens e mulheres conduzidos pelo Espírito Santo: “Que prevaleçam os caminhos da justiça e da paz!” (João Paulo II).

Vamos caminhar na ótica do perdão, da reconciliação com Deus, com o outro, com a nossa história, da sadia convivência, dos passos para a verdadeira cura interior, da libertação, da total conformidade com a vontade de Deus.

“Oferece o perdão, recebe a paz” (João Paulo II).

Do livro: “A cura da nossa afetividade e sexualidade”

Assista: Falta de perdão gera bloqueio para cura interior



Comunidade Cancao Nova

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Idolatria


Quando se escolhe servir a um deus falso em lugar do Deus verdadeiro

Idolatria é escolher, adorar e servir a um deus falso em lugar do Deus verdadeiro. São Paulo definiu muito bem a idolatria: "Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos!" (Rm 1,25).

Uma das diferenças entre o Deus verdadeiro e o deus falso é que este é “oco”. É por isso que no passado um dos símbolos dos deuses falsos eram as imagens ocas. Representavam um “deus oco”. Um deus “vazio”, fraco! Hoje, o grande erro é confundir a idolatria com as imagens.

Idolatria é escolher um deus falso. Escolher adorar e servir à criatura em vez do Criador. Essas criaturas são as mais diversas. Para identificar os deuses falsos de hoje não é tão difícil. Os atuais deuses ocos dos nossos dias são: Prazer, Poder e Ter. Estes são os ídolos, “deuses ocos” dos tempos atuais. Por serem ocos não satisfazem nunca os que os buscam. Esta é, por exemplo, uma das razões por que não encontramos um ganancioso que diga: “Tenho dinheiro que chega. Estou satisfeito”.

Quando o dinheiro se torna um ídolo, um deus oco, ele não preenche o coração do ser humano. O mesmo vale para o prazer. Quem faz do prazer um deus nunca se satisfaz. Busca-o desenfreadamente e sente-se sempre vazio. Vai à praia, ao jogo de futebol, viaja, come, bebe, mas se sente sempre vazio. Por que está indo atrás de um deus “oco”, de um ídolo.

O mesmo podemos dizer do poder. Quem tem o poder não para servir, mas para dominar. Busca sempre tê-lo cada vez mais e nunca está satisfeito. Nesse caso, o poder também se transforma num deus falso, oco, um ídolo.

A idolatria é o maior pecado. A árvore da qual brotam os nossos outros pecados é a escolha de um deus oco em vez do Deus pleno. É por essa razão que sempre se sentirão vazios os que escolhem adorar e servir àquele que não é eterno.

Padre Alir

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Culto Eucarístico fora da Missa

Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador

“A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça. Uma comunidade cristã que queira contemplar melhor o rosto de Cristo, segundo o espírito que sugeri nas cartas apostólicas Novo millennio ineunte e Rosarium Virginis Mariae, não pode deixar de desenvolver também este aspecto do culto eucarístico, no qual perduram e se multiplicam os frutos da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia n.25).

A celebração da Santa Missa não esgota o culto de adoração e ação de graça, ainda que seja o centro do próprio culto, mas se prolonga no culto eucarístico fora da missa. O dom que recebemos do Senhor é precioso testamento que nos deixou para permanentemente dele usufruirmos.

Quando Jesus, na quinta feira santa, celebrou a primeira Missa para perpetuar, através da Igreja, a oferta do seu sacrifício, antecipou a promessa que nos deixou antes da Ascensão: “Eu estarei convosco sempre até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Ele permanece conosco, caminha conosco através de sinais sensíveis, no Sacramento do altar, sob os quais a nossa fé encontra a sua presença real.

Temos a reserva do Santíssimo Sacramento, que permanece após a celebração da Missa, nos relaciona sempre com o próprio sacrifício da cruz celebrado na comunidade cristã em cada missa. A celebração da Eucaristia é o centro, portanto, da Igreja, dos demais sacramentos e de sua atividade apostólica. A Igreja cresce e vive pela Eucaristia. Na catequese e na pastoral deve se insistir no apreço e valorização da centralidade da missa acima de todas as demais formas de Culto eucarístico.

O fim primeiro e originário da reserva das sagradas espécies é a administração do viático ao doente moribundo. Em conseqüência pode-se distribuir a comunhão fora da missa para os que não puderam dela participar e para os enfermos.

A adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento é dever de toda a Igreja pública e privadamente. Importante é pois que o local e o tabernáculo, onde se conservam as espécies do Santíssimo Sacramento, sejam visíveis aos fiéis, dispostos com dignidade e com segurança, e que também os fiéis conheçam bem outros gestos de adoração que são devidos, como a genuflexão e outros cuidados.

As procissões são formas de expressar a fé, culto e veneração ao Santíssimo Sacramento; é manifestação pública do amor e respeito do povo de Deus a Cristo Eucarístico. Entre todas, ocupa lugar proeminente a que se faz todos os anos na solenidade do Corpo e do Sangue, Corpus Christi. Desde séculos adquiriu direito de cidadania e se converteu em manifestação popular de fé e de adoração na maioria dos povos católicos.

É conveniente que a procissão se faça imediatamente depois da missa, na qual se consagra a hóstia sagrada para a procissão. A procissão sempre terminará com a bênção com o Santíssimo Sacramento ao povo presente.

Os Congressos eucarísticos internacionais, nacionais e diocesanos têm como fim promover o culto eucarístico no povo cristão. São acontecimentos especiais de aprofundamento e renovação, de vivência e compromisso eucarístico. São manifestação externa de uma Igreja orante e expressão viva de fé na presença sacramental de Cristo. Os Congressos tem uma preparação, celebração e prolongamento.

A exposição do Santíssimo Sacramento pode ser ocasião para recitação de uma parte da Liturgia das Horas, especialmente nas casas religiosas.

Durante a exposição, as preces, cantos, leituras e silêncio devem se organizar de maneira que os fieis, atentos à oração, de dediquem a Cristo, o Senhor, presente no Sacramento, concentrando sua mente e sentimentos no mistério eucarístico.

O costume da visita ao Santíssimo Sacramento há muito é observado. Paulo VI, em 3 de setembro de 1965, publicou a encíclica Mysterium Fidei. Nela fala expressamente da visita ao Santíssimo Sacramento quando exorta a promoção do culto eucarístico. E o Concílio Vaticano II, na Presbyterorum Ordinis, dispõe que se cumpra com fidelidade o ministério sacerdotal, e se tenha com gosto de coração o colóquio cotidiano com Cristo na visita e culto à Santíssima Eucaristia.

Na visita ao Senhor Sacramentado, e em todas as demais formas de culto à Eucaristia, o fiel, como afirma João Paulo II, na Dominicae Coenae, n. 3, mostra ao Senhor o que a mesma palavra eucaristia significa: “o agradecimento, o louvor por nos ter redimido com sua morte, e feito participes de sua vida imortal, mediante sua ressurreição”.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Bíblia a voz, o rosto e a casa da Palavra

1. A VOZ DA PALAVRA: a revelação. É voz divina, que “ressoa nas origens da criação, quebrando o silêncio do nada e dando origem às maravilhas do universo”! É voz que desce nas páginas das Sagradas Escrituras, que nós lemos na Igreja, sob a guia do Espírito Santo.

2. O ROSTO DA PALAVRA: Jesus Cristo. Está no Evangelho: O verbo (Palavra) se fez carne (Jo 1, 14). E aqui então aparece o Rosto. É Jesus Cristo, Filho do Deus eterno e infinito e ao mesmo tempo um homem mortal, ligado a uma época histórica, a um povo e a uma terra. É Ele quem nos revela o “sentido pleno” e unitário das Sagradas Escrituras, pelas quais o cristianismo é uma religião que tem no centro uma pessoa, Jesus Cristo, revelador do Pai.

3. A CASA DA PALAVRA: a Igreja. Segundo Atos (2, 42), a Igreja proclama o ensinamento dos apóstolos, lendo e anunciando a Bíblia, inclusive na homilia e na Catequese. A Igreja celebra a “fração do pão”, a Eucaristia, que é fonte e cume da vida e da missão da Igreja. Temos ainda a Liturgia das Horas, a leitura orante da Sagrada Escritura, que pela meditação, oração e contemplação conduz ao encontro com Cristo, Palavra do Deus vivo.

Na Igreja temos a “comunhão fraterna”. Não basta ouvir a Palavra de Deus. Na Casa da Palavra temos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs, que, embora ainda separadas, vivem uma unidade real através da veneração e do amor pela palavra de Deus.

4. OS CAMINHOS DA PALAVRA: a missão. A Palavra de Deus deve percorrer os caminhos do mundo, que hoje são também os da comunicação, informática, televisiva e virtual. A Bíblia deve entrar nas famílias para que pais e filhos a leiam, com ela rezem para que ela seja para eles uma lâmpada para seus passos no caminho da existência.

A Bíblia nos apresenta também o sopro de dor que se eleva da terra, vai ao encontro do grito dos oprimidos e do lamento dos infelizes. Traz no vértice a cruz, onde Cristo, sozinho e abandonado, vive a tragédia do sofrimento mais atroz e da morte. Mas pela presença do Filho de Deus, a escuridão do mal e da morte está iluminada pela luz pascal e pela esperança da glória.

Dom Aloísio Sinésio Bohn

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domingo, 2 de novembro de 2008

O dia dos finados

A morte que gera vida


Celebramos neste Domingo, 02 de novembro, após a comemoração de "Todos os Santos", o dia de Finados. Neste dia nós, os católicos, costumamos ir ao cemitério para visitarmos o túmulo dos nossos parentes falecidos, rezarmos por eles e participarmos da Santa Missa em ação de graças pelas almas dos que amamos e já não se encontram mais na nossa convivência.

Esta é uma feliz ocasião para darmos uma palavra de esperança a todos os que, neste dia, visitam seus parentes falecidos. Alguns levam consigo ainda a dor da perda, a saudade dolorosa, a não conformação com a separação e as lágrimas de quem sabe que quem partiu significava muito pra sua vida.

É inegável que estamos a observar certa "descrença na ressurreição" e isso decorre do desconhecimento por parte do homem quanto ao Evangelho da Vida e ainda em conseqüência de uma "cultura efêmera", que prega o engano de viver uma "felicidade" do aqui e agora, sem nenhuma perspectiva de vida eterna. Cada dia se cria novos axiomas que tendem a reger a vida humana: "Nascer, crescer, trabalhar, produzir e morrer", caindo assim – após a morte - no esquecimento definitivo de uma fria catacumba.

Viver como se tudo terminasse na morte seria a mais miserável vida. Viver sem ter a feliz certeza, a posse da ressurreição para a vida eterna tudo se tornaria débil. A fé nos faz acreditar na ressurreição, não pelos nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo, o Senhor, vencedor da morte, portador da vida eterna. Somente a experiência com o amor de Deus que é fruto do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, o ressuscitado, pode então nos inserir na feliz esperança do céu. "Senhor, a quem iríamos? Tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6, 68). Esta confissão de fé do apóstolo Pedro é um eco do mais profundo grito e anseio do coração do homem: contemplar a face de Deus. "É a tua face, Senhor, que eu procuro!" (Sl 27, 8).

Sim, sem Cristo, tanto a vida como a morte não têm sentido. "Eu sou a ressurreição e a Vida: aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais" (Jo 11,25-26.). Esta é a mais importante verdade de fé das nossas vidas, e "esta verdade não envelhece – diz o papa bento XVI – porque Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho".[1] É assim que rezamos na Santa Missa Dominical: "Creio na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna, amém." Portanto, quando vamos ao cemitério neste dia queremos dar testemunho de que a nossa fé nos dá a posse de que as vidas dos que morrem na esperança cristã não termina no túmulo, em ossos, simplesmente. A vela que acendemos no túmulo é um sinal de que a luz de Cristo, concedida pelo Batismo, marcou aquela vida para sempre e nesta luz esperamos todos, a misericórdia de Deus.

A dor, o sofrimento e a saudade
O mistério do sofrimento perpassa a vida de todo homem, inevitavelmente. Não podemos eliminá-lo totalmente. "Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor". [2] Quando perdemos alguém que muito amamos é, ao certo, uma dor e um sofrimento incalculável. Mas, quando vividos em Cristo, tudo vem a ter o seu real sentido. Não estamos sozinhos. Quem vive na esperança cristã "não se vive sozinho e nem se morre sozinho".[3] A perda e o sofrimento não abalam nossas certezas e nossa confiança. "Quer caminhemos ou estejamos cravados num leito de sofrimento, quer caminhemos na alegria ou nos encontremos no deserto da alma", não estamos sozinhos, pois o senhor é o nosso refúgio, a nossa fortaleza. A presença e a fidelidade do Senhor nos sustentam (cf. Sl 90, 2; 93, 18). Nós cristãos precisamos recordar a todos que estão de luto quanto à verdade de que a tristeza e a saudade não podem ser sinônimas de desespero e falta de paz. "Cristo é a nossa Paz!" (Ef 2, 14). Este é o nosso grande diferencial. Aqueles que amamos também adoecem, sofrem e morrem, mas os confiamos à misericórdia infinita de Deus. A nossa dor precisa ser uma dor do amor que gera salvação e alegria, jamais de desespero.

Podemos rezar pelos mortos...
Esta é uma verdade bíblica (cf. 2 Macabeus 32-45), e uma verdade autêntica da fé católica possível pela imensa graça da Comunhão dos Santos, fruto da bondade de Deus. O Papa Bento XVI diz: "Quem reza não desperdiça o seu tempo".[4] Rezamos pelos nossos entes queridos falecidos por causa do vínculo da fé e do amor que não se desfaz com a morte, para que tão logo possam viver a felicidade beatífica e que cheguem à contemplação da Face de Deus. Deus é aquele que escuta o nosso clamor, a nossa oração. "Um infeliz gritou a Deus e foi ouvido, reza o Salmista". É nesta fé que rezamos pelos nossos irmãos e irmãs falecidos na oração eucarística de cada Santa Missa: "Senhor, concedei-lhes contemplar a vossa face!". "A memória dos mortos e intercessão por eles é um ato sagrado, uma memória santa".

Só o amor gera a verdadeira vida
"Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá" (Jo 11,25). Não temos medo da morte porque amamos o Senhor, e é ele quem receberá as nossas vidas na hora da morte. Uma linda canção expressa bem a nossa total dependência do Senhor: "Sei em quem coloquei minha confiança e onde está minha segurança, meu Deus, tesouro meu, Tu és meu Sumo Bem".[5] Os que amam a Deus e seus irmãos, não morrem! "Quem ama seu irmão permanece na luz" (Jo 2, 10).Teresa de Lisieurx dizia: "Não morro, entro na vida". Somente o amor de Deus em nós pode nos fazer ficar de pé diante da cruz de tantas situações em que temos que morrer diariamente. Quantos de nós precisamos perdoar os mais difíceis, àqueles que estão conosco na vida cotidiana! Quantos de nós precisamos morrer amando o marido que está no adultério, na droga, na tristeza do desemprego, na frieza da fé, na doença terminal. Quantos de nós temos que morrer silenciosamente no cuidado de quem sofre com a doença física, psíquica ou espiritual! Quantos de nós temos que morrer para não perder a esperança e a alegria, mesmo em meio à saudade de quem partiu assim tão inesperadamente. Só a vida em Deus pode encher de sentido nossos mínimos sacrifícios. Esta é a morte que gera vida. "Ninguém me tira a vida, eu a dou livremente" (Jo 10,18). "Não estamos fadados à tristeza e a viver como os outros que não tem esperança", diz o apóstolo Paulo (cf.1 Ts 4, 13).

Não sabemos o dia, nem a hora.
Tudo é um mistério que só cabe à providência divina. Talvez os nossos entes queridos não tenham dito a última palavra, não tenham feito a última coisa que gostariam ou ainda concluído seus projetos... Deus os chamou no seu plano amoroso e providencial. Mesmo que não compreendamos os fatos, Deus conhece o melhor para os seus filhos. É verdade que Deus não quer o sofrimento, a doença e nem a tragédia para os seus filhos. Ele respeita incondicionalmente a nossa liberdade para amá-lo ou mesmo rejeita-lo. Deus é amor e tudo o que ele faz é bom! Sua bondade e total controle de cada situação nos permitem viver certas situações em vista de um bem maior. Talvez só vejamos os frutos no céu, mas isso não nos desanima, pelo contrário, enche-nos de alegria porque é para o céu que fomos criados. A nós cabe unicamente viver a vocação para a qual fomos todos criados: "A vontade de Deus é a vossa santificação" (1Ts 4, 3). A nós cabe vivermos uma vida que pronuncie com o testemunho: "Meu Deus eu vos amo!". Não tenhamos medo da morte e nem de como se encontram os nossos parentes que partiram, mas os confiemos à misericórdia de Deus que nos prometeu: "Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28, 20). Os nossos parentes não serão esquecidos pelo Senhor, pois "Todo aquele que nele crê não será confundido" (Rm 10, 11). Portanto, mantenhamos as nossas "lâmpadas acesas" (Lc 12, 35) e, apressemos a viver o nosso encontro com o Senhor na Santa Eucaristia, no encontro com sua Palavra, na Caridade fraterna e no serviço aos mais necessitados. "Já não chores Jerusalém, a alegria voltou. Teu Senhor está vivo. Ele Ressuscitou!" Que a Santíssima Virgem Maria, mãe de todos os que têm fé, ajude-nos a viver na feliz esperança da Ressurreição para a vida eterna e, nos ajude a vivermos a cruz de hoje, não como desgraça, mas como sinal de quem nela Cristo doou livremente e por amor sua vida e, agora Ressuscitado, é vencedor da morte e nossa herança. Nossa morte na morte e na ressurreição de Cristo gera vida. Assim seja.

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por Antonio Marcos
Missionário na Comunidade Vida Shalom – Fortaleza.