"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sexta-feira da Paixão do Senhor



Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito







A Igreja, com a meditação da Paixão de seu Senhor e Esposo e com a Adoração da Cruz, comemora a sua origem, nascida do lado de Cristo crucificado, e intercede pelo mundo. Na celebração da tarde de Sexta-feira Santa, recebemos em comunhão o Corpo do Senhor. “Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”.

Is 52,13-53,12
Sl 30 (31),2.6.12-13.15-16.17.25 (R/. Lc
23,46)
Hb 4,14-16; 5,7-9
Jo 18,1-19,42

Roteiro diário

Oração: Reze esta oração, composta pelo Papa Paulo VI. Pouco a pouco, você saberá repeti-la com calma e ser acompanhado por ela muitas vezes durante o ano.

Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da santa Igreja! Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte, para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte, constante até o sacrifício, quando for necessário! Um coração cuja felicidade é palpitar com o coração de Cristo e cumprir, humilde, fiel e firmemente a vontade do Pai. Amém.

Leitura orante da Palavra de Deus: Leia o texto indicado para cada dia, escolhendo o Evangelho do dia ou uma das leituras indicadas pela Igreja.

Gestos penitenciais: Três práticas acompanham nossa Quaresma: a oração, a penitência ou jejum e a caridade. Acolha nossas propostas e exercite a criatividade, descobrindo e atualizando estas práticas em sua vida diária.



Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA

Fonte: Portal da Comunidade Canção Novas

“Se só buscas a Cristo em Sua glória, então não és digno de Sua cruz”

A belíssima frase que entitula este artigo é atribuída a São Padre Pio de Pietrelcina, o santo capuchinho que durante 50 anos viveu estigmatizado elevando a todos com seus conselhos e milagres, especialmente através do Sacramento da Confissão. Ninguém mais abalizado que ele para afirmar algo tão verdadeiro e tão moderno.

Sabemos como o Senhor esvaziou-se de sua divindade e fez-se pequeno, fez-se homem, fez-se pobre de todos os bens do céu para tornar-nos ricos de sua riqueza, como diz Paulo em Coríntios. Sabemos, também, quantos milagres ele realizou, quantos mortos ressuscitou, quantas vezes a natureza terrestre e angélica se prostrou, em obediência, a seus pés através do mar, dos ventos, das curas, dos exorcismos.

Naturalmente, todos desejamos seguir Jesus, ser como ele, viver a vida dele, com os seus pensamentos, seus sentimentos, seu amor ao Pai e aos homens. Esse desejo santo, contudo, tende a estar mais atento aos milagres e prodígios do que à paixão e à cruz. Queremos, certamente, ser como Jesus é: o Deus das maravilhas, o Filho do homem enquanto amado e seguido por muitos que, em seu tempo, iam atrás dele fosse onde fosse... exceto à cruz.

Mesmo seus discípulos mais fiéis, aqueles a quem escolhera e chamara pelo nome, com eleição eterna e eterno afeto, mesmo esses o abandonaram na cruz, com exceção de João. É que muitos naquela época, como muitos hoje, buscam o Senhor pelo que ele lhes pode dar e não pelo que eles podem “dar” ao Senhor. Buscam o Senhor em sua glória, mas fogem em sua cruz.

Para entendermos bem esse mistério de troca de amor, é preciso saber que o Senhor assumiu nossa humanidade e jamais irá separar-se dela. Jesus, para sempre e sempre, é Deus e homem. É também, cabeça da Igreja, isso é, nossa cabeça, aquele a quem seguimos. Isso, somado ao milagre cotidiano da Eucaristia, significa que o Senhor que se fez carne, partilha conosco toda nossa vida: sofrimentos e alegrias, dores e felicidade.

A partilha entre os que se amam jamais é unilateral. É exatamente porque Jesus nos ama que partilha conosco sua glória: as curas, os milagres, as ressurreições no corpo e na alma, na Igreja, na sociedade, na natureza. A maior e mais nobre das partilhas, porém, a partilha de sua paixão e cruz é o fundamento mesmo de seu amor por nós e do nosso por ele.

Ao encarnar-se, assumiu para si nossa maior podridão, nossa mais poderosa fonte de sofrimento e causa de nossa morte: o pecado. Sem jamais ter pecado, tomou sobre si, em sua paixão e cruz, todo o sofrimento e morte que o pecado havia feito entrar no mundo. O resultado foi sua morte na cruz e sua ressurreição.

Nós, como corpo de Cristo, somos chamados a amá-lo e ser corpo de seu corpo, alma de sua alma, esposa, Igreja. O amor consiste em estar presente tanto na gloria quanto na dor. É verdade que nossos atos de amor a Cristo não acrescentam nada à sua cruz. Entretanto, acrescentam – e muito – à nossa salvação e à do mundo. É nesse sentido que São Paulo diz: “Suporto em minha carne o sofrimento que faltou à cruz de Cristo”.

Em nossa vida, não precisamos buscar sofrimentos, não é verdade? Eles simplesmente nos alcançam de todas as formas, como consequência do pecado que marcou toda a criação. A grande boa nova é que podemos, pela cruz de Cristo, nos libertar desse sofrimento exatamente como ele mesmo se libertou: escolhendo livremente sofrer a dor que se nos apresenta não mais sozinhos, mas com ele e com o Pai e tomando, com ele, nossa cruz. Mas atenção: o sofrimento só se transforma em cruz em três condições: primeira, que transformemos a dor que nos atinge em dor livremente escolhida e acolhida por nós por amor a Cristo e à humanidade; segunda: que o unamos à cruz de Cristo, que vence o pecado, a dor e a morte; terceira, que o transformemos em ato de amor a ele e aos homens que ainda não o conhecem, isto é, que o amam e obedecem.

O mais lindo nessa história toda é que, ao buscarmos Cristo não somente em sua glória, mas também em sua cruz, seremos dignos dela e dele. Ou seja, viveremos uma vida de entrega de amor a Cristo por amor ao homem. O belo, porém, é que ao abraçar a cruz de Cristo através de nossos sofrimentos de cada dia, do menorzinho ao maior de todos, estaremos caminhando ... para a sua glória.

Isso mesmo! O caminho para a glória de Cristo e do céu é a cruz. É unir-se a ele através do amor, abraçando por amor o sofrimento que ele abraçou em sua paixão. Não há outro caminho para a glória. E não há glória autêntica que não seja a de Cristo. É por isso que, com razão, o santo diz: se só busca a Cristo em sua glória, então, não és digno de sua cruz. O contrário também é verdadeiro: se buscas a Cristo em sua cruz, serás digno de sua glória.

Maria Emmir Nogueira

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Missa de lava pés



Veja os melhores momentos da celebração de lava pés na Canção Nova.

Fonte: WebTVCN

domingo, 17 de abril de 2011

Evangelho (Mateus 21,1-11)


Domingo, 17 de Abril de 2011
Domingo de Ramos




— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, 2dizendo-lhes: “Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! 3Se alguém vos disser alguma coisa, direis: ‘O Senhor precisa deles’, mas logo os devolverá’”.
4Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: 5Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta”.
6Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. 7Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. 8A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 9As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” 
10Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: “Quem é este homem?” 11E as multidões respondiam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

Evangelho (após a Procissão dos Ramos, durante a Liturgia da Palavra) 
(Mt 27,11-54) - Forma breve

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo,11Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:
Ass.: “Tu és o rei dos judeus?” 
Narrador 1: Jesus declarou: 
Pres.: “É como dizes”. 
Narrador 1: 12E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos.13Então Pilatos perguntou: 
Leitor 1: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?” 
Narrador 1: 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão reunida: 
Ass.: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?” 
Narrador 2: 18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: 
Mulher: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele”.
Narrador 2: 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a perguntar: 
Ass.: “Qual dos dois quereis que eu solte?”
Narrador 2: Eles gritaram:
Ass.: “Barrabás”. 










Narrador 2: 22Pilatos perguntou: 
Leitor 2: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?
Narrador 2: Todos gritaram: 
Ass.: “Seja crucificado!”
Narrador 2: 23Pilatos falou:
Leitor 1: “Mas, que mal ele fez?” 
Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força: 
Ass.: “Seja crucificado!”
Narrador 1: 24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: 
Leitor 2: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!”
Narrador 1: 25O povo todo respondeu: 
Ass.: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.
Narrador 1: 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. 27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 
Ass.: 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; 
Narrador 1: 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: 
Ass.: “Salve, rei dos judeus!” 
Narrador 2: 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. 32Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”. 
Narrador 1: 34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando guarda. 37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: 
Ass.: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. 
Narrador 1: 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. 39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: 
Ass.: 40”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Narrador 2: 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: 
Ass.:42”A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”. 
Narrador 1: 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: 
Pres.: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”
Narrador 1: Que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” 47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: 
Ass.: “Ele está chamando Elias!”
Narrador 1: 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros, porém, disseram:
Ass.: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”
Narrador 1: 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.

(Todos se ajoelham.)

Narrador 2: 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: 
Ass.: “Ele era mesmo Filho de Deus!”

Assista a reflexão deste evangelho:






- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor.




Fonte: Portal da Comunidade Católica Canção Nova

Os últimos passos de Jesus em Jerusalém, Parte I



Nesta primeira parte você vai conhecer Betfagé. Aqui Jesus em sua última semana de vida, tomou o jumentinho e foi acompanhado pelo povo até a porta da cidade de Jerusalém, o povo o aclamava "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!" Conheça também a descida do Monte das Oliveiras, o lugar onde chorou pela cidade:"Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz!"( Lc 19,42 ).

Fonte: WebTVCN

Domingo de Ramos e da paixão do Senhor

Jesus entra em Jerusalém como o Messias esperado, um rei humilde e pacífico, realizando plenamente a profecia de Zacarias. As multidões expressam a esperança de salvação aclamando: Hosana ao Filho de Davi!. Os discípulos são chamados a fazer o que Jesus mandou, doando a vida por amor. Jesus põe-se à mesa para cear com seus discípulos, prefigurando o dom de sua vida, que sela a nova aliança. Após a ceia, ele vai ao Monte das Oliveiras e entrega-se confiante nas mãos do Pai. Ao longo de seu ministério, Jesus foi tentado a trilhar um caminho diferente, mas manteve-se fiel ao projeto divino de salvação. Na morte de Jesus, a cortina que separava o Santo do Santíssimo, aberta somente no dia do Grande Perdão, rasga-se completamente. A abertura simboliza a aliança de amor e perdão que Deus estabelece com todos os povos. O centurião representa os que acolhem o dom da salvação e professam a fé em Jesus. As mulheres discípulas, que haviam seguido Jesus desde a Galileia, prestando-lhe serviços, acompanham o Mestre até a cruz.

Na 1ª leitura, o Servo é um perfeito discípulo, pois mantém os ouvidos atentos para ouvir a instrução do Senhor e permanecer fiel à sua missão profética. A certeza de contar com Deus, como aliado, fortalece o Servo em meio às provações e perseguições.

A 2ª leitura é um hino litúrgico que apresenta Cristo como modelo da vida cristã. O texto enaltece a atitude de despojamento de Jesus por nós e sua exaltação.

Retirado da Revista de Liturgia

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Páscoa de Jesus: a última chance

Até parece título de filme, não é verdade? Mas é a expressão de uma realidade da nossa fé. Nós já tivemos uma oportunidade extraordinária de sermos pessoas realizadas e plenamente felizes. Porém, desperdiçamos esta chance. Fizemos o projeto de Deus fracassar.

Deus nos criou em estado de graça. Mergulhados em um universo muito perfeito de comunhão e bem estar, direcionados para a conquista de nossa felicidade. Vamos relembrar com mais detalhes inspirando-nos na narrativa do livro do Gênesis. Deus coloca o homem no jardim do paraíso. “O Senhor Deus plantou um jardim em Éden e pôs ali o homem que havia formado” (Gn1, 8). Em perfeita união com ele, pois não era um jardim separado do seu, de Deus.

Era o mesmo, ou seja, o homem tinha contato amigo e constante com seu criador. O modo poético como é feita a narrativa, me faz vir à mente a figura de Deus descontraído e à vontade andando no paraíso com sua criatura. “Quando ouviram o ruído dos passos do Senhor Deus, que todas as tardes passeava pelo jardim à brisa da tarde...” (Gn 3,8).

Harmoniosa também era a relação das pessoas entre si. O ser humano foi feito um para o outro. Somos tirados do coração do outro, ou, como diz o texto, da costela do outro. “E o homem exclamou: desta vez sim é osso de meus ossos e carne de minha carne” (Gn 2,23).

“E Deus viu tudo que havia feito e era muito bom” (Gn 1,31). Parafraseando, podemos dizer: e foi a primeira chance. Perdida. O casal não corresponde. Desconfia de Deus dando ouvidos à tentação. Rompe com Deus. Instala-se o desentendimento e a violência entre si. Acontece o primeiro fratricídio. Caim mata Abel. A natureza se revolta. “Amaldiçoado será o solo por tua causa. Comerás o pão com suor de teu rosto. Ele produzirá para ti espinhos e erva daninha” (Gn 3,18). Mas o amor de Deus é insistente; Deus não desiste: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho para resgatar os que estavam sob a lei” (Gl 4, 4-5).

E a noticia se espalhou: “Não temais! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um salvador” (Lc 2,11). Sua missão foi anunciar a misericórdia de Deus e o convite à conversão. Com sua palavra forte e poderosa, denunciar nossos erros e trazer de volta o Reino, o acesso ao paraíso novamente. A paz com Deus, com os irmãos e com a criação. Mas isto lhe custou o dom de sua própria vida. Selou e assinou com seu sangue uma nova aliança. “Este é o cálice do meu sangue; o sangue da nova aliança que será derramado por vós”.

Esta foi uma vida bem sucedida. Por isso Deus o exaltou e o ressuscitou dos mortos; e lhe deu um nome diante do qual todo joelho se dobre, no céu e na terra (Cf. Fl 2,9). O mistério da Ressurreição de Jesus é algo fascinante. Por sua entrega amorosa à morte e “morte de cruz” é conduzido ao estado de vida definitivo, pra sempre, transfigurado e vitorioso.

Isto me faz lembrar uma crônica que vale a pena mencioná-la. Fazia referência a um cemitério de Londres no qual não há túmulos cobertos de lajes e pedras, mas sim, com vegetação e lírios brancos. Um visitante foi surpreendido por uma leve chuva e se abrigou sob a marquise de uma capela. Enquanto esperava a chuva passar, contemplava a bonita paisagem e dizia interiormente: “que magnífico! Parece que os mortos florescem. Como pode: de restos mortais e ossos em decomposição surgir pureza e perfume!”.

O que na mente deste visitante é mais um devaneio poético, para a Fé cristã é a pura realidade. Da humanidade caída e afetada pela corrupção da morte Cristo faz surgir o homem livre e novo. “Pois, se pelo pecado de um só toda a multidão da humanidade foi ferida de morte, muito mais copiosamente se derramou sobre a mesma multidão, a graça de Deus” (Rom 5,15).

O que me empolga também nas conseqüências desse derramamento de vida ressuscitada e ressuscitante é que a maravilha não se restringe apenas ao nosso corpo, mas transfigura nossa vida na carne. Como Deus poderia descartar tanto esforço e conquistas do ser humano que estão ligados à nossa corporeidade e realizados cumprindo a ordem dele quando ordenou: crescei, multiplicai-vos e dominai a terra?

Somos mergulhados neste mistério da Páscoa de Jesus, na sua passagem da morte para a vida. Saímos do velho mundo do pecado para entrarmos novamente no mundo da graça. Em Cristo os mortos florescem. É a segunda chance.

Monsenhor Antonio de Pádua Almeida
Retirado do Site da Arquidiocese de Maringá

segunda-feira, 28 de março de 2011

Propósito da semana: Faça jejum

Nesta edição do programa 'Propósito', o missionário Alexandre de Oliveira o convida a fazer o jejum, outra prática propícia na Quaresma.
Pelo jejum nos recordamos de que "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus" (cf. Mt 4,4). "Muitas pessoas torcem o nariz quando falamos de jejum, mas essa prática é a oração mais sincera que existe. Jejum não é para passar fome; é para nos disciplinar", explicou o consagrado.
Ao jejuar, o cristão deve concentrar-se não somente na abstenção de alimentos ou de bebidas, como também no significado mais profundo dessa iniciativa. Essa prática tem como finalidade nos levar a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de "atitude consumista", característica da nossa civilização. Há dois dias no ano em que a Igreja recomenda aos católicos que jejuem: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira da Paixão.
Assista ao programa:




Sobre o programa
Propósito significa “intenção original”, ou seja, Deus, quando nos criou, o fez com uma razão original. Há um desígnio de Deus Pai a nosso respeito, o qual não mudará de forma alguma, pois essa vontade está na origem de tudo. O próprio Senhor afirma que esse propósito divino é o que irá prevalecer em nossa vida.
Agora, se o próprio Deus tem Seu propósito, quem somos nós para não termos um também? Ter um objetivo de vida é importante e necessário. Contudo, é essencial que esse projeto de vida esteja em conformidade com o propósito do Senhor.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Tempo de tornar-se cristão

Quaresma é o momento forte para a administração dos sacramentos

Na Tradição da Igreja o tempo quaresmal é o momento forte para a administração dos sacramentos, o tempo de acolher novos filhos para a Igreja.


O processo de transformação não é possível ser realizado em breve momento, mas por um caminho de conversão que deve percorrer passo a passo. Com a convicção de que este caminho de renovação não acontece de uma só vez, mas abrange toda a vida do homem em um processo contínuo de ano após ano e o deve percorrer sempre. 



A Quaresma quer conservar presente esse processo que, para se chegar a Deus, é preciso passar por um processo sempre novo de transformação e mudança de vida. Assim, a palavra mais forte que nos acompanha neste tempo quaresmal é uma busca sincera de conversão, a metanoia, que reorienta todo o nosso ser em direção a Deus.




Assista ao vídeo com Denis Duarte e saiba mais sobre a quaresma




Nesse sentido a Igreja abraça o tempo quaresmal como o tempo de purificação, de tornar-se cristão, a oportunidade do homem voltar-se do mau caminho em direção a Deus, como o próprio Senhor afirma em Sua Palavra: "Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas que mude de conduta" (Ez 33, 11). Mas é preciso tomar consciência que o se tornar cristão é um processo diário, de ir a Cristo, renunciar a si mesmo, tomar sua cruz e seguir-Lo (cf. Mc 8, 34). 


Por isso, esse tempo é marcado pelo jejum, abstinência e esmola, para lutarmos contra as tentações, unindo-nos a Cristo, que enfrentou a tentação no deserto durante quarenta dias. Um tempo realmente favorável para abandonar o "homem velho" e nascer um "homem novo".

O próprio Cristo precisou passar pelo deserto, deixando-se ser tentado pelo diabo para mostrar que n'Ele fomos tentados e n'Ele vencemos o demônio. Ninguém pode vencer sem ter combatido; nem combater se não tiver inimigo e tentações.


Por isso, o apelo da Igreja ao jejum, pois, é por meio dele que nos libertamos de nós mesmos, nos libertamos para Deus, tornando-nos livres para os outros e para a oração e do domínio das paixões desordenadas. 



No prefácio da Quaresma, a Igreja usa a expressão: Jejunio mentem elevas – que significa "Pelo jejum elevais os vossos sentimentos". Os quarenta dias que a Igreja nos proporciona, por intermédio da renúncia, para que encontremos uma vida nova.


Padre Reinaldo Cazumbá da Silva
Missionário da Comunidade Canção Nova