"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

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terça-feira, 5 de julho de 2011

O espírito da aliança matrimonial

Amar é viver centrado no 'tu' e não no 'eu'

Doar-se: A aliança matrimonial é uma entrega, uma doação. Não é pedir em primeiro lugar, senão dar-se. E este é o primeiro sentido da aliança matrimonial: eu me doo como marido, como esposa e recebo como resposta a doação de meu cônjuge. Em relação com a Virgem Maria é uma entrega filial; na vida matrimonial é uma entrega esponsalícia. Essa entrega esponsalícia é uma superação radical do egoísmo.

Amar é viver centrado no TU e não no EU. Se um diz: "Eu te quero", pode significar duas coisas distintas. Se há verdadeiro amor significa: "Eu te quero para fazer-te feliz", do contrário significa: "Eu te quero para que me faças feliz".

Amar com autenticidade não é renunciar à própria felicidade, mas descobrir que minha felicidade maior é viver para fazer feliz ao outro. É a felicidade de Deus: Deus é feliz porque está sempre se doando às outras pessoas da Santíssima Trindade e a nós.
E o homem está chamado a encontrar uma felicidade semelhante à de Deus, que é a felicidade de se doar e se regalar aos demais.

Amar é estar sempre para o tu, só para o tu. Pertencer-se (consagrar-se).

A aliança matrimonial nos pede uma entrega total, não uma entrega parcial. É uma entrega de todo seu ser e para sempre.
E este espírito deve animar-nos matrimonialmente: uma entrega total e permanente. Isso cria em nós uma consciência de pertencer e de consagração. Nossa vida está consagrada a alguém e desde esse momento já não pode haver solidão. Essa consciência de consagração, de que eu não me pertenço, mas que pertenço à outra pessoa, isso é o que nos pede nossa aliança matrimonial: pertenço ao cônjuge, agora e para sempre.

Não somente queremos caminhar juntos, compartilhar toda a vida, fazer-nos responsáveis um pelo outro, mas existe também um direito mútuo. O outro tem direito a meu amor, meu apoio, meu tempo, tem direito a que eu lute para alcançar sua realização pessoal, sua felicidade, sua santidade.

Essa consciência de consagração, que nos dá a aliança matrimonial, deveria ser tão forte como a que tem um sacerdote ou uma religiosa que se consagraram a Deus. E assim como o sacerdote ou a pessoa consagrada usa um distintivo externo - um hábito, uma cruz - que lembra esse caráter de pertencer a alguém, da mesma forma também os esposos têm esse distintivo.

Este é o sentido de nosso anel de casamento, nosso anel matrimonial, nossa "aliança". Não é um adorno, senão o símbolo de uma consagração, de pertencer. A pessoa que usa a aliança dá a conhecer seu caráter de comprometido, de aliado, não só diante do cônjuge, mas também diante dos demais. Que importantes são os símbolos e que grande significado tem este anel: recorda-nos o amor, a presença, a fidelidade do cônjuge em cada circunstância.

E o que se renova volta a reviver. Daí a importância de renovar com frequência nossa aliança de amor matrimonial. Há matrimônios que fazem isso todos os meses.

Padre Nicolás Schwizer
Shoenstatt mov.apostólico

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A felicidade mora no lar


A maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família

"Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, no seio de minha família" (Tomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos da América).

A maior alegria é colhida na família, a cada dia. A realidade que mais nos aproxima da ideia do paraíso é o nosso lar. Um homem não pode deixar ao mundo uma herança melhor do que uma família bem criada.

Alguém disse que o mundo oferece aos homens e aos pássaros mil lugares para pousar, mas apenas um ninho. Um homem que não for feliz no lar, dificilmente o será em outro lugar.

Até quando nos deixaremos enganar querendo ir buscar a felicidade tão longe, se ela está bem junto de nós? A família é o complemento de nós mesmos. Ela é a base da sociedade. Nela somos indivíduos reconhecidos e amados e não apenas um número, um RG, um CPF.

É no seio da família que cada pessoa faz a experiência própria do que seja amar e ser amado; sem o que jamais será feliz. Quando a família se destrói, a sociedade toda corre sério risco; é por isso que temos hoje tantos jovens delinquentes envolvidos nas drogas, na bebida e na violência. Muitos estão no mundo do crime porque não tiveram um lar.

Sem dúvida, a maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família. As separações arrasam os casamentos e, consequentemente as famílias. Os filhos pagam o preço da separação dos pais; e eles mesmos sofrem com isso. Quando as famílias eram bem constituídas não eram tantos os jovens envolvidos com drogas, com a violência e com a depressão.

Mais do que nunca o mundo precisa de homens e mulheres dispostos a constituir famílias sólidas, edificadas pelo matrimônio, nas quais os esposos vivam a fidelidade conjugal e se dediquem de corpo e alma ao bem dos filhos. E é isso que dá felicidade ao homem e à mulher.

Infelizmente, uma mentalidade consumista, egoísta e comodista toma conta do mundo e das pessoas cada vez mais, impedindo-as de terem filhos e famílias sólidas.

A felicidade do lar está também no relacionamento saudável, fiel e amoroso dos esposos. Sem fidelidade conjugal a família não se sustenta. Essa fidelidade tem um alto preço de renúncia às tentações do mundo, mas produz a verdadeira felicidade. Marido e mulher precisam se amar de verdade e viver um para o outro, totalmente, sem se darem ao direito da menor aventura fora do lar. Isso seria traição ao outro, aos filhos e a Deus.

A felicidade tem um preço; e na família temos de pagar o preço da renúncia ao que é proibido. Não se permita a menor intimidade com outra pessoa que não seja o seu esposo ou sua esposa. Não brinque com fogo!

A grande ameaça à família hoje é a infidelidade conjugal; muitos maridos, e também esposas, traem os seus cônjuges e trazem para dentro do lar a infelicidade própria e a dos filhos. Saiba que isso não compensa jamais; não destrua em pouco tempo aquilo que foi construído em anos de luta. Se você destruir a sua família estará destruindo a sua felicidade.

Marido e mulher precisam viver um para o outro e ambos para os filhos. A felicidade do casal pode ser muito grande, mas isso depende de que ambos vivam a promessa do amor conjugal. Amar é construir o outro; é ajudá-lo a crescer; é ajudá-lo a vencer os seus problemas. Amar é construir alguém querido com o preço da própria renúncia. Quem não está disposto a esse sacrifício nunca saberá o que é a felicidade de um lar.


Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Fonte: Portal da Comunidade Católica Canção Nova

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Não nos percamos pelas coisas insignificantes


“As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde…” (Dostoiévski)
Essa afirmação pertence ao grande escritor russo Fiódor Dostoiévski em uma de suas mais belas obras: “Crime e Castigo”. São palavras do protagonista do livro, um jovem estudante de nome Raskólnikov, que comete um homicídio e encontra a redenção pelo crime cometido por meio de sua amizade com uma prostituta, que lhe apresenta, no Evangelho, a narrativa da Ressurreição de Lázaro.
Essa frase foi dita pelo estudante no momento em que repensava e ensaiava cada passo que daria ao cometer o crime. Ele pensou exaustivamente cada pormenor e não queria deixar nenhum detalhe de fora, pois para ele: “As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde…”
Ao ler “Crime e Castigo” essa frase me chamou muito a atenção, e ao trazê-la para diversas circunstâncias da vida, ela faz muito sentido e pode ajudar-nos a refletir e a vivermos melhor.
Quando pensamos nos grandes problemas e dificuldades que enfrentamos, logo tentamos buscar a causa dessas situações. Buscamos na memória o que fizemos para que tal mal acontecesse.
Nessa hora, geralmente, nos esquecemos de que as situações difíceis na nossa vida quase sempre são frutos das pequenas circunstâncias. Por exemplo: Um casal não se separa por causa de uma briga, mas por problemas não resolvidos no dia-a-dia, os quais vão se acumulando e se tornando grandes. Da mesma forma, um jovem não se vicia do dia para a noite, mas começa com um “baseado” hoje e vai aumentando a dose e usando drogas mais fortes gradativamente. Assim como, uma pessoa não se torna cheia de dívidas de repente, ela faz empréstimos para dívidas pequenas e, antes de quitá-las, continua comprando e comprando…
Essa é uma lei bíblica e da natureza: o que plantamos hoje, colhemos amanhã. E não nos esqueçamos de que toda semente é pequenina, mas a árvore pode alcançar grandes proporções. Jesus nos ensinou como cuidarmos para que não nos percamos pelas coisas que hoje são insignificantes, e que se tornarão grandes no futuro próximo: “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta seu cuidado(Mt 6,34).
Essa é uma regra de ouro para quem quer ter qualidade de vida e, além disso, colher boas coisas no futuro: viver um dia de cada vez e, ao fazer isso, viver intensamente o dia, cuidando das pequenas coisas cotidianas para que por elas não nos percamos, mas sim, alcancemos boas e grandes conseqüências.
Traduzindo na prática as palavras de Jesus: que os casais passem mais tempo um com o outro; que os pais se dediquem mais aos seus filhos; que os jovens pensem melhor nas suas pequenas escolhas; que o profissional execute bem o seu trabalho diário… Para que, nas tarefas e funções de cada dia, redescubramos o valor do que somos e temos, em especial das nossas relações humanas e, dessa maneira, possamos inverter a afirmação de Dostoiévsky a nosso favor, pois assim: As coisas mais insignificantes têm às vezes maior importância e é geralmente por elas que a gente se SALVA…
Denis Duarte
Esse texto foi escrito em Dicas sob as tags: , , .

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Até que a morte nos separe

Não existe casamento perfeito, casamento é feito de lutas.



Fonte: Podcasts Canção Nova

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casar-se para quê?

Interessante constatar que em raras situações de nossa vida temos a ajuda incondicional de alguém para atingir objetivos comuns desejados. A vida conjugal exige que ambos estejam sempre abertos a viver a graça do sacramento com a participação integral do outro. Entretanto, muitas pessoas relatam experiências negativas a respeito do casamento e culpam-se uns aos outros… Mas, se o sucesso do casamento depende do esforço de ambos, para o insucesso, certamente, a recíproca também é verdadeira, isto é, ambos foram desatentos em questões relevantes no casamento.


Podcast


Se depender dessas pessoas, o conselho para aqueles que têm intenção de se casar seria de fugir para o lugar mais distante que pudesse encontrar. Desculpas e justificativas para se viver o concubinato são várias, desde a falta de condições financeiras para se fazer uma festa até o medo de dividir os bens que possuem. Algumas pessoas preferem, muitas vezes, morar juntas ao invés de oficializar o compromisso com o outro. Outras até acham que se vier a se casar poderá não dar certo o convívio como no concubinato – morar junto.

Casais, que já celebraram bodas de ouro em seus matrimônios, testemunham que, apesar de viverem tanto tempo juntos, sempre se surpreendem com um novo comportamento a respeito do cônjuge diante de uma situação inusitada. Um exemplo é quando a calma costumeira do marido ou da mulher evapora-se porque aquilo que se pretendia fazer não teve o resultado esperado. Outro exemplo acontece quando um dos cônjuges passa a ser mais ranzinza com o decorrer dos anos ou ainda quando a esposa implica com a posição da tampa do vaso sanitário (dependendo da esposa ainda deseja que o vaso esteja sempre tampado) etc. Essas são particularidades do convívio que vão se despontando e certamente serão mais um novo processo de adaptação para ambos, na tentativa de restabelecer a harmonia. A disposição para tal flexibilização será tão duradoura quanto o tempo de vida de um dos cônjuges.

Não existe coisa pior para alguém do que se sentir infeliz no casamento.

A perfeição no casamento vai sendo conquistada pelo casal – que nas suas diferenças – busca aperfeiçoar-se por causa do outro. As diferenças que o marido encontra na personalidade da esposa poderão ser os meios de crescimento para ele.
As vezes, o fato de a mulher ser mais calma em tomar decisões poderá ser o meio para o marido aprender a desenvolver a prudência nos atos e vice-versa. Dessa maneira, algumas dificuldades serão facilmente contornadas, outras exigirão um pouco mais de esforço para se adequar às novas surpresas da vida conjugal.
Assim, os impasses conjugais nos convidam sempre a rever os motivos que nos fizeram optar pelo casamento. Recordar esses momentos não significa buscar motivos para desistir do compromisso assumido ao perceber, por exemplo que por tantos anos fulano ainda não aprendeu a levantar a tampa do vaso sanitário, mas para recobrar, sobretudo, os momentos difíceis que a presença e a ajuda do outro foram fundamentais no apoio para que juntos superassem os problemas.

Talvez o maior desafio – que poderá se tornar intransponível na vida conjugal – seja a dificuldade em não admitir a necessidade de mudança de hábitos para alcançar o sucesso do relacionamento.

Deus abençoe, coragem!

Dado Moura

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Fonte: Blog Dado Moura

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A vontade de Deus para os esposos


Se o casal não for unido, o lar não será feliz

A família começa no matrimônio; por isso a Igreja exige do casal de noivos – no altar – um juramento de fidelidade até a morte, sem a qual a família não tem sustentação. A infidelidade conjugal é a grande praga de nossos dias que vai corroendo os lares.

Para fazer a vontade de Deus, a esposa deve ser fiel em tudo a seu esposo; viver para ele e para seus filhos; nunca desejar outro homem e jamais ter intimidades com outro. Hoje vemos alguns casamentos chegarem ao fim por causa de mulheres que conhecem outros homens pela internet e acabam se apaixonando por eles. Para a mulher casada só deve existir um homem a quem possa desejar: o seu esposo. Qualquer sentimento e desejo por outro é traição e infidelidade conjugal.

Da mesma forma para o marido; não pode existir outra mulher em seus desejos a não ser a sua esposa. São Paulo já falava claro sobre isso para ambos há dois mil anos.

"Considerando o perigo da incontinência, cada um tenha sua mulher, e cada mulher tenha seu marido. O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência" (I Cor 7,2-5).

Para fazer a vontade de Deus, marido e mulher devem buscar a cada dia chegar aonde Ele quer que todo casal chegue: "Sereis uma só carne" (cf. Gn 2, 24); isto é, serem unidos. Que nada os separe, que nada seja motivo de brigas: nem a moda, nem o dinheiro, nem os bens, nem os parentes, nem a religião, nem os programas e passeios. Nada! Que tudo seja combinado sem brigas e sem egoísmos, pois um casal egoísta é como duas bolas de bilhar: só se encontram para se chocarem e se separarem.

Como diz a música do padre Zezinho:

"Que nenhuma família comece em qualquer de repente

Que nenhuma família termine por falta de amor

Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente

Que a família comece e termine sabendo aonde vai

E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai

Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor

E que os filhos conheçam a força que brota do amor.

Que marido e mulher tenham força de amar sem medida

Que ninguém vá dormir sem pedir e sem dar seu perdão

Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida

Que a família celebre a partilha do abraço e do pão.

Que marido e mulher não se traiam nem traiam os seus filhos".

Se o casal não for unido, se não viver o amor de Deus, como Jesus ensinou e como São Paulo também ensina na Carta aos Coríntios (cf. I Cor 13), o lar não será feliz, não haverá paz para os filhos, e o desenvolvimento destes não será harmonioso. Muitos filhos não gostam do próprio lar porque nele não há paz e amor. Como um jovem desse pode ser feliz?

O casal só viverá bem se cada um tiver Deus no coração; pois é a Sua graça que mata em nós "a erva daninha" do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da arrogância, da prepotência, da autossuficiência, do amor-próprio, da ganância, da ira, da inveja, preguiça, maledicência, infidelidade, etc., e tudo o mais que destrói os casamentos.

É o amor de Deus e a Sua graça que darão ao casal a força da fé e da esperança nas horas difíceis, a coragem nos grandes desafios da caminhada conjugal. Sem Deus Pai o casal não terá bom diálogo, paciência, tolerância com os erros do outro, carinho a ser dado e resistência contra os embates da vida.

São Pedro tem palavras de exortação aos esposos:

"Vós, também, ó mulheres, sede submissas aos vossos maridos. Se alguns não obedecem à palavra, serão conquistados, mesmo sem a palavra da pregação, pelo simples procedimento de suas mulheres, ao observarem vossa vida casta e reservada... tende aquele ornato interior e oculto do coração, a pureza incorruptível de um espírito suave e pacífico, o que é tão precioso aos olhos de Deus... Do mesmo modo vós, ó maridos, comportai-vos sabiamente no vosso convívio com as vossas mulheres, pois são de um sexo mais fraco... Tratai-as com todo respeito para que nada se oponha às vossas orações" (I Pe 1, 1-7).

No casamento, o casal deve realizar a vontade do Altíssimo vivendo o mandamento:

"Deus os abençoou: 'Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a" (Gn 1, 28).

É vontade de Deus que o casal cresça na convivência mútua; e o fermento desse crescimento é o amor, a renúncia, a abnegação, sabendo cada um dizer "não" a si mesmo para dizer "sim" ao outro. Por outro lado, a missão do casamento é gerar os filhos de Deus; os futuros cidadãos do céu; por isso, um controle de natalidade baseado no egoísmo, no comodismo ou no medo deve ser evitado.

A Igreja ensina aos casais que os filhos são uma bênção de Deus; o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que: "A fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende a ser fecundo. O filho não vem de fora acrescentar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização. A Igreja 'está ao lado da vida', e ensina que qualquer ato matrimonial deve estar aberto à transmissão da vida" (CIC § 2366 ).

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com


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Fonte: Portal da Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Ele é o melhor do mundo"


Você tem valorizado quem está do seu lado?

Era a festa do batizado do Lucas, filho de minha prima. Estava lá um quarto da minha família. Família grande é assim, nunca se encontra... Espera aí, minto, só se encontra toda em enterro. Quando morre alguém, encontramos todo mundo. Não sei nem como esse povo fica sabendo que morreu alguém, mas acredito que a dor e o sofrimento causam, em nós, esse efeito de solidariedade. Quando é festa, aí faltam alguns! Nesse batizado faltaram muitos, inclusive eu, porque já estava na Canção Nova e não tinha como estar lá.

O certo é que, depois do batizado, aconteceu a nossa festa familiar "básica": churrasquinho, bate-papo e muita música. E música, lá em casa, só se usa o aparelho de som se não houver outra opção. O povo gosta mesmo é de tocar e cantar. A família tem raízes... o seu Zeca, meu tio que tocava na "Orquestra de Guedes Peixoto"; o Jatson, filho dele, excelente flautista; Jú, Pitato e Toinho (sax, trompete e clarinete); tia "Carminha" e tio "Lula" (excelentes violonistas) e eu, que também levo um jeitinho na viola. Ah, e a turma da percussão... aí varia um pouquinho. Tia Edjane, ex-cantora do TV Jornal e "mainha", que tem uma bela voz.

Porém, nesse dia, nenhum de nós estava lá. E a festa já estava se encaminhando para um enfadado "sonzinho" com CD, quando, do nada, a campainha tocou. Era "Seu Carneirinho".

Para quem não conheceu (provavelmente você), "Seu Carneirinho" era o um senhor que tocou por muitos anos no "Regional de Choro" da antiga Rádio Jornal nos anos 20 ou 30. Mas que, naquele momento, tocava na Igreja, animando a missa de sábado. Como ele era das antigas, tinha uma grande dificuldade de tocar ritmos que passassem da década de 50, como rock, balada, forró, frevo, reggae - essas coisas nas mãos de seu Carneirinho eram um verdadeiro desastre -, mas quando as músicas tendiam para "as antigas" (chorinho, samba-canção, valsas), ele se "espalhava". Era uma coisa sublime!

Tão logo ele chegou, já pegou o violão e começou a tocar. O grande problema é que o povo era jovem, e queria baladas, rock, pop... Então, o que se viu foi um verdadeiro desastre. O povo foi ficando nervoso porque o som estava horrível! Mas, de repente, tio Dodô saiu com essa pérola: "Vamos agora aplaudir 'Seu Carneirinho', o melhor violonista do mundo!".

As palmas foram pouquíssimas e fracas, porém meu tio não desanimou. A cada música ele tornava a gritar: "Palmas para 'Seu Carneirinho', o melhor violonista do mundo!

O povo ficava sem jeito, mas aplaudia.

E meu tio repetia: "Viva, o melhor violonista do mundo!"

Pois bem. Assim se passou boa parte da festa. "Seu Carneirinho" tocava, meu tio gritava e o povo aplaudia meio sem vontade.

Certa hora, "Seu Carneirinho" resolveu ir ao banheiro. Tão logo a porta se fechou, o comentário foi geral (dialeto pernambucano):

- Oxe Dodô! Tu tá doido é? Conversa é essa? - Indagou minha Tia.

- Melhor do mundo... Quem já viu! - Disse Carolina.

- Esse "véio" sabe tocar violão não... - Falou Catinha...

- Com tanta gente boa no violão (Carminha, Lula, Cadú...), Dodô agora vem dizer que "Seu Carneirinho" é bom... - Mais uma opinião.

Mas meu tio serenamente perguntou a todos: "Carminha está aqui? Não. Luis está aqui? Não. Cadú está aqui? Não. Quem está animando a festa? "Seu Carneirinho". Então ele é o melhor do mundo, porque veio animar a nossa festa! Precisamos ajudar. De que adianta ficar elogiando quem não está aqui?

Depois que "Seu Carneirinho" voltou, a festa ficou muito mais animada!

Engraçado como nós fazemos isso sem nos dar conta. Deixamos de elogiar o que temos para elogiar aquilo que não temos; preferimos as coisas dos outros.

Deixamos de elogiar quem está perto de nós, para elogiarmos quem está longe. E quando quem está longe, fica perto, deixamos de elogiá-lo para elogiar outros.

Eu também tenho um pouco dessas coisas. Mas depois que soube dessa história familiar, aprendi com meu tio que se não valorizarmos aquilo que temos hoje, certamente não valorizaremos nada na vida!

O meu amigo Eto diz que quem engorda o porco é o "zóio" do dono!

Você tem valorizado quem está do seu lado? Quando elogiamos alguém, muitas vezes, esse alguém se supera por se sentir apoiado. Pense nisso! É o que o Padre Jonas procura ensinar a todos nós da Canção Nova. Ser positivo, investir no irmão e nunca desanimar.

Somos muito imediatistas, queremos que tudo dê certo na primeira tentativa. Isso é natural. O problema é que somos humanos, temos fraquezas, erramos, deparamo-nos com nossas limitações e, às vezes, não conseguimos sucesso nas nossas tarefas.

E se fazemos isso com nós mesmos, fazemos pior com nossos irmãos. Somos superexigentes com os outros. Queremos que eles acertem de primeira, façam sempre bem feito; mas não é assim que devemos proceder. Quem está do nosso lado sempre poderá vir a ser uma potência. Depende do mestre que ele vai ter.

Nós somos mestres uns dos outros. Ensinamos e somos ensinados diariamente, por isso precisamos aprender a lidar com o tropeço e a limitação deles. Com aquilo que o outro não consegue fazer bem feito ainda...

Os grandes inventores, os grandes artistas, músicos e cientistas não acertaram tudo na primeira tentativa. Erraram muitas vezes e foram aprendendo com os erros. Agora, imagine se ao seu lado estivessem pessoas dizendo: "Você ainda é um amador. Nunca vai conseguir". Ou então: "Muda de profissão. Você não leva jeito pra isso!"

Uma vez conversando com "Seu Carneirinho", dentro do famoso conjunto "Praia do Janga", ele me dizia que, às vezes, sentia-se assim meio jogado de lado só pelo fato de não saber os tais "ritmos modernos" (como ele costumava dizer). Mas ao mesmo tempo, ele dizia que se sentia bem em chegar em um lugar que estava sem vida, puxar o seu violão, tocar alguma música e ver o ambiente ganhar vida, ficar alegre. Como não valorizar alguém assim?

Às vezes, eu via, na missa da paróquia onde eu morava, tantos bons violonistas e músicos desaprovando o estilo do meu amigo. Mas onde estão os bons violonistas? Sentados julgando o outro, ao invés de se colocarem a serviço da Igreja.

Devo dizer que muito do que eu aprendi a respeito do bom e velho violão, devo a "Seu Carneirinho". Hoje, como missionário da Comunidade Canção Nova, percebo que o dom que Deus nos dá deve sempre ser colocado a serviço de alguém. E isso "Seu Carneirinho" sabia fazer, colocar-se a serviço dos outros.

Dedico o texto de hoje a ele. Que lá no céu ele esteja tocando seu violão de sete cordas e animando os anjinhos com seus boleros e valsas. ("Seu Carneirinho" faleceu com câncer. Que Deus o tenha!).

Cadú
cadu@cancaonova.com

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Fonte: Blog Dominus Vobiscum

O valor do matrimônio


Um filho que nasce não deveria ser uma fatalidade

A palavra "sexo" deveria nos fazer pensar imediatamente no leito matrimonial. Mas, infelizmente, não é assim. Logo, se quisermos compreender a sexualidade como foi criada por Deus, devemos passar por uma verdadeira metanóia, uma conversao, uma mudança de mentalidade.

Santo Agostinho, neste processo de transformação do coração, vem em nosso auxílio com seu ensinamento e o seu exemplo. Longe do puritanismo dos hereges, o Doutor de Hipona aceita plena e humildemente o Criador e compreende que é seu dever de cristão considerar Suas obras boas. É com este olhar humilde que ele contempla a realidade do matrimônio e descobre nela um tríplice valor. Trata-se das três bondades (tria bona) do matrimônio.

Esta bondade é dividida em três partes: a fé, a prole, o sacramento. Na [parte da] fé toma cuidado para que, fora do vínculo do casal, não tenham relações com outra ou com outro. Na prole, para que os filhos sejam recebidos com amor, nutridos com bondade e educados religiosamente. No sacramento para que o enlace não se desfaça e o repudiado ou a repudiada se una a outra pessoa, nem mesmo por causa da prole. Esta é como que a regra do matrimônio, pela qual a fecundidade da natureza é ornada, ou a perversidade de incontinência é norteada.

Nota-se, deste modo, que o valor do matrimônio não se encontra apenas na procriação. Se o matrimônio fosse apenas para a procriação, poderíamos compará-lo com um viveiro ou um canteiro artificial onde a única finalidade das pobres plantinhas é "crescer e se multiplicar", aglomeradas naquele espaço acanhado. Se assim o fosse, o casamento seria um lugar asfixiante! Ao contrário, o matrimônio é um jardim. É neste ambiente airoso, onde brotam igualmente a flor e a erva daninha, que somos chamados a colher o fruto da vida. Um filho que nasce não deveria ser uma fatalidade, mas a celebração de uma vida que antes já existia: uma vida a dois, uma comunidade de vida e de amor que não pode ser rompida. Para expressar a união destas duas vidas, Santo Agostinho usou a palavra fides – fé, fidelidade matrimonial.

Ora, esta união é o pressuposto para que possam surgir os filhos (prolis). E a razão é evidente: um filho, que é para sempre, tem direito a ter um pai e uma mãe, para sempre.

E Santo Agostinho não para por aí. Todas as expressões de união física do casal (o contato sexual, a comunidade de vida, os filhos, a partilha dos bens etc.) seriam superficiais, se não fossem precedidas por uma união espiritual (sacramentum). No matrimônio, duas pessoas celebram uma aliança em Cristo Jesus que, selada pela graça do Espírito Santo, tem em vista o Reinado de Deus Pai.

Iluminados por este ensinamento, podemos perceber que quando a união sexual é vivida fora do seu contexto espiritual, o ser humano parece que é mutilado. Transformar o prazer sensível na única finalidade do sexo é perverter a relação do homem com Deus, consigo mesmo e com o seu próximo.

(Trecho do livro "Um olhar que cura - Terapia das doenças espirituais" – pag. 91,92,93).

Pe. Paulo Ricardo

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Fonte: Portal da Comunidade Católica Canção Nova