"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A luz do Natal


Vinde, Senhor Jesus! Assim repetimos na oração destes dias, predispondo o coração para saborear a alegria do nascimento do Redentor. A liturgia acompanha e apóia o nosso caminho interior com repetidos convites a acolher o Salvador, reconhecendo-o no humilde Menino que jaz numa manjedoura.

É este o mistério do Natal, que tantos símbolos nos ajudam a compreender melhor. Entre eles encontra-se o da luz, que é um dos mais ricos de significado espiritual, e sobre o qual gostaria de me deter brevemente. A festa do Natal coincide, no nosso hemisfério, com os dias do ano em que o sol termina a sua parábola descendente e começa a aumentar gradualmente o tempo de luz diurna, segundo o recorrente suceder-se das estações. Isto ajuda-nos a compreender melhor o tema da luz que antecipa as trevas. É um símbolo que recorda uma realidade que atinge o íntimo do homem: refiro-me à luz do bem que vence o mal, do amor que supera o ódio, da vida que derrota a morte. O Natal faz pensar nesta luz interior, na luz divina, que nos volta a propor o anúncio da vitória definitiva do amor de Deus sobre o pecado e a morte.

Ao prepararmo-nos para celebrar com alegria o nascimento do Salvador nas nossas famílias e nas nossas comunidades eclesiais, quando uma certa cultura moderna e consumista tende a fazer desaparecer os símbolos cristãos da celebração do Natal, seja compromisso de todos colher o valor das tradições do Natal, que fazem parte do patrimônio da nossa fé e da nossa cultura, para as transmitir às novas gerações. Em particular, ao ver estradas e praças das cidades enfeitadas com luzes resplandecentes, recordemos que estas luzes evocam outra luz, invisível aos olhos, mas não ao coração. Enquanto as admiramos, ao acendermos as velas nas igrejas ou a iluminação do presépio e da árvore de Natal nas casas, o nosso ânimo se abra à verdadeira luz espiritual trazida a todos os homens de boa vontade. O Deus conosco, nascido da Virgem Maria em Belém, é a Estrela da nossa vida!

"Ó Astro que surges, esplendor da luz eterna, Sol de justiça: vem, ilumina quem jaz nas trevas e na penumbra da morte". Fazendo nossa esta invocação da liturgia, peçamos ao Senhor que apresse a sua vinda gloriosa entre nós, entre todos os que sofrem, porque só nele as expectativas autênticas do coração humano podem ser satisfeitas. Este Astro de luz, que não conhece ocaso, nos comunique a força para seguir sempre o caminho da verdade, da justiça e do amor! Vivamos intensamente estes últimos dias que precedem o Natal, juntamente com Maria, a Virgem do silêncio e da escuta. Ela, que foi totalmente envolvida pela luz do Espírito Santo, nos ajude a compreender e a viver plenamente o mistério do Natal de Cristo.

Papa Bento XVI

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