"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Os sete dons do Espírito Santo: Ciência


Ciência

A ciência humana perscruta o universo e seus fenômenos, procurando as causas imediatas destes e concatenando-as entre si para ter uma explicação mais ou menos clara da realidade.

Ora o dom da ciência, embora não defina a natureza e as propriedades físicas ou químicas de cada criatura, faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de Deus, vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como aceno ao Supremo Bem.

Mais: o dom da ciência leva o homem a compreender, de um lado, o vestígio de Deus que há em cada ser criado, e, de outro lado, a exigüidade ou insuficiência de cada qual.

Vestígio de Deus... São Francisco de Assis soube ouvir e proclamar o canto das criaturas ao Senhor. As flores, as aves, a água, o fogo, o sol... tudo lhe era ocasião de contemplar e amar a Deus.

Exigüidade... Toda criatura, por mais bela que seja, é sempre limitada e insuficiente para o coração humano. Este foi feito para o Bem infinito e só neste pode repousar. Percebendo isto após uma vida leviana, muitos homens e mulheres se converterem radicalmente a Deus. Tal foi o caso de S. Francisco Borja (+ 1572), que ao contemplar o cadáver da rainha Isabel, exclamou: "Não voltarei a servir a um senhor que possa morrer!" Tal foi outrossim o caso de S. Silvestre (+ 1267)... Estes cometeram a "loucura" de tudo deixar a fim de possuir mais plenamente uma só coisa: o Reino de Deus ou a presença do próprio Deus.

O dom da ciência ensina também a reconhecer melhor o significado do sofrimento e das humilhações; estes “contra-valores”, no plano de Deus, têm o valor de escola que liberta e purifica o homem. Configuram o cristão a Jesus Cristo, concedendo-lhe um penhor de participação na glória do próprio Senhor Jesus. Se não fora o sofrimento, muitos e muitos homens não sairiam de sua estatura anã e mesquinha,... nunca atingiriam a plenitude do seu desenvolvimento espiritual.

São estes alguns dos frutos do dom da ciência.

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Fonte: Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Revista nº. 479, Ano 2002, Pág. 163.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A vocação da família

A Igreja Católica celebra no Brasil, nestes dias, a Semana Nacional da Família. A proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é, nestes dias, refletir sobre a importância desta que é uma das instituições responsáveis pelo crescimento do homem e sua elevação até Deus; aliás, uma das primeiras instituições, quando o Criador viu que o homem se encontrava só e deu-lhe uma companheira – de sua própria natureza – a mulher. Na seqüência da narrativa dos Livros Sagrados, vemos a constituição da primeira família, com todas as suas diferenças, limitações e busca contínua de um desenvolvimento mútuo, norteados pelos princípios que, no caminhar da humanidade, vão se tornando sempre mais nítidos, conformes à necessidade de cada tempo.


Observe-se que, desde em que foram delimitados o bem e o mal, existe uma forte tentativa de corromper tudo o que é divino. A serpente maligna, que no Éden seduziu aquela que se tornou mãe de todos os viventes, desde lá se arrasta pelo mundo sobre o seu ventre, alimentando-se do pó do qual o homem foi criado, disseminando a divisão e a confusão entre as pessoas. O alvo de seu desafeto é ainda o mesmo: o homem, por conseguinte, a família.

Por isso, a Igreja propõe estes dias em que, na meditação de um tema específico, à luz do Evangelho e do Magistério Eclesiástico, busca-se melhor discernimento dos problemas que afetam a família em nosso tempo, enquanto se definem os meios e os potenciais de cada membro dessa instituição que, juntos, trabalham-se numa caminhada em busca da satisfação em Nosso Senhor.

Mesmo parecendo uma sugestão quimérica, afetados por conceitos racionalistas em voga, a solução para os problemas da família estão, indiscutivelmente, nas Sagradas Escrituras e na Doutrina da Igreja, sob os quais deve estar, antes, toda jurisprudência pertinente aos casos que afetam direta e indiretamente a família.

Muito oportuno foi o tema da Semana Nacional da Família deste ano: “Escolhe, pois, a vida”. E sugiro, inclusive, que se faça a sugestiva leitura dos versículos 19 e 20 do capítulo 30 do Deuteronômio, de onde se tirou esta proposta – ainda dentro do espírito da Campanha da Fraternidade deste ano. “Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais”. Nesta reflexão deparamo-nos, então, com o livre arbítrio, a vocação e a missão do homem, no contexto desta comemoração à família.

O livre arbítrio é a escolha espontânea de cada um em fazer isso ou aquilo, é a opção pelo bem ou pelo mal. Decorrem-se daí, todavia, as conseqüências, pelas quais somos os responsáveis. E para ilustrar esta situação na realidade da família, temos inúmeros casos, situações diversas que a envolvem e, infelizmente, muitas delas temos sentido como uma busca fremente para desestruturá-la, como a facilidade com que se legalizam as dissoluções matrimoniais, a pressão científica sobre questões bioéticas, a liberação do aborto, a propagação do amor livre, a leviandade com que relativizam as fragilidades da natureza humana, querendo institucionalizá-las a todo custo, enquanto na verdade procuram oficializá-las como instituição, mesmo sendo impossível de se afirmar como um modo de vida, um meio de santificação, por sintetizarem tão somente a copulação do erotismo e o prazer; além de outros tantos fatores a corromperem a família. Entre estes destacam-se, ainda, os meios de comunicação, na maioria das vezes, invasores de nossas casas com todo o tipo de deformação das crianças e jovens, confundindo, também, os adultos menos esclarecidos.

Mas devemos estar atentos que, como nos ensina o Catecismo da Igreja, “não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado” (1733). A desordem gera a desobediência, a desobediência gera o pecado, o pecado clama o castigo. E a cada vez que nos deparamos com os mais horrendos episódios, em todas as áreas, indistintamente, na ciência e na política, na sociedade e na Igreja, nos povos e na família, é Deus permitindo que o homem coma do fruto que custou o seu suor, o fruto sazonado e o fruto apodrecido.

É quando nos deparamos com o sentido com que se nos apresenta a vocação, ou melhor, é a linguagem que traduz aos nossos sentidos o chamado de Deus. O primeiro chamado é à vida; somos vocacionados a viver neste mundo nutrindo-nos da sabedoria de Deus que nos concede os ensinamentos que, por seu amor, nos são ditados pela sua Palavra e pela Tradição. Temos, assim, um direcionamento para nossos atos, que terão primordial influência em nosso livre arbítrio, ressalta-se. Por isso, a escolha, primeiro, à vida.

O chamado específico a cada um é muito mais do que um sentir-se atraído. É, numa melhor expressão, como que uma imposição íntima que nos impele, diria até que seja um instinto, a fazer o bem e se entregar a um específico trabalho, com desprendimento, com dedicação, com a reta intenção de fazê-lo tão somente por amor de Deus e pelo próximo.

Entenderemos a vocação dos que se entregam à vida religiosa, contemplativa e de ação pastoral, que se dedica à comunidade e, principalmente, dos que têm vocação para a família, para se dedicar à formação desta que a primorosa Constituição Dogmática do Sacrossanto Concílio Vaticano II “Lumen Gentium” definiu como Igreja Doméstica, “na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Batismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada” (LG 11).

Exemplo – é uma palavra importante neste contexto. Os pais são o direcionamento seguro que os filhos devem ter. Em grande parte, os flagelos da família são conseqüentes de constituições matrimoniais imaturas ou, pior ainda, desajustadas. Aqueles que avançam no processo de conhecimento um do outro, o namoro, ou que resistem aos breves encontros de formação que nossas comunidades paroquiais promovem em preparação ao casamento, perdem uma oportunidade de se conhecerem melhor, a partir do aprofundamento de si mesmo, identificando suas virtudes e compreendendo suas limitações, para daí saber compartilhar sua vida, de maneira sadia, com outra pessoa, que deverá também conhecê-la bem em todos os aspectos. É o processo de formação. Se para se obter um grau de conhecimento depende de exaustivos estudos; se para alcançar um nível mais elevado de resistência física necessita-se de uma ingente dedicação e persistência; que se dirá da preparação para uma responsabilidade grandiosa, cujo componente primeiro deve ser o amor?

A vocação é fruto do amor de Deus por nós, que nos quer mais próximos dEle por meio de uma atividade que o engrandecerá, beneficiando quem foi feito à sua imagem e semelhança.

À vocação – ao chamado – sucede a missão. Somos chamados à vida e nossa missão é nos santificarmos no estado em que nos encontramos, seja na profissão religiosa, seja na opção pelo matrimônio, ou apenas pelo celibato, mas em cada uma destas temos os meios necessários e as exigências que devemos cumprir para nos santificarmos: “Sede santos, porque Eu sou santo” (Lev 11,44). A propósito, por ocasião da beatificação de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, João Paulo II destacou que “a santidade é a prova mais clara, mais convincente da vitalidade da Igreja, em todos os tempos e em todos os lugares” ( L´Osservatore Romano, n°44,3/1/91). Algum tempo depois, o saudoso Papa asseverou aos catequistas que “a santidade é a forma mais poderosa para levar Cristo aos corações dos homens” (idem, n°24, 14/06/92, pág, 22).

Muito oportuna esta colocação neste contexto, visto serem os pais os primeiros catequistas dos filhos. São eles quem deve encaminhá-los, primeiro, à Religião. Por isso podemos concluir que, se o mundo se entrega hoje a um renascimento do paganismo, é porque os pais foram omissos em sua missão de formar novos cristãos. Se há poucos santos no mundo, é porque existem poucas famílias santas. Se se proliferam famílias desestruturadas, é porque são frutos de casamentos que não se fundamentaram na formação cristã, na fé e na confiança em Deus. São Vicente dizia que “é possível restaurar as instituições com a santidade, e não, restaurar a santidade com as instituições”. Portanto, só teremos famílias santas se, antes, estas formarem santos que a santifiquem.

São estes, pois, os aspectos que desejamos nossos amados irmãos e irmãs, de nossa Arquidiocese de Juiz de Fora, meditassem ao longo deste mês de agosto. A vocação de cada um em consonância com a vocação de todos na Igreja na preservação e na defesa da vida. Para isso, é imprescindível a entrega à vontade de Deus, a disponibilidade para que a graça do Espírito de Amor infunda em cada um o ímpeto para desempenhar, com prontidão e ardor, a missão decorrente do chamado. Peçamos a intercessão de Nossa Senhora da Assunção e de São José, cuja casa de Nazaré será sempre o modelo primeiro para nossas famílias, onde o respeito, a prudência e a caridade devem reinar para que, no seio de nossas igrejas domésticas, a graça de Deus opere maravilhas e, impelidos pelo desejo de querer se entregar à expansão do Reinado de Cristo em nossas famílias.

DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO METROPOLITANO DE JUIZ DE FORA, MG.

Publicado no Portal A Catequese Católica

Os sete dons do Espírito Santo

Caríssimos,

A Igreja Católica dedica o mês de agosto aos vacacionados. E por intercessão do Espírito Santo, a reunião de ontem do Círculo Verde debateu os dons do Espírito Santo, casando com o propósito da igreja para o mês de agosto.

Canvidamos então os leitores do Blog do Círculo Verde a estudarem conosco os sete dons do Espírito Santo, e descobrirem o seu dom, sua vocação. A cada dia publicaremos um breve artigo de D. Estevão Bettencourt, extraído da Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”, da Editora Cleofas. Iniciamos hoje com uma explicação do que são os dons do Espírito Santo.

Forte abraço, e que Deus nos ilumine nesse estudo.

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OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Em síntese: Os dons do Espírito Santo são como “receptores” aptos a captar os impulsos do Espírito mediante os quais o cristão se encaminha para a perfeição em estilo novo ou com a eficácia que o próprio Deus lhe confere. Possibilitam ao cristão ter a intuição profunda do significado das verdades reveladas por Deus assim como de cada criatura. Proporcionam também tomadas de atitude que nem a razão natural nem as virtudes humanas, sujeitas sempre a hesitações e falhas, conseguiriam indicar ou efetivar.

Para ilustrar o que são os dons, pode-se recorrer à imagem de um barco que navega: se é movido a remos, avança lenta e penosamente, com grande esforço para os remadores. Caso, porém, estes desdobram as velas do barco para que capte o sopro dos ventos favoráveis, os remadores descansam e o barco progride em estilo novo segundo velocidade “sobre-humana”. - Ora o barco movido ao sopro do vento que bate contra as velas, é imagem do cristão impelido pelo Espírito, segundo medidas divinas, para a meta da sua santificação.

Os dons do Espírito Santo são sete, segundo a habitual recensão dos teólogos: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus. Para se beneficiar da ação do Espírito Santo, o cristão deve dispor-se de duas maneiras principais: a) cultivando o amor, pois é o amor que propicia afinidade com Deus e, por conseguinte, torna o cristão apto a ser movido pelo Espírito de Deus; b) procurando jamais dizer um Não consciente e voluntário às inspirações do Espírito. Quem se acostuma a viver assim, cresce mais velozmente na sua estatura definitiva e se configura mais fielmente ao Cristo Jesus.

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Em nossos dias a renovação da oração e da espiritualidade cristãs apela freqüentemente para a ação do Espírito Santo nos corações. Muitos fiéis se tornam conscientes de que “ninguém pode dizer “Jesus Cristo é o Senhor” senão sob a moção do Espírito Santo” (cf. 1Cor 12, 3), sabem cada vez mais que “todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus" (cf. Rm 8, 14). A consciência destas verdades vem despertando cada vez mais a atenção para a teologia espiritual. É, pois, oportuno procurarmos conhecer melhor as maneiras como o Espírito Santo age nos corações, descrevendo os seus dons e o significado destes na vida dos filhos de Deus.

1. Que são os dons do Espírito Santo?

1. Do inicio, é preciso propor a distinção que a Teologia costuma fazer entre dons e carismas (embora a palavra charisma em grego significa dom).

Por carismas entendem-se graças especiais pelas quais o Espírito Santo torna os cristãos aptos a tarefas e funções que contribuem para o bem ou o serviço da comunidade: assim seriam o dom de profecia, o das curas, o das línguas, o da interpretação das línguas... Os carismas têm por vezes (não sempre) índole extraordinária, como no caso de certas curas ou da glossolalia.

Por dons compreendem-se faculdades outorgadas ao cristão para seguir mais seguramente os impulsos do Espírito no caminho da perfeição espiritual. Os dons e seus efeitos são discretos, não chamando a atenção do público por façanhas portentosas.

2. Para entender melhor o que sejam os dons do Espírito, recorramos a uma analogia:

Quando uma criança nasce para a vida presente, é dotada por Deus de tudo que é necessário à sua existência humana: recebe, sim, um organismo completo e uma alma portadora de faculdades típicas do ser humano. Como se compreende, esse conjunto ainda não esta plenamente desenvolvido quando o bebê vem ao mundo, mas é certo que a criança possui tudo que constitui a pessoa humana.

Ora algo de análogo se dá na vida espiritual. Diz-nos Jesus que renascemos da água e do Espírito Santo pelo batismo (cf. Jo 3, 5). Este renascer importa receber uma vida nova, a vida dos filhos de Deus, trazida pela graça santificante. Essa vida nova tem suas faculdades próprias, que são:

1) as virtudes infusas

a) teologais (fé, esperança, caridade): virtudes que nos põem em contato imediato com Deus;

b) morais (prudência, justiça, temperança, fortaleza): virtudes que orientam o comportamento do cristão frente aos valores deste mundo;

2) os dons do Espírito Santo, "receptáculos" próprios para captar as moções do Espírito Santo.

Importa salientar bem a diferença entre as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.

As virtudes infusas são ditas infusas porque não adquiridas pelo homem. São princípios de reta outorgados ao cristão juntamente com a graça santificante, para que se comporte não apenas como ser racional, mas como filho da Deus, elevado a ordem sobrenatural1. Os critérios de conduta do cristão são as grandes verdades da fé ou da ordem sobrenatural (que nem sempre coincidem com os da razão); por isto é que, ao renascer como filho de Deus, todo homem recebe os respectivos princípios de conduta nova, que são as virtudes infusas. Destas, três se orientam diretamente para Deus (a fé, a esperança e a caridade) e quatro se orientam para o reto uso dos bens deste mundo (prudência, justiça, temperança, fortaleza). Quando o cristão age mediante as virtudes infusas, é ele mesmo quem age segundo moldes humanos, limitados, lutando contra os obstáculos que geralmente a prática do bem encontra; de maneira lenta e trabalhosa o cristão cresce na fé, na caridade, na temperança, na fortaleza..., estando sempre sujeito a contradizer-se ou a cometer um ato incoerente com tais virtudes.

É sobre este fundo de cena que se devem entender os dons do Espírito Santo. Estes podem ser comparados a faculdades novas ou “antenas” que nos permitem apreender moções do Espírito Santo em virtude das quais agimos segundo um estilo novo, certeiro, firme, sem hesitação alguma e com toda a clarividência. Esta afirmação pode-se tornar mais clara mediante algumas comparações:

a) Imaginemos um barco que navega a remos... Adianta-se lentamente e com grande esforço e fadiga por parte dos remadores. Caso, porém, este barco tenha velas dobradas, admitamos que os remadores resolvam desdobrá-las, a fim de captar o vento que lhes é favorável. Em conseqüência, os marujos deixarão de remar, e o mesmo barco será movido a velocidade “sobre-humana”, de maneira nova a muito mais veloz do que quando movido a remos.

Ora o "mover-se a remos" corresponde ao esforço humano (sempre prevenido pela graça) para progredir na prática do bem mediante as virtudes infusas. O “deixar-se mover pelo vento que bate nas velas desdobradas", corresponde ao progresso provocado pela ação direta do Espírito Santo, que move os seus dons (= velas) em nós; progredimos então muito mais rapidamente segundo um estilo novo.

b) Eis outra comparação: admitamos um pintor genial que se dispõe a realizar uma obra-mestra. Para iniciar, ele confia aos discípulos mais adiantados o trabalho de preparar a tela, combinar as cores e esquematizar o quadro. Quando tudo está preparado e começa a parte mais importante da obra, o próprio mestre traça as linhas finíssimas de sua obra, revelando o seu gênio e cristalizando a sua inspiração. - De maneira análoga, o Espírito traça no íntimo de cada cristão a imagem do Cristo Jesus. Os inícios desta tarefa, Ele os realiza mediante a nossa colaboração, permitindo-nos agir segundo os nossos moldes humanos (ou mediante as virtudes infusas). Quando, porém, se trata dos traços mais típicos do Cristo na alma humana, o próprio Espírito assume a tarefa da os delinear utilizando instrumentos especialmente finos a preciosos, que são seis dons.

Exemplificando, diremos: o homem prudente que, para a orientação de seus atos, só dispusesse de suas qualidades naturais e da virtude infusa da prudência, acertaria realmente, mas com grande lentidão, depois de várias tentativas. A prudência humana é insegura e tímida, mesmo quando acerta. - Ao contrário, quem age sob o influxo do dom do conselho, que corresponde à virtude da prudência, descobre de maneira rápida, certeira e firme o que deve fazer em cada caso.

Eis outro exemplo: quando o cristão se eleva, pela luz da fé, ao conhecimento de Deus, ele o faz de maneira imperfeita e laboriosa, recorrendo a imagens que são, ao mesmo tempo, claras e obscuras. - Dado, porém, que o cristão seja movido pelo Espírito mediante os dons de sabedoria e inteligência, ele contempla Deus e seu plano salvífico numa lúcida concatenação de idéias em poucos instantes e com grande sabor espiritual (em vez dos esforços exigidos pela virtude da fé).

As normas das virtudes são diferentes das normas dos dons. Quem age sob o influxo das virtudes, segue a norma do homem iluminado pela luz de Deus. Mas quem age sob o influxo dos dons do Espírito, segue a norma do próprio Deus participada ao homem.

3. Note-se que os dons do Espírito não são privilégio dos santos. Todos os cristãos os recebem no Batismo. Nem são necessários apenas às grandes obras, mas tornam-se indispensáveis à santificação do cristão mesmo na vida cotidiana.

O cristão pode permitir cada vez mais a ação do Espírito Santo em sua vida mediante os dons, caso se dedique especialmente ao cultivo das virtudes (principalmente da caridade) e se torne mais e mais dócil às inspirações do Espírito Santo. A prática do amor é importante, pois é o amor que nos comunica particular afinidade com Deus, adaptando-nos ao modo de agir do próprio Deus.

Procuramos agora penetrar no sentido próprio de cada um dos dons do Espírito.

2. Os dons em particular

A Tradição cristã costuma enunciar sete dons do Espírito, baseando-se no texto de Is 11,1-3 traduzido para o grego na versão dos LXX:

"(1)Brotará uma vara do tronco de Jessé
E um rebento germinará das suas raízes.
(2)E repousará sobre ele o espírito do Senhor:
Espírito de sabedoria e entendimento,
Conselho e fortaleza,
Ciência e temor de Deus,
(3)Piedade..."


O texto original hebraico, em lugar de piedade, dá a ler; "Sua inspiração estará no temor do Senhor". Enumerando seis ou sete dons do Espírito, o texto bíblico não tenciona esgotar a realidade dos mesmos: estes são tantos quantos se fazem necessários para que o Espírito leve o cristão à perfeição definitiva. Os sete dons enumerados pelo texto dos LXX e pela Tradição vêm a ser, sem dúvida, os principais. Distingamo-los de acordo com a faculdade humana em que cada qual se situa:

Intelecto: ciência, entendimento, sabedoria, conselho.

Vontade: piedade.

Apetite irascível: fortaleza.

Apetite de cobiça: temor de Deus.

Passemos agora à análise de cada qual de per si.



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(1) Sobrenatural não quer dizer portentoso ou maravilhoso, mas designa o que ultrapassa as exigências de qualquer natureza criada,... o que é dado gratuitamente por Deus. É sobrenatural, portanto, a elevação do homem à filiação divina ou à comunhão de vida com o próprio Deus a fim de chegar à visão de Deus face-a-face.

Fonte: Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Revista nº. 479, Ano 2002, Pág. 163.

domingo, 17 de agosto de 2008

Os furacões em nossas vidas


Precisamos perseverar, porque as paredes podem cair de novo

O Furacão Katrina foi uma das mais fortes tormentas tropicais que atingiu a região do Golfo americano. Com ventos de até 240 km por hora, o furacão deixou um rastro de mortes muito elevado e um prejuízo imenso para as seguradoras americanas devido à destruição dos lugares onde passou.

Desabamentos com inúmeras vítimas, pessoas ilhadas tentando fugir das águas são imagens que vão ficar gravadas em nossas mentes.

E os furacões que assolam as nossas vidas, os furacões das decepções, traições, calúnias, doenças graves na família, que conseqüências eles trazem à nossa alma, à nossa psique e até ao nosso físico? Uma imensa sensação de estar perdido, abandonado até por Deus, um imenso desânimo, uma dor lancinante de angústia no peito latejam diariamente sem cessar. Uma falta de esperança que tudo pode mudar e voltar a ter cor de novo são sintomas quando vivemos essas experiências dolorosas. A ausência de vontade de rezar é maior que tudo, mas a necessidade é estimulada pelas fortes dores na alma.

Correr para Deus, correr para Aquele que faz com que o furacão pare e rogar para a ressurreição chegar é essencial. A pedagogia divina não é paternalista, mas paternal, ela exige que nos levantemos, dando os passos para começar a reconstrução da alma e das outras áreas da nossa humanidade que estão destruídas ou bem danificadas.

E que passos são esses? O perdão renovado às pessoas que nos fizeram mal, demonstrado em atitudes de bondade para com elas.

Pequenas atitudes, um sorriso, um "como vai?", perguntar sobre o dia da pessoa, sobre o que é importante para ela.

Acredite que ser bom para as pessoas será excelente para nós. E parte daquilo que foi destruído pelo furacão começa a ser reconstruída lentamente.

Muitas vezes, vamos entrar no ciclo de relembrar as coisas ruins, mas precisamos pedir o Sangue de Jesus para lavar a nossa memória, as nossas lembranças.

Não podemos parar quando não somos correspondidos com amabilidade nas tentativas de reconstrução, pois o terreno depois de um furacão não é favorável para a implantação de um novo alicerce.

Precisamos perseverar, porque, muitas vezes, as paredes podem cair de novo, e precisamos recomeçar. E acredite: a cura para a reconstrução da alma, da psique e até do nosso corpo físico vem da oração e da atitude amável.

Você não está só! Deus o convida para reconstruir tudo com Ele.

Maria Elizabete S. Albuquerque

Publicado no Portal da Canção Nova

sábado, 16 de agosto de 2008

Agosto, mês vocacional


Quando Deus chama, Ele mesmo nos capacita

Vocação é um chamado do Senhor. É Deus quem chama e envia. A iniciativa é toda de Deus.

“Não fostes vós que me escolhestes mas eu vos escolhi e vos designei para que vades e produzais frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16).

Deus quando chama, Ele leva em conta toda a sua pessoa, a começar pelo nome, passando pela sua família e pela sua história. Nada fica de lado em sua vida.

Quando Deus chama, Ele mesmo o capacita para aquilo para o qual está o chamando. Por isso, não precisamos ter medo porque a iniciativa é toda do Senhor. A nossa parte é responder dizendo “sim” e nos colocando inteiramente à disposição d’Aquele que nos chama.

A vocação afeta a pessoa no mais profundo do seu íntimo e quando somos afetados por esse chamado não temos como dizer “não”; a nossa resposta sempre será “sim”!

"Deixei-me seduzir..."

Todos nós fomos escolhidos, chamados por Deus para uma missão. A Palavra diz que Jesus subiu ao monte e chamou os que Ele quis e os designou e os preparou para uma missão específica, a de levar a Sua Palavra por todo o mundo (cf. Mc 3, 13-19). Mas Deus não nos chama só para isso. Há lugar para todos em Seu Reino. Existem os que pregam, os que se dedicam somente às famílias, os que defendem a pátria. Enfim, é infinita a missão de Deus. O Senhor conta com corações abertos para colaborar com Ele nessa linda companhia.

Qual é a sua missão? A que você é chamado hoje? Não diga que aquilo que faz hoje não é um chamado; não é uma missão! Não diga que você não é capaz; porque quem nos capacita é Deus. O chamado foi um presente d’Ele aos discípulos e na Palavra não está escrito que eles estavam capacitados para a missão que iriam receber. Ao contrário, todos corriam o risco de fracassar, de não dar conta; mas, o segredo está em confiar e se abandonar nas mãos d’Aquele que chama, capacita e envia. Quem é chamado recebe a autoridade espiritual e o conforto da presença constante do Senhor.

Creia! Você também foi escolhido por Deus para uma missão e precisa investir nela. O Senhor o conhece e conhece a missão que escolheu para você, conhece seu potencial e também suas limitações. Não são as características pessoais de cada um que determinam a vocação, muito pelo contrário, o próprio profeta responde dessa forma: “Não sei falar, sou apenas uma criança...” (Jer 1, 6). Mas saiba: o Senhor não se importa se você tem potencial ou não, a partir do momento em que Ele nos chama, todo o potencial vem d’Ele.

Toda a graça da vocação de ser pai, de ser mãe, padre, missionário, freira, político, seja lá o que for, se é Deus quem chama toda a graça para executar a vocação vem d’Ele. Quem foi chamado só precisa responder a essa iniciativa amorosa de Deus, como Maria, que disse: “Eis-me aqui, faça-se a Tua Vontade”.

Ritinha

Publicado no portal da Canção Nova

domingo, 10 de agosto de 2008

Ser pai é ser reflexo do amor de Deus, que é Pai por excelência!

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Como é importante para a vida de uma pessoa a presença de um Pai. Jesus sabia disso e quis ter um, quando passou por esse mundo.

Infelizmente hoje a proporção de filhos que vivem sem a presença do pai é muito grande. A presença da mãe é fundamental para vida de uma criança, mas a presença do pai na vida de um filho tem um papel enorme na formação de sua personalidade.

O pai dá a criança uma sensação muito grande de proteção e segurança, além da formação pessoal do carater da responsabilidade. Quantos cresceram sem o pai e hoje tem em si sentimento grande de insegurança, medo e imaturidade.

Se a mãe morre aos poucos pelo filho de seu ventre, o pai por sua vez também. È uma doação, uma entrega diária.

Lembro-me de uma pequena histoŕia de um menino que não via seu pai durante toda semana. O pai trabalhava muito, chegava em casa muito tarde e saia muito cedo.Porém todas as noites o pai passava pelo quarto do menino, lhe beijava, e dava um nó no seu cobertor para lhe indicar que esteve ali naquela noite. No outro dia o filho sabia que o pai tinha estado ali e sentia-se amado por ele.

Essa é a diferença, não é a quantidade de tempo que gastamos com nossos filhos, mas a qualidade que damos ao tempo que temos com eles.

A familia sempre será nosso bem maior nessa terra! Aproveite cada momento desse tesouro precioso.

Comunidade Canção Nova

curitiba@cancaonova.com

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sábado, 9 de agosto de 2008

Dom de Milagres

Seminário de Dons on line é a adaptação para a Internet de um encontro que geralmente dura de dois a três dias consecutivos, onde são tratados vários temas sobre os dons carismáticos do Espírito Santo, como o dom de línguas, discernimento, sabedoria, fé, cura, milagres, buscando uma experiência profunda do batismo no Espírito Santo.

Diácono Nelsinho Corrêa, consagrado da Comunidade Canção Nova, fala sobre o dom de milagres. Dom extarordinário, que mostra a intervenção de Deus em situações humanamente insolúveis.

Um ótimo ensinamento que mostra esse dom como sinal da misericórdia de Deus.
Que maravilha quando uma pessoa é curada miraculosamente!.

Com os testemunhos relatados pelo Diácono Nelsinho Corrêa, deixe o Espírito Santo reavivar esse dom em você.

"Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre!"







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