Hoje Professor Felipe Aquino fala do dom da sabedoria.
Publicado no Portal Canção Nova
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A oração em línguas é um dom do Espírito Santo (1 Cor 12,10). São Paulo faz vária citações sobre esse carisma e sua importância para quem o põe em prática. Vemos o apóstolo delongar-se na instrução aos Coríntios sobre o uso do dom das línguas e na correção aos exageros que por vezes ocorriam; podemos perceber que esse era um dom usado com muita freqüência, um dom muito comum para eles e assim o foi, nos primórdios, para a Igreja.
Contudo, durante muito tempo esse dom ficou esquecido e ate parecia ter desaparecido do seio da Igreja, mas novamente essa forma de oração tem ganhado expressão e é cada vez mais comum a sua prática em meio a Renovação Carismática.
Quantas vezes nos vemos perdidos, sem saber como rezar? Faltam-nos as palavras. Outras vezes começamos a louvar a Deus e não somos capazes de permanecer sequer cinco minutos em Seu louvor. Outras, ainda, sentimos o coração quase sair do peito de tanta vontade de falar com o Senhor, mas toda palavra que nos chega á boca parece ser insuficiente.
É bom saber que não estamos sozinhos, o Espírito mesmo vem em auxilio à nossa fraqueza.
Porque não sabemos o que devemos pedir nem orar como convém, Ele mesmo se dispõe a orar em nós. Trata-se do próprio Deus, que habita em nossos corações, templos Seus, a orar em nós. Diz a Sagrada Escritura que Ele o faz com gemidos inefáveis, se maneira que a inteligência humana é incapaz de entender.
São gemidos, sílabas que se combinam de maneira inteligível, mas de grande significância. É Deus que, sendo Pai e conhecendo o nosso coração, quer nos levar a uma oração profunda.
Aquele que ora em línguas não diz coisas que a inteligência humana seja capaz de compreender; a sua oração brota do seu coração, do seu espírito, rumo ao coração de Deus; ninguém o compreende, nem mesmo ele próprio, porque diz coisas misteriosas sob a ação do Espírito Santo. Há aqui um obstáculo para as pessoas que racionalizam tudo em demasia. Essa oração é uma humilhação para a inteligência... Quantas pessoas ao orar em línguas perguntam a si mesmas se não estão fazendo papel de estúpidas, até mesmo se sentem ridículas por consentir em iniciar tal forma de oração. Contraditório seria entendê-la quando a Sagrada Escritura diz que não é possível fazê-lo.
Há muitos que dizem não querer saber de dons, que a caridade lhes basta, como se esta se contrapusesse aos carismas e vice-versa. O Espírito Santo nos ensina: “Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente os dons espirituais...” Devemos aspirar à caridade na mesma intensidade, da mesma forma e profundidade que os dons espirituais ( que acabam por ser uma operação da própria caridade).
Felizes são aqueles que se ariscam e se aventuram, mesmo quando os sentimentos contrariam a intenção de se lançar nessa maravilhosa experiência, já que aquele que assim reza edifica-se a si mesmo. Todos os outros carismas são para as outras pessoas; a oração em línguas é o único carisma voltado para a edificação pessoal. Convém não desperdiçar.
Extraido do livro: "Quando só Deus é a resposta"
A Santa Igreja nos convida, durante o mês de agosto, à reflexão sobre a vocação. No primeiro domingo meditamos sobre a vocação ao sacerdócio; no segundo, a vocação à paternidade, na formação da família; depois abordamos a vocação à vida religiosa e, encerrando o mês, no quarto domingo, a vocação para propagadores da Palavra de Deus, da doutrina da Igreja, encaminhando nossas crianças e adolescentes na formação cristã e acompanhando jovens e adultos no seu amadurecimento da fé, na perseverança dessa caminhada. São os nossos caros catequistas, homens e mulheres, que se dedicam à obra de evangelização.
Como no seio da Igreja existem famílias religiosas com carismas específicos, também existem catequistas com missões distintas, uns dos outros. Todos somos chamados a catequizar, a desempenhar esta missão apostólica, confiada por Nosso Senhor aos seus discípulos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28,19), edificando, assim, o Corpo Místico de Cristo, na certeza da divindade de Jesus Cristo e da plenitude da vida Nele, para o que fomos criados. Daí a necessidade do cristocentrismo nesse processo, fazendo que alguém se ponha, como ensina o Servo de Deus João Paulo II, “não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: somente Ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade” (Catechesi Tradendæ I,5).
Na mesma Exortação Apostólica, o saudoso Pontífice exorta sobre a preocupação constante de todo o catequista, “seja qual for o nível das suas responsabilidades na Igreja, deve ser a de fazer passar, através do seu ensino e do seu modo da comportar-se, a doutrina e a vida de Jesus Cristo” (op. cit. I, 6). De fato, todo cristão vocacionado deve entregar-se por inteiro ao ministério que lhe é confiado, seja o sacerdotal, o da paternidade, o da vida consagrada e o de catequista, com a missão de reger e de ensinar. Reger, encaminhar nas sendas onde se moldam ou se aperfeiçoam o caráter, ensinando-lhes sobre os princípios do cristianismo que fundamentam a moral e a ética na formação da civilização cristã.
Quem não se lembra de seu catequista?
E ousaria perguntar-lhe: quem foi seu primeiro catequista?
Oxalá todos respondessem ter haurido as primeiras lições da doutrina cristã no seio materno. Sim, pois os pais devem ser os primeiros a dar aos filhos as lições primitivas e elementares para o cultivo e a profissão de fé católica.
Tivemos depois a catequista, ou o catequista, que nos preparou para recebermos a Sagrada Eucaristia pela primeira vez. E felizes os que tiveram a oportunidade ou cuidaram em continuar essa bela caminhada, conhecendo, mais detalhadamente, as maravilhas dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, precedidos por pessoas dedicadas a conduzi-los por esse aprofundamento no conhecimento e avivamento da fé.
Em nossas comunidades, alenta-nos a dedicação de tantos que correspondem ao chamado, pelo dom da partilha entre os irmãos e oferecem à Igreja a sua parcela na obra de evangelização. Obviamente, alguns requisitos são necessários, como um equilíbrio psicológico, capacidade de diálogo e de trabalho em equipe, conhecimento abrangente sobre a matéria, engajado(a) na vida paroquial, saber respeitar as limitações dos outros, disponibilidade e perseverança, apenas para citar alguns atributos essenciais.
Mas hoje, muito mais que em todos os tempos, a realidade em que vivemos, especialmente na América Latina, traduz bem a necessidade de que o zelo missionário, perfil do catequista, seja trabalhado dentro de cada comunidade.
É com esta preocupação que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou a realização do Ano Catequético, em 2009, numa correspondência ao primeiro Ano Catequético celebrado há quase 50 anos em 1959. Será mais um impulso a esse trabalho, sem o qual não há como formar mais discípulos missionários, com o tema: “Catequese, caminho para o discipulado” e lema: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão” (Lc 24,13-35). Atentos à realidade de cada Igreja Particular, à luz do Documento de Aparecida, esperamos redefinir o direcionamento da catequese em nosso país.
Nessa perspectiva, conseguiremos distinguir melhor, de forma atualizada, o papel de cada um na missão de evangelizadores que somos. Não só à frente de grupos de catequizandos, mas principalmente no dia-a-dia, sendo exemplo para os demais, trazendo na fronte a marca de cristão, na disciplina pessoal, na dedicação a tudo o que se propõe, na caridade para com o próximo, lembrando que “aquele que foi evangelizado, evangeliza” (Paulo VI, “Evangelii Nuntiandi”, II,24). O cristão catequiza com um simples gesto, da mesma forma como pode depor contra Nosso Senhor, na intemperança, na incompreensão, no desamor.
O catequista deve, antes de tudo, ser um exemplo de vida, atrair as pessoas para junto de si e, então, poder lhes falar de Jesus, da sua Igreja e da obra da redenção. Ele sucede a uma plêiade de santos, padres, teólogos que, ao longo da história eclesiástica, cuidaram em esclarecer o Mistério de Cristo para fazê-lo sempre melhor compreendido e mais amado. Se buscamos mirar nos santos, nos mártires, em todos que se distinguiram pelas suas virtudes cristãs é porque eles tiveram preceptores que os prepararam de tal forma que se tornaram uma referência, tiveram bons catequistas.
“As condições do mundo atual tornam cada vez mais urgente o ensino catequético, sob a forma de um catecumenato, para numerosos jovens e adultos que, tocados pela graça, descobrem pouco a pouco o rosto de Cristo e experimentam a necessidade de a ele se entregar”, exortava, em 1975, o Papa Paulo VI (op. cit. IV, 44). Essa necessidade se faz mais fremente dentro da realidade atual e, por isso, recomendamos o zelo de nossos catequistas para buscarem sempre se aprofundar no conhecimento mais íntimo de Cristo e a solicitude de todos os cristãos para que, prontamente, atendam ao chamado para evangelizar.
De viva voz (katéchesis) haveremos se proclamar a boa nova a todas as nações, sem nenhum temor, destemidos, como os primeiros cristãos, para merecermos gozar da intimidade de Nosso Senhor, que nos revelou as maravilhas, unindo-nos na profissão de uma só fé em um só Deus. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque vos manifestei tudo o que ouvi de meu Pai” (cf. Jo 15,15).
Quero, assim, abençoar afetuosamente a todos os catequistas e a todas as catequistas da querida Arquidiocese de Juiz de Fora. Em meu nome, dos presbíteros que são os primeiros colaboradores do Ordinário Local, quero agradecer a vocês pelo seu ministério de formadores e transmissores da nossa fé católica, apostólica e romana. Amém!
DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO METROPOLITANO DE JUIZ DE FORA, MG.
Publicado no Portal A Catequese Católica
Paulo de Tarso
Paulo foi uma das figuras que marcou, de forma decisiva, a história do Cristianismo, o Apóstolo que anunciou o Evangelho em todo o mundo antigo, sem nunca vacilar perante as dificuldades, os perigos, a tortura, a prisão ou a morte.
A aculturação do Evangelho na cultura helenista – tipicamente citadina – levou Paulo, homem da cidade, a utilizar uma linguagem mais teológica e abstracta, própria do ambiente evoluído em que pregou o Evangelho, em contraposição com a linguagem rural utilizada por Jesus no ambiente agrícola e pastoril da Palestina.
É autor de 13 Cartas do Novo Testamento, escritas a diferentes comunidades, ao longo de uns cinquenta anos: Romanos, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Filipenses e Filémon; 1 e 2 Timóteo, Tito, Efésio, Colossenses.
Confira o Especial sobre Paulo de Tarso que a TVCN de Portugal preparou para você!
Titulei esta página com uma frase de S. Paulo apresentando o Instituto como comunidade serva e missionária, para evangelizar, (Cf. Servir nº127) assumindo como desafio pessoa, partilhar convosco a convicção de que só na Palavra de Deus podemos encontrar-nos com Deus que nos ama e nos quer tornar participantes do seu Projecto de Salvação. O método proposto foi o da leccio divina, no sentido de chegarmos a viver a Palavra. O importante é deixar que a palavra de Deus dê fruto na minha existência. A pergunta a que devemos responder é a seguinte: Quais as decisões concretas a tomar, a partir desta Palavra que escutei, meditei e rezei? (Cf. Servir nº 129)
Encontro sem aprendizagem é, ou pode ser, apenas um encontro superficial e estéril. O tempo de leitura da Bíblia deve tornar-se um tempo de encontro com Jesus, para aprender com Ele.No ano Paulino, acompanhemos Paulo nos caminhos poeirentos e tortuosos da sua vida e façamos com ele a experiência da Graça e do Amor novo.“É imperioso visitar e revisitar, frequentar, uma e outra vez, com redobrada atenção e amor, a paisagem epistolar Paulina , de modo a podermos compreender e receber o forte impacto da mensagem cristã vivida e endereçada que a atravessa. A Carta aos Romanos é o último escrito saído das mãos de Paulo, obra madura, amadurecida nas esperanças e nas dores, súmula das suas cartas anteriores e de todas elas a mais extensa e completa, que bem podemos considerar o testamento espiritual do Apóstolo. De facto, Paulo vive, anuncia, ensina e escreve a unidade e a liberdade de todos em Cristo, e é por esta realidade que dará a vida.
Que tesouro transporta, com orgulho, este judeu piedoso, organizado, determinado e apaixonado? (2 Cor 11, 22; Rm 11,1; F1 3,5-6 ; G1 1,13-14).“D. António Couto Bispo Auxiliar de Braga”

A decisão de se casar ou não, nos dias de hoje, é dos jovens e não mais dos pais. Entre povos civilizados já não há a oferta de bens compensatórios, que antes era uma espécie de compra e venda da filha, que deixava a sua família para o casamento. Para serem validos os casamentos, tanto perante a autoridade civil quanto à religiosa, supõem a plena liberdade dos nubentes.
O consentimento dos pais é pressuposto, porém, não impositivo, como entre os primitivos. A opção pelo casamento é daqueles que se casam, e os casamentos acabam se realizando não na puberdade, quando a menina se torna mulher, e sim bem mais tarde, depois dos 20 anos para as moças e dos 25 para os rapazes.
As etapas, que em nossos dias precedem o casamento, são do namoro e do noivado.
O casamento tardio deveria ser mais responsável. Há namoros sérios em que existe respeito entre os adolescentes e jovens, com as normais demonstrações de uma amizade mais profunda, de um amor que não chega às intimidades próprias da vida conjugal. Há, lamentavelmente, a cada dia, mais exceções, com uma entrega de corpos que freqüentemente leva a uma gravidez prematura, estando a jovem adolescente psicologicamente despreparada para se tornar mãe.
O namoro deveria voltar a ser um tempo em que os que se encontram e se amam caminham, lado a lado, dedicados aos seus estudos, procurando conhecer melhor um ao outro, superando os próprios defeitos, comungando dos mesmos ideais quanto à vida comum e aos filhos, com momentos de um honesto lazer a dois.
Passados alguns anos de namoro, percebendo o rapaz e a jovem que já se conhecem suficientemente bem, decidem-se por oficializar o noivado, com uma comunicação oficial aos pais da jovem. Esse é o sentido verdadeiro do noivado em que, com freqüência já estabelecem o ano, o mês e o dia do casamento.
Nem o namoro nem o noivado conferem ao rapaz e à moça direitos próprios de marido e esposa, de uma vida íntima com encontros sexuais, fruto de cega paixão e não de verdadeiro amor. Este, como já disse, é feito de respeito pela pessoa amada, é paciente e felicitante, somente florescendo em uma nova vida quando realizado o casamento e constituída a família. Não é o que vem acontecendo com muita freqüência nestes tempos de liberação sexual da mulher e de preservativos distribuídos à farta pelos governantes, ou adquiridos pelos namorados e noivos.
Uma possível gestação antes do casamento é fato que marcará, negativamente e para sempre, a vida dos namorados e noivos. Particularmente a da jovem, que arcará com o maior peso da gravidez, desejada ou não.
Sintetizando, diria que os anos e o tempo do namoro e do noivado devem levar os jovens muito mais à contemplação e ao encantamento mútuo, aos sonhos e planos, do que às intimidades, frutos de uma paixão sempre grave, que acabarão deixando profundas marcas em ambos, ou pelo menos na jovem, por toda a vida futura.
(Artigo extraído do livro 'O casal humano na Sagrada Escritura' de Dom Amaury Castanho, Editora Canção Nova, 1ª edição, 2005)
Dom Amaury Castanho
Editora Canção Nova
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