"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

terça-feira, 4 de março de 2008

O nome de Jesus diz da sua missão

Pax Domini! Retomemos o Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 430:

Jesus quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. No momento da Anunciação, o anjo Gabriel dá-lhe como nome próprio o nome de Jesus, que exprime ao mesmo tempo sua identidade e missão. Uma vez que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2,7), é Ele que, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, “salvará seu povo dos pecados” (Mt 1,21). Em Jesus, portanto, Deus recapitula toda a sua história de salvação em favor dos homens. (CIC§430)

Ao falarmos que o Nome de Jesus significa Deus salva, falamos da sua identidade, da sua origem, porém podemos perceber que o nome de Jesus diz também da sua missão. Mas que missão seria esta?

A Missão de Jesus (Deus salva) era justamente.. Salvar! Mas salvar de que?

Essa é a pergunta importante que deve ser feita e respondida. A missão de Jesus é e sempre será, nos salvar do pecado. Nos salvar da morte. Nos salvar das garras de Satanás. Veja o que diz o catecismo no parágrafo seguinte:

Na História da Salvação, Deus não se contentou em libertar Israel da “casa da escravidão” (Dt 5,6), fazendo-o sair do Egito. Salva-o também de seu pecado. Por ser o pecado sempre uma ofensa feita a Deus, só ele pode perdoá-lo. Por isso Israel, tomando consciência cada vez mais clara da universalidade do pecado, não poder mais procurar a salvação a não ser na invocação do Nome do Deus Redentor. (CIC§431)

Isso diz do amor de Deus por nós. Deus não queria apenas resgatar seu povo de um cativeiro físico, mas queria também libertar o seu povo (que somos todos nós) de um cativeiro espiritual, que na minha singela opinião, escraviza muito mais. E Deus sabia que a ofensa feita a Ele só poderia ser perdoada por Ele mesmo, então mandou seu Filho (que também é Deus) para dar a vida por nós. É por isso que João Batista ao ver Jesus se aproximando exclamou:

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (Jo 1,29)

É Ele, Jesus, Deus Salva, quem tira o pecado do mundo. Não há outro. Não são pessoas que tem esse poder. Não são estruturas sociais ou políticas. O único que tem poder para tirar o pecado do mundo é Jesus, o Filho de Deus. Só Ele pode salvar a humanidade. Fora Dele, fora desse nome não existe saída. Infeliz é aquele que procura outros caminhos para remir suas culpas. Só em Jesus existe vida. Só em Jesus existe remissão dos pecados.

Dominus Vobiscum

Obs.: O nosso estudo sobre o Santíssimo Nome de Jesus começou com um podcast. Para ouví-lo, clique aqui!

Publicado no Blog Dominus Vobiscum

segunda-feira, 3 de março de 2008

A identidade de Jesus

Caríssimos,

a partir de hoje replicarei artigos de estudos bíblicos, publicados no Blog Dominus Vobiscum, editado pelo Cadu, da Comunidade Canção Nova. Cadu gentilmente nos autorizou a replicar seus artigos e nos convida também a participarmos todos desse estudo. Aos interessados em contribuir com o estudo, façam comentários nos artigos diretamente no blog Dominus Vobiscum.

Obrigado, Cadu!

E a todos, bom estudo ;-)

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Yeshua. Nome de Jesus escrito em aramaico.Oi irmãos! A paz de Cristo! Vamos dar seguimento ao nosso estudo? Comecemos então tomando o Catecismo da Igreja Católica que a partir do paragrafo 430 fala do significado do nome de Jesus. Vale a pena dizer que o Nome de Jesus em aramaico é “Yeshua” e se escreve na forma que você vê ao lado. Jesus é como nós falamos aqui no Brasil:

Jesus quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. (CIC§430)

Como já havíamos falado anteriormente, no tempo do nascimento de Jesus, o nome tinha uma razão de ser. Não se escolhia o nome da criança apenas por que se achava o nome bonitinho, ou porque alguém famoso tinha esse nome. O nome tinha um significado. O nome de Jesus (Yeshua) era na verdade uma afirmação. Nem era uma promessa. Era uma afirmação. Deus salva. Não significa Deus um dia vai salvar. Significa Deus salva. Salva hoje. Salva sempre. E o bonito de tudo é que foi o proprio Deus quem deu o nome a Jesus.

No momento da Anunciação, o anjo Gabriel dá-lhe como nome próprio o nome de Jesus, que exprime ao mesmo tempo sua identidade e missão. (CIC§430)

O catecismo e a palavra nos mostram que o Nome de Jesus foi uma escolha Divina e não humana. Deus mesmo quis dar ao seu Filho um nome. Um nome que disesse quem Ele era. Uma espécie de cartão de visita. Imagine você caminhando na rua, ouvir alguémm dizer:

- Deus salva chegou e está pregando na praça!

No mínimo você olharia de forma estranha aquela situação. O nome de Jesus fala da sua identidade. Por isso precisava ser Jesus. O curioso de tudo isso é que no tempo de Jesus, o normal era dar ao Filho o nome do Pai (no caso das famílias). Tanto é verdade que se você pegar a palavra de Deus, vai perceber isso e uma situação diferente. veja o caso do nascimento de João Batista:

No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias. Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João. Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados. (Lc 1,59-63)

Assim como Jesus, João tem um nome especial (João significa Javé é misericordioso) que também lhe fora dado por Deus (cf. Lc 1,13). Mas voltando a Jesus, vemos que o natural seria que Jesus se chamasse José, tendo em vista que seria o primogênito. Porém Maria e José foram fiéis e obedeceram, assim como Zacarias e Isabel obedeceram e colocaram o nome de seu filho João. E dai o nome de Jesus. Um nome que na nossa língua tem duas palavras. A primeira delas é Deus. E o fato desse nome conter o nome de Deus, o torna um nome especial, um nome Divino. A outra palavra é “salva”. Ela define a missão de Jesus. Mas isso nós vamos estudar amanhã. Por enquanto basta saber e conferir que o Santo Nome de Jesus define sua identidade: Ele veio do Pai!

Pax Domini

Obs.: O nosso estudo sobre o Santíssimo Nome de Jesus começou com um podcast. Para ouví-lo, clique aqui!

Publicado no Blog Dominus Vobiscum

Resgatar a ritualidade da vida

Tua mão desceu sobre mim, e me retirou da escuridão. Deu-me mãos e voz de profeta, deu-me um coração adorador’.


‘Desperta tu que dormes’! Quero ressaltar a primeira parte do refrão da música, que é o que Deus faz. É porque Ele desceu a mão, como um gesto ‘violento’ que acorda quem está dormindo.
Deus não pode fazer nada para o coração preguiçoso, que não quer ser mudado. O processo humano é difícil. Quanto sangue você tem que ‘suar’ para ser uma mulher e homem de integridade. Aquele que desce a mão, o faz para você melhorar. Não tem como conciliar o cristianismo com a preguiça da vida, esquecendo de como eu poderia ser como pessoa, sem cuidar da minha vida. Coração preguiçoso não tem lugar no céu, porque Deus te quer de pé.

Hoje uma mulher jovem com lágrimas nos olhos me dizia: ‘Deus tem me mantido em pé através da Canção Nova. Eu perdi no mesmo acidente, meu pai, meu esposo e meus filhos’.
Ficar de pé quando tudo deu errado e sentir que a força de Deus lhe alcança! Ficar de pé quando se está no Calvário, onde não é lugar de ficar sentado e sim de pé. Sentir-se de pé mesmo quando o Calvário está ‘armado’ e cheio de curiosos.

‘Desperta tu que dormes’. Não dá para ficar parado, ou sentado e fazer de conta que não está acontecendo nada. Que caia por terra toda hipocrisia e toda máscara.

O amor é provado no fogo, na dura experiência de dar a vida pelo outro. Caso contrário não é amor, é ilusão. Você sabe que alguém te ama não pelo o que fala, mas pelo o que faz. O amor não sobrevive de teorias. Não adianta falar para seu filho que o ama, se seus gestos não correspondem a esse amor. Palavras sem gestos não edificam.

O Calvário é ladeira acima, em meio a pedras, e não com asfaltos. Nossos passos não deslizam com facilidade. Não se chega ao céu de ‘patins'. São com essas ‘botas’ da dor, difíceis. Ninguém os prometeu que os valores seriam fáceis de serem alcançados. Você sabe muito bem o quanto te custou para chegar até onde chegou, as coisas não vêm tão fácil assim.

Nós perdemos os rituais. Como era bom o tempo em que preparávamos nossas refeições. Era um ritual: as crianças descascando milho, as tias cozinhando-os no fogo, outro fazendo a palha, e a família toda em um ritual de alegria fazendo a pamonha.
Nós tínhamos rituais de vida. Quando comíamos o porco ou fazíamos um almoço para toda a vizinhança e todo mundo da rua, para comerem juntos. Mas hoje, nossa comida vem toda pronta. Nós não temos mais o ritual de preparar o que nós comemos.

'O amor não sobrevive de teorias. Palavras sem gestos não edificam'.
Foto: Robson Siqueira
E aquela experiência de zelar por aquilo que é seu, se perdeu. De consertar as coisas da casa, onde o pai sempre chamava o filho para aprender.
Hoje tudo é muito prático, e perdemos o valor da realidade simbólica, perdemos a graça do diálogo, das conversas.

Às vezes nossos filhos estão loucos para conversar conosco, mas não temos tempo. Nós precisamos construir relações concretas. Às vezes se cuida dos amigos virtuais, mas não cuidam de quem está ao lado. A tecnologia não pode se utilizar de nós, quem manda é você.

Essas coisas que nos escravizam. Temos que abrir os olhos para tudo isso e sair da cegueira. Nós não pensamos nas conseqüências que minam a capacidade de sermos pessoas concretas e reais. Damos muito tempo para as pessoas no computador nos 'messenger´s' e tantas coisas mais, mas não damos uma palavra para um amigo do nosso lado.

Se não ritualizarmos a nossa vida nos tornaremos insensíveis. Aí Deus vai ter que descer a mão mesmo, e o 'sopapo' vem. E você percebe que está perdendo o seu filho para as drogas, o pai para o álcool, a mãe para infidelidade. Preste atenção aos ‘tapinhas’ da vida, para não ter um tapa mais forte adiante, podendo ser tarde demais.
‘Desperta tu que dormes’. Pessoas que estão dormindo e ficam na preguiça, é como que dar um remédio para aquele paciente que quer morrer.

Quando éramos crianças aprendíamos a tecer bordado e a costurar. Será que o bordado que fazíamos exteriormente não repercutia na nossa alma, interiormente, fazendo-nos pacientes? Cortar o mato com a enxada, não fazemos mais. Não diga ‘Eu posso pagar’. Hoje é tudo muito diferente e podemos pagar para que alguém o faça, mas de vez em quando, faça você mesmo.

Todas as mulheres lustram os móveis para ficar bonito, mas ninguém vai saber ‘lustrar’ o rosto de seu filho como você. ‘Desça do salto’ na simplicidade. Ao invés de levar o filho ao restaurante mais saboroso que tem, surpreenda-o com um avental fazendo a comida. Você e seu marido. A comida vai ter o sabor mais gostoso que qualquer outro restaurante.
A cura de nossos afetos vem através destes ritos. É uma alegria de chegar em casa e ter a mãe cozinhando.
'Desperta, tu que dormes! Seja justo com o que Deus lhe oferece!'
Foto: Robson Siqueira
Abra os olhos para o filho que você tem, abra os olhos para a mulher que você tem, não se acostume com o seu marido, abra espaços para as surpresas.
Nossos afetos são construídos dentro de casa. Nada pode ser mais destruidor do que uma palavra do pai e da mãe. Você tem o direito de dizer o que você quiser, mas não tem o direito de dizer do jeito que quiser. Nós traumatizamos na forma como dizemos as coisas.

‘Desperta tu que dormes’. Talvez você esteja perdendo a oportunidade preciosa de ser uma esposa, uma mãe, um filho, um marido, e você os trata como se fossem um ‘qualquer’. Cuide do que é seu. O amor requer calma e um olhar vagaroso.
Essas coisas são tão boas e tão simples, mas ouvimos pouco sobre elas. Corremos o risco de deixar a vida passar e não vivermos direito com aqueles que amamos.

Da sua casa você é o profeta. Você é convidado a ser o profeta. É você quem tem que mudar.
A transformação é na tua vida, no poder de ser profeta no seu ‘território’, em sua casa. Em ser a voz, em nome do amor vivo presente em você.
‘Desperta tu que dormes’. Seja justo com o que Deus lhe oferece. A sua casa merece sua coragem.
Você está diferente!

Padre Fábio de Melo
Acampamento de Cura Interior - Canção Nova

Transcrição de pregação do Pe. Fábio de Melo, no Acampamento de Cura Interior, publicado no Portal da Canção Nova
Veja as outras pregações do Padre Fábio de Melo no acampamento deste domingo:

domingo, 2 de março de 2008

4º Domingo da Quaresma


Para ver esse vídeo, faça uma pausa na Radiola do Círculo Verde (controle no lado esquerdo do blog).

Ser pessoa: processo de devolução


'O desafio de ser pessoa'. O termo 'pessoa' sempre foi muito usado, principalmente pelos gregos. 'Pessoa', no contexto grego, significa a máscara que o ator usava para interpretar no teatro.

Eu tenho que ser eu. Uma pessoa só pode ser pessoa, se ela é dona de si.
Nós temos que tomar posse do que somos. Quantas coisas você possui e ainda não tomou posse? O amor é a capacidade de descobrir no outro o que ele ainda não viu que tem. É como se você tivesse uma grande propriedade e não tivesse a capacidade de andar por ela para demarcá-la, e não a conhece na totalidade. Mas aos poucos vai sendo dono daquilo que já é seu.

Ser pessoa é ser dono de você mesmo, e saber lidar com seu jeito de ser, de amar, de sentir, de pensar, de ter suas limitações e saber o que você pode.
Quantas vezes você se dispôs a ser o que não era, dizendo 'sim' onde era para dizer 'não'? Você não teve consciência do que não podia. É o que Jesus sempre fez com as pessoas. Fazendo-as tomarem posse do próprio território, de si mesmas. 'Eu sou dono de mim, e não abro mão'.

Quem é o 'prefeito' de sua 'cidade'? Tenha coragem de dizer aos inimigos: 'Aqui nesta cidade tem prefeito (eu), e aqui não tem lugar para os bandidos. Eu não abro mão do meu território'. E é aqui que Deus trabalha em nós para celebrar a Eucaristia, é para Deus que nos entregamos de novo. Eu sou pessoa, e me recebo de Deus o tempo todo. E Ele diz: "Cuide do que você é. Você não tem o direito de deixar as pessoas lhe roubar". E tem pessoas que te 'devolvem'. A experiência com Deus sempre diz: "Eu lhe devolvo".

Não tenha preguiça de conhecer seu 'território' e saber quem você é realmente. O total desconhecimento de si, não pode acontecer. A pessoa que não é 'pessoa', não tem assunto e sabe tudo o que acontece na vida do outro, mas não sabe de si mesma.

As pessoas que vivem preocupadas com as novelas da vida, se desgastam com pessoas que nem conhecem. Não é fácil compreender o território humano. Se investigar e conhecer o 'porquê' de algumas reações, o 'porquê' aquela raiva foi tão grande naquela hora, o 'porquê' eu explodi com aquela pessoa... É descobrir o 'porque' do afeto que tenho dentro de mim. Você deixa de ser explosiva demais quando toma posse do que é. Tudo isso porque você está em processo de construção. Deveríamos estar com placas dizendo: 'Estamos em obra, cuidado!' É o seu processo de 'feitura' de ser pessoa.
'Não tenha preguiça de conhecer seu ‘território’ e saber quem você é realmente'
Foto: Wesley Almeida
Enquanto você viver haverá partes deste 'território' para conhecer. Tantas coisas nos foram entregues, mas se elas não vêm à tona, e nem as investigarmos, tudo o que temos dentro de nós fica sem uso. Quanta coisa preciosa você tem dentro de você e não sabe por quê fica só na superficialidade do conhecimento de si? Quando é que você sabe que uma pessoa se ama? Você só sabe que ela se ama quando ela se cuida, quando tem disciplina.

Que você não morra com seus valores ‘engavetados’, pois Deus lhe dá talentos para que você os use, e não para deixar guardado.

'Eu sou um dom de Deus'. Todos os dias há alguma coisa para você ir atrás e descobrir. Você se recebe de Deus, Ele que me deu esta obra todos os dias. Temos que ser bom naquilo que a gente faz para nos colocarmos à serviço dos que necessitam. Uma pessoa só é pessoa quando se disponibiliza aos outros. Aquilo que recebo de Deus coloco à disposição dos outros. E nisso temos a integração de uma personalidade saudável.

Ser pessoa não é só contemplar o que sou e tenho de melhor, mas ser pessoa é descobrir e cultivar o que tenho de melhor para que outros sejam beneficiados.
Como Jesus fazia o tempo todo em sua capacidade de se doar e ensinar, é preciso se doar também. É necessário tomar cuidado para outra pessoa não tomar posse do que você é, pois a partir daí você não terá mais domínio sobre o que é seu. Se não sou capaz de tomar conta de mim, perco meus talentos e não me possuo mais. Quantas vezes você foi machucado nesta vida e pessoas lhe roubaram? Quando não me possuo, tenho dificuldade de ser para o outro, e corro o risco de não ser o que devo ser.

Estabeleça o seu limite. Seja firme!

Padre Fábio de Melo
Acampamento de Cura Interior - Canção Nova
Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

Transcrição de pregação do Pe. Fábio de Melo, no Acampamento de Cura Interior, publicado no Portal da Canção Nova
Veja as outras pregações do Padre Fábio de Melo no acampamento deste sábado:

Filho do Céu

Padre Fábio de Melo canta "Filho do Céu"



Para ver esse vídeo, faça uma pausa na Radiola do Círculo Verde (controle no lado esquerdo do blog).

sábado, 1 de março de 2008

Amor: processo de continuidade

Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos.

Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?

É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca diferentemente e a experiência concreta de cada um. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’.
O amor não se poetiza: 'ferida que dói e não se sente'. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.

Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida. As que não damos valor e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés ao seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo?

O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus a me abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes em nome do amor nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.

O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.

Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.

Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando os meus melhores valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.

Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho a partir do momento em que você permite transmiti-lo. Nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.

Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: quanto mais nos amamos, mais somos consumidos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’.

Nós vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.

'Você precisa redescobrir a graça de se amar'
Foto: Willieny Isaías
Você vai saber que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.

Qual é o caminho que nos leva ao amor?

Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.

Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no o futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?

Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo.
O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar.
Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida?
O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele?

As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você dedica a Deus dedica a você mesmo. Porque a obra que Ele quer restaurada é você.

‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim.
Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as podridões. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.

O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar.
A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal.
Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?

Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar.
Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também.

Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!


Padre Fábio de Melo
Acampamento de Cura Interior - Canção Nova
Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

Transcrição de pregação do Pe. Fábio de Melo, no Acampamento de cura Interior, publicado no Portal da Canção Nova