"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O perigo de um desabafo


Quando desabafamos com um alguém sobre nossas intimidades podemos ter conseqüências desastrosas se escolhemos um “confidente” sem maturidade para acolher o que temos a falar. Uma pessoa fragilizada pelos desentendimentos e crise de seu relacionamento poderá facilmente recorrer à ajuda de quem está mais próximo dela.

Dessa forma, um simples colega pode se tornar um conselheiro quando a pessoa que se encontra numa crise se vê favorecida pelas longas horas diárias de convívio no trabalho ou na faculdade. Sem reservas ela expõe situações, as quais deveriam apenas ser discutidas com aquele que realmente faz parte do problema: seu cônjuge, por exemplo. Talvez, por falta de coragem ou por certa dificuldade no diálogo com aquele que é a “causa da crise”, a pessoa vê no colega uma oportunidade para relatar o que está vivendo.

A pessoa necessitada de amparo, sem perceber e pelo fato de se sentir compreendida em seus desabafos, vê no amigo o “Sr. Compreensão”, ainda que este tenha conhecimento de apenas parte da verdade.
Por meio de conversas, sobre assuntos relacionados à intimidade pessoal, a simples amizade poderá se transformar num relacionamento muito estreito. E qualquer desatenção por parte dos colegas poderá fazer surgir entre eles uma atração diferente; favorecida por comportamentos que não deveriam ser vividos entre os amigos. Isso será muito nocivo para qualquer relacionamento, especialmente se o vínculo com o colega se intensificar por meio de telefonemas reservados, e-mails secretos, entre outras atitudes que podem gerar uma crise de ciúme.

Muitas vezes, as pessoas que se encontram fora do nosso problema conseguem entender melhor a situação que estamos vivendo. Em certas ocasiões, se faz, realmente, necessário recorrer à ajuda externa, seja por intermédio de um profissional ou com alguém que já tenha vivência e amadurecimento para que possa ajudar o casal a encontrar as possíveis soluções para seus impasses.

Partilhar é bom, entretanto, mais importante é saber com quem estamos falando de nossa intimidade, que é o nosso “sagrado”. Fazer de qualquer pessoa um conselheiro para nossos desabafos ou reclamações apenas expõe nossa intimidade e, ao mesmo tempo, pode adiar a restauração do convívio com aquele que deveria ser o primeiro a saber de nossas necessidades.

A melhor forma de se resolver uma crise é contar com a participação direta do outro naquilo que se refere ao desentendimento. Afinal, faz parte do convívio a dois o acolhimento para as mudanças de forma mútua e o eterno ato de se reconciliar.

Um abraço.

Dado Moura

Publicado no Blog Comportamento

Eventos de 27º ECC

  • 01 e 02 de agosto - Primeira Sexta e Primeiro Sábado do mês.
  • 05 de agosto - Reunião de Coordenadores, às 20h.
  • 07 de agosto - Palestra do Casal Setorial para todos os Membros de Equipes – Tema: Funções das Equipes.
  • 09 de agosto – Missa dos Casais e Feirinha dos Pais (com surpresas para os pais). Círculo responsável pelo serviço: Régis e Stela.
  • 13 de agosto - Missas e Coletas.
  • 16 de agosto 1ª Feirinha das Equipes – Responsáveis: Cozinha, Limpeza e Círculos.
  • 19 de agosto - 1º Momento de Adoração ao Santíssimo p/ 27º ECC, 20h.
  • 20 de agosto – 1ª Reunião Preparatória p/ 27º ECC, no Colégio São Tomás de Aquino.
  • 23 de agosto – 2ª Feirinha das Equipes – Responsáveis: Liturgia e Acolhida.
  • 27 de agosto – 2ª Reunião Preparatória.
  • 28 de agosto - Encontrão, 20h.
  • 30 de agosto 3ª Feirinha das Equipes – Responsáveis: Secretaria, Sala e Compras.
  • 02 de setembro - Reunião de Coordenadores, às 20h.
  • 03 de setembro – 3ª Reunião Preparatória.
  • 05 e 06 de setembro - Primeira Sexta e Primeiro Sábado do mês.
  • 06 de setembro – 4ª Feirinha das Equipes – Responsáveis: Visitação e Cafezinho.
  • 07 de setembro – Aprofundamento para Encontristas (Palestra, Confissões e Apresentação do Sociodrama).
  • 10 de setembro – 4ª Reunião Preparatória.
  • 13 de setembro – Equipes apóiam coletas e missas durante todo dia.
  • 16 de setembro – 2º Momento de Adoração ao Santíssimo p/ 27º ECC, 20h.
  • 18 de setembro – Missa de Entrega (não esquecer bolachas para ofertório).
  • 19, 20 e 21 de setembro - 27o Encontro de Casais com Cristo do Santuário de Fátima.
  • 25 de setembro – Encontrão, 20h. Avaliação e Depoimentos sobre Encontro.
  • 30 de outubro – Encontrão, 20h. Palestra do Casal Setorial – Estrutura do ECC.

domingo, 27 de julho de 2008

Descobrir alguém leva tempo


Pena que somos superficiais e desistimos facilmente frente ao primeiro desencanto

Como é bonito às vezes parar e analisar as pessoas, seus relacionamentos, suas atitudes, enfim, seus detalhes. A cada análise descobrimos novas dimensões do coração humano.

Partilho com você algo que descobri por meio do ofício de observar: percebi que cada vez mais as pessoas são intolerantes, impacientes e propensas a rotular as outras.

Poucas têm paciência com o outro e muitas, se não alcançam respostas imediatas, desistem da pessoa. Descobrir alguém leva tempo. Pena que somos superficiais e desistimos facilmente frente ao primeiro desencanto. Não é porque a pessoa não sorriu ou porque tenha um defeito latente, que temos o direito de encarcerá-la em um rótulo infeliz. Garanto que muitas vezes você também não conseguiu fazer o bem que queria, nem conseguiu sorrir como queria, tampouco conseguiu amar como desejava, e o que é pior: reagiu como não queria reagir e fez o que não queria fazer. Mas tentou. Mesmo que o resultado tenha sido o insucesso, você tentou acertar.

Acredito que todos querem ser bons e felizes, todos lutam por isso. Ninguém é infeliz porque quer, mas nem todos conseguem ser o que desejam.

Quem lhe garante que palavras ásperas não são um pedido de socorro de alguém que recebeu pouco amor na vida e que pede desesperadamente que você a ensine a amar. Pode ser que as atitudes que o irritam sejam prova do esforço mais profundo de um coração querendo sinceramente fazer o bem.

Mesmo que o amor que você recebe não seja aquele que você queria, nem do jeito que queria... é amor. Pode ser que os gestos de amor que são repugnantes para você seja o tudo que o outro pode lhe dar. Precisamos aprender a acolher o que o outro pode nos oferecer hoje, valorizando o que ele nos oferece.

Não podemos ser cruéis a ponto de destruir em nós aqueles que não nos agradam. O Cristianismo não funciona assim. Aliás, quais foram as pessoas amadas por Jesus, que mereceram o amor d’Ele? Ou melhor: você merece? Eu mereço?...

Adriano Zandoná
artigos@cancaonova.com
Seminarista e missionário da Comunidade Canção Nova.

Publicado no Portal Canção Nova

O Cordeiro e a Santa Missa

A imagem do cordeiro como chave para se aprofundar nos mistérios da santa missa.

Dizia o saudoso papa João Paulo II que a missa é “o céu na terra”. Expressão forte e teológicamente correta; mas infelizmente muito pouco constatada no coração dos fiéis que não raramente, fazem da santa missa uma ocasião de dispersão e repetições mecânicas e vazias de sentido. Muito mais do que mera questão de fé, é necessário dar razões a tal constatação papal para vivênciar a santa missa com toda a intensidade que nos propõem a santa Igreja Católica. Aqueles que se atreverem a se aprofundar pelos mistérios escondidos no véu da liturgia verão que independente de uma possível hora de desconforto, de cantos mal ensaiados, de homilias distantes e de choros de bebês, quando se vai a missa, é ao próprio céu que de fato se visita.

Se a missa é o céu, e se queremos beber direto da fonte, nada melhor do que recorremos ao uso da Sagrada Escritura. Sabemos que de todos os livros da Bíblia, um deles é o que mais se destaca pelos aspectos e atenção que dá as realidades celestes, que é o livro do Apocalipse escrito por São João.

O Apocalipse é um livro que impressiona do início ao fim. Ao narrar sua visão da ação celeste na terra em tempos incertos, São João não poupa nos detalhes e nos dá a certeza de que o que está a contar não pode ter saído meramente de sua cabeça, pois nem uma imaginação fértil de uma criança seria capaz de conceber imagens e figuras tão significativas quanto as que veremos a seguir. Dragões de várias cabeças, cavaleiros voadores, bestas e feras, guerras sangrentas são algumas delas. Mas lendo atenciosamente e deixando de lado séculos de cultura cristã acumulados desde o início do cristianismo até os nossos dias, uma imagem salta mais a vista do que qualquer outro: um cordeiro sobre um trono. Se a primeira vista tal título não soa estranho é porque ainda não nos aprofundamos no tema. Vale lembrar que São João cita esta figura do cordeiro que governa o mundo, 28 vezes em seu texto. Quer dizer: realmente significa algo.

Basta parar para pensar que estamos a falar de Deus, de Jesus Cristo, da segunda pessoa da Santíssima Trindade. Para Ele não faltam nomes e títulos de nobreza: Altíssimo, Senhor dos Exércitos, o Próprio Amor, Rei do Universo, Criador do Mundo, Santidade infinita, Amor Supremo, Soberano, etc. Dentro deste contexto, um título de Cordeiro não soa a coisa mais normal do mundo. E de fato, é porque não é normal mesmo. Dar a um Deus todo poderoso o nome de uma criatura tão frágil e dependente como um cordeirinho é por demais intrigante.

E é desvendando este mistério que encontramos grandes reflexões sobre Jesus Cristo e sua obra redentora. O início dessa busca se dá na própria gênesis da humanidade aonde podemos olhar reflexivamente sobre essa figura do cordeiro. A imagem do cordeiro é a chave para decifrarmos São João no Apocalipse e a própria realidade da missa: entendendo o que significa o cordeiro na história da salvação entendemos o que significa Jesus Cristo na obra salvífica da Eucaristia.

Sabemos bem que desde as mais remotas idades do gênero humano Deus vem treinando o homem para que se acostume a concretizar com atos, e não só com palavras, o seu amor para com Ele. E sabemos que desde os tempos de Caim e Abel, é um costume do ser humano oferecer a Deus como símbolo de gratidão aquilo que tem de melhor. Para um homem agrário e campestre, cordeiros estão seguramente na fila dos sacrifícios mais altos e difíceis que o ser humano poderia render ao seu Deus.

Embora Deus sendo todo espírito, pode muito bem aceitar de bom grado uma oferta material de suas criaturas, afinal de contas, Ele mesmo criou a matéria, deve gostar dela portanto. É claro que para Deus nenhuma oferta é suficientemente digna para que quitemos nossas dívidas com Ele, mas o que mais importa é o simples desejo de que o amemos acima de qualquer criatura e o nosso total desprendimento das realidades terrenas. Essa é a idéia por de trás das ofertas humanas a Deus.

O fato é que pouco a pouco Deus vai pincelando na história da salvação esboços e respingos coloridos do que viria ser a grande imagem de seu filho Jesus Cristo, no Cordeiro de Deus. Quem não se lembra da dramática história do sacrifício de Isaac por Abraão, quando Deus se utiliza da figura do cordeiro, como aquele que dá a vida em substituição do filho amado (Gn. 22,8)? Com Moisés ainda, Deus oficializou na história da salvação a importância dramática que a figura do cordeiro teria a partir de então, já na prefiguração de seu filho que como um cordeiro entregue nas mãos dos homens se sacrificaria a sí próprio pela redenção de todos.

Vemos portanto durante o episódio da visita do Anjo exterminador no antigo Egito, Deus pedindo a Moisés que se celebrasse a primeira páscoa dos hebreus, o dia em que o Altíssimo feriria de morte todos os primogenitos daquela terra para libertar o seu povo da escravidão do Faraó de coração endurecido. Para se celebrar tal páscoa um aliança entre o homem e seu Deus fora consumada no sacrifício de inúmeros cordeiros, que doando o seu sangue para os hebreus poupou este povo das terríveis perdas que se dariam naquela noite (Ex. 12, 1-23). A regra era que se oferecesse cordeiros ao Senhor, que se marcasse todas as portas com aquele sangue inocente e que se alimentassem posteriormente com aquela mesma carne sacrificada. Dito e feito; o Senhor convenceu o faraó pela dor e este autorizou o povo hebreu partir para longe de seus domínios, em busca da terra prometida.

Pois bem, a partir de então anualmente os israelitas, odernados por Deus e para ratificarem sua aliança, celebravam a mesma páscoa em honra dos grandes feitos a sua gente pelo Senhor. Todos os anos tomavam um cordeiro por família, macho, sem defeito, sem ossos quebrados, e o imolavam aos céus em sinal de seu amor e de sua fidelidade. Para agradecer, para expiar, para redimir, para suplicar, e também em outras especiais ocasiões durante o ano, estava sempre a figura do sacerdote como autoridade especial legitimada pelo próprio Deus a Moiséis, para conduzir outros sacrifícios.

Desde esse momento é possível traçar enormes paralelos entre o cordeiro, por assim dizer, do homem, e entre Jesus Cristo, o cordeiro de Deus. Jesus Cristo é aquele que dá o seu sangue todo para impedir a morte do seu povo eleito. É aquele que poupa a humanidade de morrer pelos desméritos de seus pecados, que alimenta a família humana e que protége a todos. É aquele que liberta seu povo da escravidão da morte e do pecado e que lhes entrega uma promessa de uma terra eterna e sem fim. É aquele que renova uma aliança entre a terra e o céu de forma absoluta e perfeita, por sua total entrega e abandonado, inocente, puro, perfeito, dando sua vida pela redenção de todos. É aquele que entrega sua vida pela troca de muitos sem pedir nada em troca, como no episódio de Isaac. É aquele que na cruz tem os ossos poupados por morrer rapidamente para que “se cumpram as Escrituras” (Jo 19,36), tamanho o horror que sofrera, e que um dia antes se dá de comer aos seus na última ceia.

É interessante notar que na antiguidade, anualmente no dia da Páscoa, alguns registros mostrem que mais de 255.000 cordeiros eram sacrificados no templo num único dia (Páscoa de 70 d.C.), e que por baixo, cerca de 400.000 missas são realizadas todos os dias no mundo. Que os cordeiros que eram sacrificados no templo eram preparados com ramo de hissopo e vinagre (Ex. 12, 22; Jo. 19,29), o mesmo preparado oferecido a Jesus durante sua via Crucis. Que Jesus fora condenado na hora sexta, a mesma hora que os sacerdotes iniciavam o preparo da imolação dos cordeiros e que cheio do Espírito Santo e da sabedoria acumulada das escrituras, João Batista já exclamava com autoridade divina a correlação entre Cristo e o cordeiro, como novo e definitivo sacrifício de redenção do homem. Que as orações dos sacerdotes judeus foram mantidas na missa durante o momento do ofertório (Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo vinho que recebemos da vossa bondade, fruto da videira e trabalho humano e que agora irá se tornar… Bendito sejais Senhor Deus do Universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e trabalho humano e que agora irá se tornar …) e que muitos dos primeiros cristãos eram martirizados acusados de canibalismo, tamanha convicção e estranheza de que na missa se comia o próprio corpo de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

A luz dessas realidades, a santa Missa ganha uma nova cor e um novo sentido e é simplesmente impossível ficar indiferente face a tantas místicas realidades escondidas no véu da liturgia. Vejamos por exemplo um trecho da liturgia eucarística IV: “nós vos oferecemos o seu Corpo e Sangue, sacrifício do vosso agrado e salvação do mundo inteiro”. Vejamos também outro trecho extraido da liturgia eucarística I ganhando nova clareza: “Recebei, ó Pai, esta oferenda, como recebestes a oferta de Abel, o sacrifício de Abraão e os dons de Melquisedeque. Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu”. Um olhar atento a missa enxergará inúmeras outras referências a plenitude sacrificial dado por Jesus Cristo como cordeiro santo, como por exemplo a oração do “Agnus Dei” recitada no “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…”, ou nas palavras do sacerdote que apresenta Cristo eucarístico a assembléia reunida na citação de São João Batista: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

São Justino, mártir, escreveu no ano 155 d.C. um importante relato que nos demonstra como a liturgia sacrificial da missa se manteve praticamente intacta desde os tempos apostólicos, até os nossos dias, e como longe de ser um amontoado de regras e formalidades, a celebração eucarística é divina no conteúdo e na forma, e como desde o início do cristianismo era preciso comer o corpo do cordeiro de Deus para se ratificar a nova aliança como nos tempos de Moisés:

1.No dia dito do sol (domingo) reúnem-se em um mesmo lugar todos os cristãos, os que residem nas cidades e os que residem no campo.
2. O leitor lê trechos tirados das memórias dos Apóstolos (Novo Testamento) e dos livros dos Profetas (Antigo Testamento).
3. Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para explicar aos presentes o que foi lido e exortá-los a pôr em prática tão belos ensinamentos (homilia).
4. Em seguida, levantamo-nos todos e dirigimos a Deus orações e súplicas (súplica insistente ou ecteni, após o Evangelho).
5. Suspendendo as orações, abraçamo-nos uns aos outros (Ósculo da paz).
6. Depois levam àquele que preside a reunião dos irmãos em Cristo, pão e um cálice contendo vinho, misturado com água (Procissão do ofertório).
7. O Presidente toma o pão e o cálice, louva e glorifica o Pai do universo em nome de seu Filho e Espírito Santo; dirige-lhe abundantes ações de graças por ter-se dignado dar-nos estes dons (Anáfora).
8. Terminada esta ação de graças (Eucaristia) todos os presentes exclamam: Amém.
9. Depois os ministros que chamamos diáconos distribuem a todos os presentes o pão da Eucaristia e o vinho misturado com água (Comunhão). Estes mesmos diáconos levam aos ausentes sua parte do pão e do vinho eucarísticos.
10. Por fim, os ricos socorrem os indigentes (Coletas).

É por isso que importa conhecer e reconhecer cada um dos significados da Santa Missa para vivenciarmos tudo quanto Cristo, que ensinou a divina liturgia aos apóstolos, desejou para a humanidade. Na Santa Missa, Cristo toma o lugar do cordeiro santo, aquele que se oferece a humanidade pela expiação dos pecados do mundo, e toma lugar do sacerdote oferecendo-se a sí mesmo em sacrifício perfeito para redenção de todos. Cada parte da missa concorre para o encontro com o Cordeiro que irá no altar ser imolado. Não é a toa que o Concílio Vaticano II chama a sagrada liturgia de o "cume para qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força".

No ano 215 d.C. Hipólito deixou-nos, como Justino, um roteiro da liturgia que rezamos ainda nos dias de hoje: “O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós. Corações ao alto. O nosso coração está em Deus. Demos graças ao Senhor. É nosso dever e nossa salvação”. Vejam que grande e que significativo pode chegar a ser a santa missa. Mediante esses sinais sensíveis presentes na sagrada liturgia chegamos a contemplar com toda a riqueza e plenitude os mistérios do amor de Deus pela nossa humanidade. Compreender tudo o que essa mesma liturgia nos oferece é chegar com maior rapidez e eficácia espiritual a esse cume, a essas alturas sagradas para onde nosso coração e nossa alma buscam sem cessar: a própria essência de Deus.

Reunir em nome do Deus Trino (Saudação), confessar as culpas (Ato Penitencial, Mt. 15,22), agradecer o perdão (Glória, Lc. 2,14), ouvir sua palavra (Leituras, Salmo de Resposta e Evagelho, Rm. 10,17), reafirmar a fé (Profissão da fé), pedir ao Senhor (Oração dos Fiéis), oferecer nossos dons (Ofertório), louvar a Deus pelo seu Filho presente (Oração Eucarística), receber o Pão da Vida nossa salvação (Comunhão) e ser abençoado partindo na missão de viver a fé na vida cotidiana (Benção e Despedida) é o que significa participar da Santa Missa verdadeiramente.

Acima de tudo é preciso resgatar, e não subestimar, toda a obra salvífica feita por Deus no período anterior a encarnação, que magnificamente complementa com novos sentidos e orientações toda a vida de piedade cristã. Que nossa próxima visita a uma igreja católica nos revista da imagem do próprio Isaac, que ao subir para o altar aonde seria imolado, encontra alí um cordeiro que dá a vida em seu lugar. Que em nossa próxima participação da santa missa, sejamos revestidos dos olhos de Moisés, que enxergou no sangue daqueles cordeiros, a salvação e a proteção do seu povo: de suas vidas. Que sobretudo, na nossa próxima Eucaristia, façamos essa grandiosa descoberta na pessoa de João Batista de também poder exclamar: “Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. E sem dúvida alguma, seremos felizes, pois seremos os “convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19, 9).


Fonte: Veritatis Splendor - por Silvio L. Medeiros

sábado, 26 de julho de 2008

Tenho medo do casamento


Haverá momentos em que precisaremos assumir um compromisso mais sério com alguém, e o nosso dilema será saber se estamos fazendo a melhor escolha. Certamente, essa hesitação seria menor se fosse possível adivinhar as conseqüências de nossas opções; o que é praticamente impossível. Fica a nosso critério apenas tentar descobrir os procedimentos para melhor alcançar nossos propósitos.

Os bons resultados de um trabalho são alcançados por meio de boas ferramentas e de um plano de ação. Para alguém que deseja roçar um campo, mesmo possuindo os equipamentos necessários, ainda assim, poderá ser surpreendido com chuvas ou outras interferências, as quais não dependem de sua vontade. Da mesma maneira, na vida conjugal, por melhor que sejam os nossos projetos, precisamos estar cientes de que também estaremos sujeitos a certas situações que não foram previstas, mas que poderão ser solucionadas com o empenho de ambos.

Para quem vive o namoro há algum tempo, por vários momentos já deve ter conversado sobre o futuro do relacionamento. É no amadurecimento e no tempo de convívio que os casais obterão subsídios suficientes para acolher a proposta de uma vida matrimonial. Assumir a vida conjugal será sempre uma tarefa desafiadora, pois independentemente do estado social ou financeiro, este compromisso une as pessoas num único sentimento. É pensando nisso que, talvez, a maioria das pessoas hesite diante de uma proposta de firmarem para sempre seu relacionamento.

O medo de enfrentar o “desconhecido”, as histórias de crises conjugais e o peso das responsabilidades somados às estatísticas, que apontam o crescimento de casais divorciados, podem realmente intimidar os nubentes. Isso não significa que as causas que justificaram os insucessos do casamento de outras pessoas estarão também condenando à falência o propósito do casal de enamorados.

O amor exige, de todos, disposição e coragem para romper com suas próprias limitações. Acreditar que o casal está isento de imperfeições ou que por toda a vida conjugal viverá, a cada segundo, em perfeita harmonia sem empreender esforço algum, pode ser um grande engano. Sabemos que, ao longo do convívio, nem sempre os elaborados planos vão dar certo; mas a decisão comum do casal em viver seus propósitos, a fim de alcançar seus objetivos, os fará assumir uma nova atitude diante de cada novo problema.

Decidir-se pelo casamento, entendendo que o relacionamento pode ser diferente, é o que diferenciará nossas opções e nos dará forças para lutar pela felicidade conjugal ao lado da pessoa que escolhemos para partilhar nossa vida.

Um abraço, sem medo de ser feliz.

Dado Moura

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Procuram-se intercessores


Deus procura pessoas que tomem a defesa de seu irmão

Deus ouve as orações dos pecadores. Quanto mais forem importunas e perseverantes nossas orações, tanto mais agradarão a Deus. Quando Nossa Senhora apareceu em Fátima (Portugal), disse aos Pastorinhos que muitas almas iam para o inferno por falta de quem intercedesse por elas; e lhes pediu oração e penitência.

Os que tiveram um encontro pessoal com Deus já não devem se dar ao luxo de pedir a Deus vinganças disfarçando-as sob o nome de justiça. Explico-me melhor: não foram poucas as vezes em que escutei pessoas que, dedicadas ao serviço de sua comunidade, foram se magoando com as estruturas e com os irmãos. Com o passar do tempo, a mágoa se transformou em rancor; e o rancor, em ódio. Sentindo-se injustiçadas, desejavam o mal e pediam a Deus o castigo para os responsáveis por sua dor. Que bom! Ao menos tinham a coragem de desabafar com o Senhor! Mas Deus quer justamente o contrário disso. O amor tudo desculpa. Deus procura pessoas que, em seu coração, tomem a defesa de seu irmão, ou sofram e se penitenciem por ele a fim de que ele encontre a salvação.

Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e tua família. Quanta esperança contida nessa promessa de Deus! Quantos adotaram esse lema e até mesmo o penduraram na parede de sua casa, em seu escritório, no carro, e confessam decididos. Mas crer em Jesus não se resume em saber que Ele existe e é Deus; estende-se também em crer em Sua Palavra e obedecer a Seus ensinamentos. Como temos refletido, é a Palavra de Deus que nos abre os olhos e o coração para a realidade e a necessidade de intercessão. Daí é bom perguntar: Tenho intercedido por minha família? Procuro defender diante de Deus os que amo? Ou os seus erros e defeitos me têm levado a clamar a justiça de Deus contra eles?

O Senhor fica pasmado ao ver que há pessoas que já não intercedem mais, nem mesmo pelos seus, e se espanta de que haja pessoas conformadas com este mundo e que não rezam por sua transformação. "Ele viu que não havia ninguém, admirou-se porque ninguém intercedia" (Is 59,16).

Não basta pedir a graça da salvação. É necessário pedir sempre, até alcançar a vitória prometida por Deus unicamente aos que a pedirem constantemente até o fim.

Hoje ainda podemos consolar Nosso Senhor assumindo com Ele o propósito e o compromisso da intercessão. Ele nos capacitará e nos ensinará. Ele nos dará a fidelidade necessária se a Ele dermos o nosso querer.


Márcio Mendes
marciomendes@cancaonova.com

(Artigo extraído do livro "Quando só Deus é a resposta").

Não desperdice o seu sofrimento!


É preciso que aprendamos a sofrer

Umas das coisas que mais impressionavam em Jesus era a capacidade que Ele tinha de se compadecer do sofrimento das pessoas. Ele olhava para cada pessoa em particular e vivia junto com ela os seus sofrimentos. Independentemente do que vivemos, Jesus sempre está unido a nós, pois Ele tem um olhar especial pelos que sofrem. É no sofrimento que mais parecemos com Ele.

Vivemos em um mundo que busca o prazer a qualquer custo, no qual a idéia de prazer foi vinculada à felicidade. Por isso, falar de sofrimento é ir contra a correnteza. Acredita-se que somente seremos felizes se tivermos prazer em tudo o que fazemos. Dessa forma, o sofrimento virou sinônimo de infelicidade.

O cristão é convidado a mostrar ao mundo um testemunho diferente. Mostrar que se colocamos sentido e significado aos nossos sofrimentos, neles encontramos a felicidade. Talvez o maior problema hoje seja este: as pessoas andam desperdiçando o seu sofrimento.

Se eu dou sentido ao sofrimento que vivo, santifico-me. Você é quem escolhe o sentido que você vai dar a essa palavra na sua vida. Quantas pessoas – com doenças graves – encontraram sentido para suas vidas a partir do momento em que começaram a ajudar outras pessoas com o mesmo problema.

O que tornou tantos homens e mulheres santos na história não foi o sofrimento que viveram, mas o sentido que eles deram ao seu sofrimento. Aprenderam a não desperdiçar esses momentos para se aproximar de Deus e dos outros.

É preciso que aprendamos a sofrer. É preciso que coloquemos sentido aos nossos sofrimentos. Uma mulher que vai dar à luz uma criança sofre, mas ela não pensa nas suas dores, ela só pensa no filho que carregará nos braços e verá crescer. A mãe entende que a alegria que virá depois será muito maior que o sofrimento presente. São Francisco de Assis já dizia: "É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer" .

Não há sofrimento grande ou pequeno. Qualquer sofrimento é capaz de levá-lo à santidade e lançá-lo ao céu. Assim, é preciso que cada um de nós aprenda a viver intensamente as visitas de Deus nos momentos de dor.

A escolha é de cada um. Sofrer por sofrer ou sofrer com sentido – mesmo nos momentos de dor. Use do seu sofrimento para ir além de suas limitações, para ir além do que você se vê capaz de fazer ou viver. Supere-se!

Se você não desperdiçar o seu sofrimento, surgirá em seus lábios um sorriso capaz de ressuscitar a muitos que estavam a ponto de morrer. Isso é santidade. Não desperdice o seu sofrimento!

Artigo extraido do blog.cancaonova.com/riodejaneiro

Deus abençoe!

Seu irmão,

Renan Felix