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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O momento certo para a crítica
Do lado de quem recebe críticas, as reações também são sempre subjetivas. Há momentos em que são até bem-vindas - a pessoa está mais aberta e as aproveita para se reformular. Em outros, a crítica provoca vergonha, raiva, irritação e depressão.
Há pessoas que reagem a ela com o sentimento de "deixa pra lá"; outras, porém, se arrasam. Se o criticado é forte, consciente de seu próprio valor, saberá receber a crítica naturalmente, sem grandes sofrimentos. Pode até se contrariar e rebater, mas não se sentirá derrubado nem agredido. Porém, se a pessoa estiver atravessando uma fase difícil de sua vida ou for alguém inseguro e complexado, a crítica é péssima e vai de fato machucar.
Qualquer ser humano tem o direito de emitir suas opiniões diante de um comportamento, de uma atitude ou de uma realização do outro. Entretanto, ninguém pode arrasar algo só porque não gostou ou destruir outro ser humano só pelo prazer de ver a sua ruína. Nesse sentido, é necessário separar bem as duas formas de crítica: a construtiva, feita por amor, com carinho e interesse pelo outro; e a destrutiva, feita com ódio ou rancor, para agredir, derrubar e humilhar.
Há críticas maravilhosas, belíssimas. Elas nem seriam críticas, mas verdades ditas em momentos de encontro, de orientação, de ajuda, de troca. Quem critica bem, critica a sós. Chama o outro e diz: "Olha, assim não tá legal. Você tem capacidade de fazer diferente, de fazer melhor. Que tal tentar de novo; fazer outra vez?" Quem critica positivamente, critica mansamente, pensando em acertar, em elevar o outro.
O problema é que existem sempre os críticos que opinam com o dedo em riste, que só sabem ver o lado ruim do outro e têm sempre uma palavra azeda, venenosa, na ponta da língua. Esses críticos ferrenhos e constantes são, em geral, pessoas negativas, agressivas, complexadas. Elas não criticam por amor, mas com arrogância, maldade, vingança e inveja. E, provavelmente, se ocupam muito da vida alheia, porque a delas é um eterno vazio.
Um exame de consciência sobre o assunto não faz mal a ninguém. Por que não procurar as coisas boas que existem? Por que não ver o lado positivo das pessoas? Não seria mais fácil e gratificante viver dessa forma? Se existem várias formas de criticar, por que não escolher as melhores?
Uma mãe, por exemplo, pode chegar para o filho e dizer: "Você é um inútil, um incompetente, um irresponsável. Não presta para nada". Provavelmente tais palavras não contribuirão para sua mudança de comportamento. Por que diante da mesma situação, a mãe não opta pelo lado da compreensão e do diálogo? Elogiar o filho, exaltar sua inteligência e bondade, e só depois apontar o erro, convidando-o a refletir: "Por que você fez isso? Será que não existe outra forma de agir?" Quem faz uma crítica assim, construtiva, não está pensando em si mesmo, mas no outro, no bem comum e, certamente, essa é a grande diferença.
A aceitação de uma crítica depende de como ela é feita, da pessoa que a faz, do momento e do motivo pelo qual é colocada. Mesmo assim, sempre se pode aprender alguma coisa com ela. A observação do outro, mesmo que maldoso, pode servir de alerta sobre nossos defeitos ou, no mínimo, como um ensinamento sobre a inveja e a maldade humanas.
Quem tem segurança e maturidade sempre analisará a crítica recebida e considerará se há nela algum dado importante para o seu autoconhecimento ou para o conhecimento das pessoas que o cercam. O duro é que, na maioria das vezes, as críticas são feitas com a intenção de arrasar e, quando elas nos pegam num mau momento, fica difícil superar.
O jeito, então, é esfriar a cabeça e deixar para pensar nelas depois que toda exaltação foi superada. Vale lembrar que saber aceitar ou fazer crítica é uma arte que precisa ser cultivada por todos nós.
MARIA HELENA BRITO IZZO é psicóloga e terapeuta familiar.
Fonte: Revista Família Cristã.
Publicado no Portal A Catequese Católica
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Não desista da sua família!

“Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior.” (Efésios 3, 14-16).
A família tem sua origem em Deus criador de todas as coisas. Portanto, sua origem é Divina. Não foi a Igreja , nem o homem e muito menos a sociedade quem inventou a família.
Sendo a família instituição Divina – “...ao qual deve a sua existência toda família...” – ela precisa se esforçar continuamente em viver sua plena identidade, ou seja, ser aquilo que Deus sonhou para ela; por isso, diz João Paulo II: “Família, torna-te aquilo que és.” (Familiaris Consortio, 17). Isto significa: “Família, viva a vontade de Deus. Viva o projeto de Deus a seu respeito. Deixe Deus ser a vida e o centro de sua existência. Não negue sua identidade, sua origem divina. Deixe Deus ser Deus em teu seio.”
Muitos são os desafios que desagregam a família e que a fazem perder o rumo, ou a identidade. Existem intenções malignas por trás de muitas ações na sociedade e principalmente dos meios de comunicação querendo desfigurar, descaracterizar a família. Até mesmo com idéias de novos modelos de família, o que contraria o projeto de Deus, como se Deus fosse incapaz de criar um modelo perfeito, ficam inventando outros modelos como se fossem soluções para nossos problemas, mas são apenas para encobrir a vida de pecado, justificando-a como uma verdade e querendo enquadrar Deus nestes padrões.
Ao contrário, nós é que temos de enquadrar nossas famílias ao projeto de Deus. Somente assim seremos famílias felizes. Só é feliz a família que vive procurando fazer a vontade de Deus. A verdadeira identidade da família está em Deus, aquilo que ela é e aquilo que ela deve ser – “Família, torna-te aquilo que és.” – e para alcançar esta identidade cada família precisa viver uma espiritualidade forte, buscando na fonte, que é o próprio Senhor, a força necessária para lutar contra os males que a atingem. Por isso, é que neste sentido o Senhor derrama sobre as famílias o seu Espírito, que é, no dizer de João Paulo II, a força interior que capacita cada família para viver o amor (cf. Carta às Família, 4). Como vimos acima S. Paulo nos dizer:
“...que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior.”E justamente pela falta dessa “força interior” é que muitas famílias desistem de lutar. Entregam-se, rendem-se ao inimigo que de diversas formas vai fazendo “minar” as forças dessas famílias.
Por isso, digo hoje a você que passa por momentos difíceis, até mesmo, situações dificílimas e que estão te fazendo desistir de continuar lutando pela sua família: NÃO DESISTA DE SUA FAMÍLIA! Talvez você esteja desistindo e não esteja agüentando mais por não ter armas mais fortes e nem mesmo forças para enfrentar as potentes armas e armadilhas do maligno. Mas o próprio Senhor te dá a força maior, o seu Espírito para que sejais poderosamente robustecidos.
Peço hoje ao Senhor, que derrame sobre você e sua família o Espírito Santo. Que sua mente e seu coração fiquem inundados de sua presença e desfaça qualquer sentimento ou intenção de desistência, de derrota, de pensamentos negativos, de toda contaminação maligna. Que o Senhor cure toda enfermidade de sua família, a falta de diálogo e perdão, os vícios, a violência, o adultério e providencie tudo que for necessário. Que você e sua família sejam abundantemente abençoados e com a luz do Espírito Santo encontrem o caminho da verdadeira identidade no amor de Deus.
Por isso, mais uma vez eu te digo: NÃO DESISTA DE SUA FAMÍLIA! PORQUE DEUS NÃO DESISTIU DELA!
Que a Sagrada Família os abençoe!
Italo J. Passanezi Fasanella
Fundador e Moderador Geral
Comunidade Católica Sagrada Família – S. Paulo
www.sagradafamilia.org.br - o site da família.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Notícias do Céu

Hoje, pensei em tantos que também precisam receber notícias do Céu
Recordo-me vivamente daquela manhã chuvosa quando entrei no estúdio da Rádio cantando um trecho da música "Vitória de Deus" de autoria do Pe. Fábio de Melo. Não imaginei que o gesto tão simples iria causar grande efeito na vida do colega, que parecia nem me ouvir, enquanto concentrado trabalhava naquele espaço. É que já há alguns dias eu estava ruminando a letra dessa canção e meu coração estava povoado de suas palavras. Então, sem perceber, dei vida ao ditado popular que diz: “A boca fala do que o coração está cheio”, e cantei com naturalidade:
“Eis que trago notícias do céu
Deus resolveu te fazer vencedor
Ergue os olhos, destranca tua voz
Vem receber novas vestes de luz
E declara comigo a vitória de Deus...”
Admirado, o colega parou o que estava fazendo e pediu que repetisse o que havia cantado, ouviu–me atentamente e depois testemunhou: "Foi isso que aconteceu comigo, Deus resolveu me fazer vencedor!" Ainda com outras palavras, partilhou naquele momento, fragmentos de sua história, na qual, com facilidade, contemplamos a vitória de Deus e O glorificamos juntos.
Hoje, quando pensei em escrever mais um texto, lembrei-me daquela experiência e pensei em tantos que também precisam receber notícias do Céu. Talvez você seja um desses casos... Então, pego emprestadas as palavras do Pe. Fábio para dizer que há muito tempo Deus resolveu fazê-lo vencedor e hoje lhe envia este recado:
“Deixa que a aventura de ser gente te evolva
Prepara o que serás no que és
Não prenda os teus olhos nos olhares que te acusam
Esquece a voz que te condenou
Nunca te aprisiones nos teus medos e receios
Nem sê refém de quem não sabe amar
Não, não te condenes a morrer com teus defeitos
Nem use a expressão não vou mudar
Pois a cada instante é possível crescer
Retirando excessos do ser
Aprimora o teu jeito de ver e de ouvir
E do amor tão perto estarás
Eis que trago notícias do céu
Deus resolveu te fazer vencedor...” ( Pe. Fábio de Melo – CD "Filho do Céu").
Talvez seus dias estejam preenchidos pelas inúmeras atividades e lhe falte tempo para receber notícias do Céu. Mas Deus que sempre vai além... passando por mim lhe envia recados. Se quiser, faça hoje mesmo a experiência de contemplar as vitórias de Deus em sua vida e tome posse da sua condição de vencedor.
O amor que levou Jesus à morte e à ressurreição para nos salvar é sempre a garantia de nossa grande vitória sobre o mal. Eis a melhor notícia do momento, sejamos propagadores dela!
Dijanira Silvadijanira@geracaophn.com
Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal Trabalha na Rádio CN FM 103.7
Artigo publicado originalmente no portal da Canção Nova
terça-feira, 20 de novembro de 2007
"... sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." (Rm 8, 28)

"... sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." (Rm 8, 28)
Verdade, promessa, experiência, sugestão?
Paulo falou aos cristãos daquela época, e fala pra nós hoje. É promessa de Deus, e verdade de fé. É experiência de quem viveu essa realidade e sugestão para nós que ainda caminhamos rumo à glória futura, a Jerusalém Celeste, à casa do Pai.
Podemos questionar, como há um bem? Em meio a tanta dor, tanto sofrimento, problemas nas famílias, na comunidade, na Igreja? Vamos voltar ao contexto em que este texto foi escrito, assim poderemos entender o que Paulo nos quis dizer.
Voltando um pouco na carta veremos
"Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada." (Rm 8,18).Era justamente neste contexto que Paulo afirma com tanta convicção e propriedade que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. Paulo não fala do "bem" como conforto, alegria, facilidade, fartura. Ele como um sofredor de açoites, prisões, perseguições não seria alheio a esses sofrimentos para dizer que isso seria um bem.
O bem que nos fala é superior aos bens desse mundo. O bem é a conformação à Jesus que as dificuldades, tribulações nos dão "os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho" (Cf Rm 8,29). Se passamos dificuldades neste mundo é para que nos conformemos a Jesus.
Se está difícil de entender, vou ser mais prático. Sabe aquele irmãozinho na Igreja que tem a enorme capacidade de lhe tirar a paciência. Pois você que foi "chamado segundo o propósito de Deus, e predestinado para ser conforme a imagem de Jesus", saiba que este irmão deve lhe formar na paciência e no amor.
Se hoje sofremos tribulações, é porque precisamos ainda ser melhores, pacientes, esperançosos, misericordiosos. E se você me diz, como é que uma criança com fome na rua concorre para o bem dos que amam a Deus? Ela não ama a Deus? Não foi chamada? Eu lhe digo foi sim. Ela é vítima daqueles que não aceitam o chamado à conformidade com Jesus. E eu e você que fomos chamados, devemos agir, amar e acolher esta criança. A fome desta criança irá concorrer para que eu me conforme a Jesus no amor.
"Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe" (Mc 9,37).
Então, devemos aprender que as dificuldades com os pais, com os amigos, na comunidade, na Igreja, no trabalho, na faculdade, na escola, com a família, não devem ser motivos de quedas para nós. Precisamos gravar em nosso coração que tudo o que acontecer conosco é para o nosso "bem". Não é em vão, tem um objetivo. Nossos sofrimentos atuais nos conformam a Jesus. Conformar: "do Lat. Conformare, formar, dispor, configurar; conciliar, harmonizar, amoldar-se; identificar-se".
Tenho me deixado "conformar" a Jesus, no meu estado de vida? Na minha vocação específica?
Isto justifica as palavras de quem é provado justamente no seu carisma, na sua vocação! Porque foi chamado para "nisto" ser conformado a Jesus. É difícil, mas, que nosso SIM seja SIM, e nosso NÃO seja NÃO!
No tempo do advento, que breve entraremos na santa liturgia da Igreja, precisamos perceber quais "coisas" têm concorrido para o meu "bem", segundo o "propósito" de Deus pra mim.
Nos consagremos à Virgem das Graças, que formados por Ela, sejamos cada vez mais semelhantes à Jesus! Essa é nossa meta!
(edgarnlima@gmail.com)
Comunidade Rahamim
Novembro/07
domingo, 18 de novembro de 2007
O dom da benção
Caríssimos,
hoje ouvindo algumas palestras no portal da Canção Nova, ouvi uma linda palestra do Padre Léo sobre o poder da benção, e aí bateu uma saudade dos tempos de férias na casa da Vovó em São Gonçalo... Foi um tempo muito feliz, cheio de travessuras e brincadeiras, mas também um tempo de muito crescimento e aprendizado, embora à época eu nem mesmo percebesse esse crescimento. Mas o fato é que cresci muito. E aprendi um bocado. Um desses aprendizados estava num gesto muito simples... a benção do Vovô e Vovó a toda a família. Sempre fazíamos isso em casa, e lá em São Gonçalo vi onde a Mamãe aprendera aquele belíssimo ritual de benção e consagração de nossa família. Lá em casa sempre recebíamos as bênçãos da Mamãe e Papai quando íamos dormir, cada um em seu quarto. Mas em São Gonçalo isso acontecia de uma forma muito especial.
Após a novela das 8, Vovô apagava as luzes do alpendre... esse era o sinal para entrarmos. Portas fechadas, todos íamos dormir. Dormíamos na sala (eu e meus primos), e quando o Vovô apagava a luz do seu quarto, começava aquela cantoria de bênçãos. Era um “bença Vô, bença Vó!” que vinha de todos os cantos da casa e que transpassava por sobre as paredes, e enchia todos com uma sensação muito gostosa, e que na época não sabíamos bem o que era. Mas essa sensação gostosa era a benção de Deus caindo sobre nós através do “Deus te abençoe e faça feliz!” dito pela Vovó e Vovô. Naquele momento, éramos consagrados e abençoados.
Meus avós foram abençoados por seus pais, e com as graças e bênçãos recebidas abençoaram seus filhos, meus pais. Meus pais me abençoavam (e continuam abençoando), e hoje eu abençôo meu filho com a mesma felicidade.
Pena que hoje não vemos muito isso. Essa cultura bela e santa de abençoar seus filhos está se perdendo com o tempo... está sendo trocada por outras “tradições modernas” (a TV, por exemplo). Mas por que isso está acontecendo? Por que a dádiva de abençoar seus filhos está se perdendo... está sendo esquecida?
Caríssimos, não deixemos de abençoar nossos filhos. E não façamos isso por tradição ou preservação de cultura ou raízes, e sim por absoluta convicção de que esse ato santo de fato lança sobre nossos filhos as bênçãos de Deus. Estejamos absolutamente certos que as bênçãos de Deus estão em nossas mãos. Abençoemos nossos filhos a cada instante... ao acordar, ao deixá-los na escola, aos revê-los da volta do trabalho, ao colocá-los para dormir, e aos despertar de um novo dia para um novo ciclo virtuoso e santo de bênçãos.
Deus nos abençoe!
Para ouvir a pregação do Pe. Léo na íntegra, faça uma pausa na FM Círculo Verde (lá em baixo, no canto inferior esquerdo do nosso blog), e clique AQUI.
sábado, 17 de novembro de 2007
A missa dominical
A fidelidade às orientações e exigências da Igreja são fundamentais para ser membro vivo da obra de Cristo
O cumprimento do dever de participar da Missa cada domingo e nos dias santos de guarda é um dos sinais de uma vida religiosa autêntica. Diz o "Catecismo da Igreja Católica" (nº 2.181): "Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação, cometem pecado grave". A fidelidade às orientações e exigências da Igreja são fundamentais para ser membro vivo da obra de Cristo. A participação semanal ao Santo Sacrifício é importante fator, que nos alimenta em nossa fraqueza com a fortaleza que nasce da Eucaristia.
Esse amparo espiritual faz-se mais significativo em nossos dias, pois uma mentalidade errônea sobre a liberdade favorece a escolha de elementos eclesiais a critério dos indivíduos e não segundo o ensino de Cristo. E, assim, organizam uma religião que é católica apenas de nome. Torna-se mais grave quando o cristianismo é manipulado por opções ideológicas. Um referencial é a palavra do Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil. A homilia em Aparecida, em 5 de julho de 1980, nos ajuda a discernir o verdadeiro do falso nessa matéria: "Qual é a missão da Igreja, se não a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis? (...) E este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem, certamente, incidências na história humana, coletiva e individual, mas é fundamentalmente anúncio da libertação do pecado".
Prejudicando seriamente o plano de Deus, há os que reduzem a Igreja à tentativa da construção de uma sociedade sem injustiças e outros que se limitam a uma espiritualidade sem um profundo vínculo com a superação dos males, inclusive sociais frutos do pecado. A orientação correta é a que decorre dos ensinamentos de Jesus autenticamente transmitidos pela Hierarquia.
A valorização da assistência à Missa, dentro de um contexto comunitário e especialmente em dias de preceito, sofre com essas tendências. Tal é a importância do assunto que o Papa foi levado a publicar precioso documento, a Carta Apostólica "Dies Domini", com data de 31 de maio de 1998, dirigida ao Episcopado, ao Clero e aos fiéis sobre a santificação do domingo.
Os primeiros cristãos necessitavam de boa dose de heroísmo para viver a sua fé, em virtude do ritmo dos dias do calendário. O grego e o romano não propiciavam aos fiéis o tempo livre do domingo e, em conseqüência, estes celebravam os Ofícios divinos na madrugada. Os costumes evoluíram à luz do cristianismo nascente. No século III, um autor escreveu o que já então se constatava em toda a região: a santificação do domingo já era observada. No entanto, ainda no século IV, um grupo de cristãos foi levado a um tribunal pelo delito de participar de reuniões ilícitas - no caso, a Celebração Eucarística. A resposta foi clara e peremptória: "Temos celebrado a assembléia dominical por que não nos é permitido omiti-la". E morreram mártires de sua Fé.
O costume, (mais tarde, preceito) da assistência à Missa aos domingos e dias santificados vem, pois, das origens do cristianismo. Hoje, essa presença que caracteriza o católico deve ser objeto de um exame de consciência.
No decorrer desses dois milênios persistiu o preceito do primeiro dia da semana, em modalidades variadas. Constitui parte integrante da própria existência do fiel. Há causas que o escusam. Entre elas, a ausência do Ministro ordenado. Nesses casos, o fiel é exortado vivamente – portanto, conselho e não estrito dever - a participar da Liturgia da Palavra. O Código de Direito Canônico (can 1.248) recomenda, de modo claro, a dedicação de um tempo a atos piedosos que santifiquem o Dia do Senhor. No entanto, a assistência à Missa, mesmo fora da paróquia, é obrigatória, desde que não haja grave incômodo para dela não participar.
A obrigação perdura. O Código do Direito Canônico também afirma: "É grave encargo a assistência à Missa aos domingos e festas de preceito. Somente uma causa suficiente a dispensa e, mesmo assim, recomenda-se substituí-la por práticas religiosas”. Trata-se de "recomendação" (cânones 1.247 e 1.248).
Infelizmente, no período pós-conciliar surgiu a falsa informação de ter sido abolido o dever de assistência à Missa aos domingos e dias santos, como também a abstenção dos trabalhos servis no Dia do Senhor.
O "Catecismo da Igreja Católica" (nº 2.181) usa como exemplos dos motivos sérios, relevantes, que dispensem da obrigatoriedade da observância do Dia do Senhor, inclusive da Santa Missa: "Doença, cuidado com bebês", a que se poderiam acrescentar outros assemelhados, como "distância do local da Santa Missa" que, acarretasse incômodo de vulto a quem a percorresse. E, como se trata de uma participação comunitária, não cumpre esse dever quem assiste a transmissão pela televisão ou rádio, mesmo que seja de grande proveito espiritual. De modo particular, beneficiam-se os enfermos e encarcerados, impedidos de chegar a uma igreja. O mesmo se diga dos que residem distantes dos templos.
A importância da fidelidade ao preceito grave da assistência à Santa Missa se origina do valor infinito do Santo Sacrifício, explicitado pelas palavras do Santo Padre em "Dies Domini".
Santificar o Dia do Senhor – assistência à Missa dominical e repouso semanal – favorecendo inclusive a vida familiar – é contribuir para a paz e a convivência pacífica na comunidade. Aproxima-nos do Senhor e abre novas perspectivas a uma autêntica vida cristã.
Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Publicado originalmente no Portal da Canção Nova
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Descubra você mesmo quando rezar
Cada pessoa passa por momentos particulares na vida, que segue o seu ritimo. É preciso descobrir também o próprio ritmo de oração, fazer encontro com Deus um encontro personalizado. Deus não é uma idéia nem uma energia impessoal, como o calor do sol ou a brisa do vento. Ele é uma pessoa viva e verdadeira com quem podemos e devemos dialogar. É necessário tratar Deus como o melhor amigo que temos e recebe-lo dentro de nós numa atitude de acolhida, preparar para Ele um espaço na nossa vida. Os hóspedes sempre devem ser recebidos bem. Devemos acolher a Deus e ter consciência de que Ele tem um único desejo: nos amar e fazer a nossa vontade.
Santa Terezinha é um modelo de oração. Ela diz: “nunca passei mais de três minutos sem pensar em Deus!”
Gostaria de poder apresentar algumas indicações de quando você rezar, deixando a liberdade de ampliá-las como mais lhe agradar. Todo caminho não pode ser estático ele deve ser dinâmico, aberto para introduzir outras motivações e tirar algumas que, em determinado momento, já não nos dizem mais nada. Nós mudamos muito. Não seria conveniente usar no inverno roupa de verão e nem no verão, roupa de frio. Nossa oração deve corresponder às exigências que encontramos no caminho da vida.
Antes de iniciar a sua oração, faça silêncio dentro e fora de você para perceber o impulso da sua vida interior. Do que você necessita hoje? Como quer viver o tempo que o Senhor lhe dá.
O seu encontro com Deus não pode ser um instante fugaz e rápido, mas constante e permanente. Da sua situação humana, afetiva, psicológica, social, vai depender também o seu modo de rezar, de pedir, de dialogar com Deus. Há pessoas que rezam sempre a mesma oração pedindo chuva, mesmo quando há enchente que atrapalha tudo e provoca desastres. E se justificam na maneira de rezar: “em qualquer lugar do mundo devem existir lugares que precisa de chuva!” A minha oração tem um caráter universal, mas Jesus nos ensinou em várias circunstancias a historicizar a nossa oração, faze-la nascer da vida concreta, do dia-a-dia.
Já foi dito várias vezes que a oração não pode ser restrita a momentos particulares. É a vida que deve tornar-se oração, devemos colocar-nos continuamente na presença de Deus que orienta e sustenta o nosso caminho. È importante ter sempre em nossa frente a Bíblia e acompanhar, por meio de sua leitura meditativa, a história do povo que vai a caminho de terra prometida percorrendo noites, desertos, até chegar a conclusão de que a felicidade que Deus oferece não é a de situações baratas. Exige de nós constantes renuncia, “um saber dizer não” a tudo o que nos afasta de Deus e assumir a verdade como único caminho.
O ser humano, na sua caminhada sobre a terra, se depara com aquelas situações obscuras que tornam impossível continuar o caminho sozinho, é preciso Deus. Sem Deus não há uma visão completa e harmoniosa da existência humana. Muitas vezes, nos encontramos em situações em que nos sentimos tão pobres que necessitamos de Deus como a terra precisa de água para viver, as plantas, do sol, e a vida, de amor.
Na verdade, só Deus é força. É preciso nos convencer de que só Deus –Pai, Filho e Espírito Santo é a fonte de nossa felicidade e sé Ele pode mudar, como diz o salminsta, a “sorte de nossa vida”.
O caminho depende de nossa fidelidade e amor. Deus sozinho não age, precisa de nossa cooperação, do nosso sim.
Artigo extraido do livro "Quando rezar?"
Artigo publicado no Portal Canção Nova