"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Corpus Christi, tua fé te salva

Padre Pedro de Braga, da República de Tcheca, influenciado por falsas doutrinas, começou a ter dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Não era por sua culpa, mas devido às doutrinas que foram tomando conta da cidade. Ele estava sendo influenciado por essa mentalidade, mas como era um bom sacerdote, ele fez o propósito de ir até Roma para buscar a verdadeira fé. Ele fez essa peregrinação para reavivar a fé na Igreja. Embora tendo dúvidas ele celebrava todos os dias, pois tinha fé na Igreja.

Certo dia, celebrando, antes de dizer as palavras da consagração, padre Pedro levantou a Hóstia e sentiu escorrer uma coisa quente em suas mãos, era Sangue vindo da Hóstia, era o sinal de Deus para ele. O Sangue foi caindo no altar sobre o corporal até chegar ao mármore e ainda hoje se encontram as marcas de Sangue sobre o local.

Ele buscou ajuda, então guardaram a Hóstia toda cheia de Sangue. Uma religiosa havia pedido ao Papa para celebrar a Festa da Eucaristia, e este pediu a Deus um sinal para saber se era Ele que queria essa celebração ou se era algo humano.

Quando o Sumo Pontífice ouviu dizer o que havia acontecido, foi ao encontro do milagre, e ao ver a Hóstia cheia de Sangue se ajoelhou e disse: “Corpus Christi”. Pegou a Hóstia e os objetos e os levou para a cidade, tomando todo o fato como sinal do Todo-poderoso.

Ele colocou o corporal com Jesus, que estava cheio de Sangue, no hostensório e andou pelas ruas. Com a passagem de Cristo todos enfeitaram suas ruas, e é por isso que até hoje essa festa vem se repetindo, tudo para Cristo Rei. É Jesus Salvador que vem até nós para curar nossas chagas. No Evangelho vemos aquela mulher que tinha um fluxo de sangue crônico, a saúde dela estava deficitária, como essa mulher sofreu e gastou todo o dinheiro sem nada conseguir. Foi difícil para ela chegar até o Senhor, pois ela O considerava santo. Então foi por trás e tocou na barra de Seu manto, e Jesus sentiu que uma força curadora havia saído d’Ele.

Talvez você se sinta como essa mulher, impuro, com medo de chegar até o Senhor, mas Ele sabe de tudo, Ele tudo vê. Talvez você se sinta hoje uma pessoa destruída, não por você, mas por alguém, talvez você se sinta como um “cachorrinho”, mas até mesmo um cachorro procura a presença do seu dono.

Jesus está lhe dizendo: tenha fé, confiança, mesmo que você esteja se achando indigno você veio e sua fé o salvou. Deus vai reconstruir sua vida. Ponha sua vida inteira aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo! Você se encontrou com o Sangue de Jesus que pode salvá-lo.
É Jesus que desce da cruz e o levanta dizendo: “Tenha confiança, meu filho, tua fé te salvou, não caias mais”.

Monsenhor Jonas Abib

Publicado no Portal da Comunidade Católica Canção Nova

A reciprocidade


A disposição sincera de influenciar e de ser influenciado

O que é reciprocidade? Reciprocidade, reduzida à sua expressão mais simples, é o movimento vital que nos leva a influenciar e a ser influenciados. Influenciar alguém é nos incluirmos na fluência de sua vida. Ser influenciado é permitir que a fluência de vida do outro nos penetre e perpasse a nossa vida. A reciprocidade é a troca de elementos que nos dá a certeza de que temos valor para alguém.

Que elementos são esses? São elementos que vão desde os grandes sonhos, projetos, visões, ideias e ideais compartilhados até os pequenos “nadas” que fazem a diferença, ou seja, um olhar, um sorriso, uma palavra, um toque, um abraço, um gesto, um cumprimento ou qualquer outra manifestação que exprima para o outro a certeza de que ele tem valor e de que alguém reconhece isso. Esses pequenos “nadas” são as sementes dos grandes gestos de apreço, de solidadriedade, de amor. São os conteúdos de uma autêntica educação dos sentimentos no caminho do bom, do belo e do verdadeiro.

Nas relações de um casal, na vida de uma família, no ambiente de trabalho, na sala de aula, no hospital, no convívio de um grupo de amigos, esses pequenos “nadas” são as fontes da coesão, da integração, do calor humano e de tudo o que nos dá a certeza de que não estamos sozinhos. Muitas vezes, quando um casal se separa, pensamos que sobrevirá um grande sofrimento na vida dessas pessoas, no entanto, frequentemente, elas nos passam uma impressão de alívio e até mesmo de certo conforto. Quando indagadas sobre a razão disso, é comum ouvirmos como resposta algo do tipo: “Só agora nos separamos, mas nosso casamento já havia acabado há mais de um ano”.

Nas famílias que têm filhos envolvidos com drogas e outras situações de risco, é comum constatarmos que, em muitos casos, os pais deram o melhor que podiam em termos materiais, mas não souberam fazer-se presentes na vida dos filhos. É comum alunos e professores reclamarem do modo como são conduzidas as relações em sala de aula, muitas vezes marcadas pela indiferença e pela hostilidade. Quando nos informamos melhor sobre a situação, deparamos com o fato de que a falta de qualidade nas relações professor-aluno decorre da incapacidade do educador de ser uma presença construtiva na vida de seus educandos.

Quando amigos verdadeiros se encontram, depois de muito tempo sem se verem, a conversa flui como se eles tivessem se encontrado no dia anterior. A razão disso é que a disposição sincera de dar e receber, de influenciar e de ser influenciados, jamais deixou de existir entre eles. Por isso as trocas são tantas e tão generosas.

Antonio Carlos Gomes da Costa

(Artigo extraído do livro Educação)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Paulo, um servo chamado a ser apostólo


Um ex-inimigo declarado de Jesus Cristo


Eram os primeiros anos da Igreja. Saulo, judeu da tribo de Benjamin, nascido em Tarso na Cilícia, foi fulgurado pelo encontro com o Cristo. Saulo é fariseu, mas goza de todos os direitos de cidadão romano. Educado em Jerusalém por Gamaliel, inimigo declarado de Jesus Cristo, é um dos perseguidores do diácono Estevão. Depois da morte de Estevão, participa com fúria tenaz da perseguição insurgida pelos judeus contra a Igreja de Jerusalém. Retira os cristãos e os faz aprisionar. Ele mesmo pede ao sumo sacerdote que lhe dê cartas de apresentação para as sinagogas de Damasco para conduzir prisioneiros a Jerusalém os cristãos daquela cidade.

Enquanto se encontrava na estrada de Damasco para iniciar a sua empreitada, uma luz fulgurante o derruba por terra e uma voz o interroga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo derrubado, chega cego à cidade. Ananias, avisado por revelação divina sobre o acontecimento, o batizará. Paulo começa nas sinagogas a anunciar a ouvintes estupefatos que Jesus é o Filho de Deus, conforme a narração no livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22.

“Quem és, Senhor?”, havia perguntado Saulo à voz que o tinha derrubado do cavalo. “Eu sou Jesus que tu persegues”. A evidência da fulguração transformou o perseguidor dos cristãos: “Senhor, que queres que eu faça?” Do ódio ao amor o passo é breve, Jesus de Nazaré se mostra o Cristo e abate o orgulho do homem, fazendo-o instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios. O preço é um só: “Mostrar-te-ei quanto deverás sofrer por meu nome”. Mas absorvido no mistério de Cristo morto e ressuscitado, Paulo não verá mais a cruz senão como transfiguração da glória.

O episódio narrado não pode ser reduzido à experiência puramente interior: também os companheiros de Paulo o perceberam e ouviram “a voz”. Paulo recordou repetidamente o acontecimento: Jesus lhe aparecera (1Corintios 15,8); tinha visto o Senhor (9,1), com o vulto envolvido pela glória divina (2Corintios 4,6); a aparição de Damasco equivalia para ele às aparições que tiveram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus.

Sobre o batismo de Paulo (Atos 9, 1-21), o Senhor manda Ananias, para que Paulo recupere a vista e seja batizado. Para convencer Ananias, compreensivelmente hesitante, o Senhor lhe manifesta a excepcional missão destinada a Paulo: a de ser seu mensageiro em todo o mundo, diante dos pagãos, das autoridades e dos próprios judeus.

Ele é grande modelo, seguidor de Jesus, anunciando com ardor o Evangelho.

Paulo tem plena consciência de que é servo, chamado a ser apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus. Com esta apresentação, começa sempre suas cartas. Ele afirmou uma vez: “Sei em quem acreditei”. Faz incansável profissão de fé em Cristo Jesus, crucificado e ressuscitado, vivo entre nós.

Neste ano Paulino, vale a pena reconhecer Paulo especialmente através de suas cartas.

São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, faz um retrato de Paulo e revela o traço mais sugestivo e fascinante do Apóstolo dos gentios: o seu amor a Cristo, à paixão por ele, caminho para a ressurreição e a glória: “Paulo tudo suportou por amor a Cristo. Gozar do amor de Cristo era a sua vida, o seu mundo, o seu reino, a sua promessa, tudo. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. É o que aprendemos de suas próprias palavras: ‘Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente’. As fraquezas, as injúrias, as necessidades, as perseguições são as armas da justiça, mostrando que delas lhe vinha grande proveito.”

A aparição no caminho de Damasco muda, em um segundo, todo o modo de pensar e de agir de Saulo, até então ardente inimigo da cruz. Nesse encontro excepcional com o Senhor, Saulo vê que o messias dos cristãos está verdadeiramente ressuscitado e glorificado, que Deus Pai aprovou a sua obra, e tudo o que Jesus disse e fez, é o cumprimento das profecias, enquanto as autoridades de seu povo erraram na interpretação das Escrituras.

Paulo descobre a “loucura” de cruz: verdade e sabedoria, porque envolve Deus mesmo e é, com a ressurreição do Senhor, a última palavra da revelação divina aos homens.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um sinal de contradição



Hoje, nota-se uma aversão a Cristo e à Igreja Católica


“Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (João 18,37).

Jesus veio ao mundo para salvá-lo, ensinando a verdade de Deus, que nos liberta e salva; por isso Ele é “sinal de contradição”. Quando os pais O levaram para apresentá-lo no Templo de Jerusalém, o velho Simeão profetizou: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e como um sinal de contradição, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2, 34-35).

Toda a vida de Cristo foi um constante sinal de contradição. Veio ao mundo como Rei, mas nasceu numa manjedoura pobre, fria e austera. Foi acolhido pelos pobres pastores e logo perseguido pelo rei Herodes. Dono do mundo, teve de deixar a terra natal e foi exilar-se no Egito para fugir da morte.

Hoje se nota uma aversão a Cristo e à Igreja Católica porque ela é fiel a Ele e aos ensinamentos do Senhor. Especialmente nas universidades se nota uma repulsa à Igreja Católica e às verdades que ela ensina; e procura-se a todo custo – com muita mentira e maldade – mostrar aos jovens que ela é obscurantista, como se fosse contra a ciência, destacando-se os erros dos filhos da Igreja sem mostrar a beleza de tudo quanto esta fez e faz pelo mundo.

Há no Ocidente hoje uma verdadeira cristofobia. O Papa Bento XVI, desde o início do seu pontificado, tem condenado o que chama de “ditadura do relativismo”, corrente que quer proibir as pessoas de serem e pensarem diferente do que se chama hoje de “politicamente correto” (ser a favor do aborto, eutanásia, cultura marxista, casamento de homossexuais, coabitação livre, manipulação de embriões, útero de aluguel, inseminação artificial, sexo livre, camisinha, contracepção, etc.).

Dessa forma, vai se formando uma mentalidade, uma cultura social, no sentido de fazer, inclusive os cristãos, acharem “normal” essas imoralidades. Começamos a ver jovens e adultos cristãos acharem que a Igreja está “exagerando em suas exigências” e que é preciso ser mais tolerante… É bom lembrar que Jesus amava o pecador, mas era intolerante com o pecado. “Vai e não peques mais”, exorta-nos o Mestre.

Um sinal forte dessa cristofobia é o ataque como nunca se viu antes aos símbolos católicos. Temos visto livros, artigos, peças de teatro e filmes agressivos e blasfematórios contra a Igreja, contra Jesus Cristo e o sagrado. Prega-se o ateísmo como se fosse ciência, e tenta-se reduzir a religião e a teologia a meras crendices de ignorantes. Por outro lado, as seitas orientais e cristãs se espalham no Ocidente como uma mancha de óleo no mar.

Mas o pior de tudo é que esse pernicioso relativismo religioso e moral atingiu também a Igreja; contesta-se a palavra do Papa dentro dos seminários e universidades católicas; desobedece-se ostensivamente ao Magistério da Igreja, volta-se contra os seus ensinamentos morais e doutrinários. Segmentos agressivos dentro da Igreja exigem mudar aquilo que há dois mil anos a Igreja vive e não muda, por determinação de Cristo e dos Apóstolos, como o sacerdócio para mulheres. Essa insistência descabida, partindo de dentro da própria Igreja, contra o que ensina a sua sagrada Tradição, perturba a sua caminhada.

A Igreja quer apenas ser fiel a seu Senhor.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br


Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

Renovados pelo Espírito


Conhece-se uma árvore pelos frutos, e não pela casca

“Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele” (Romanos 8,9).

Se quero ser de Jesus, preciso ser conduzido pelo Espírito de Jesus, que é o Espírito Santo: Aquele que gerou Jesus no seio de Maria e conduziu toda Sua vida e que o mesmo Jesus nos deu na cruz, segundo São João, quando Sangue e Água saem do Seu coração. Aquele que Ele soprou sobre os discípulos no dia da ressurreição, num domingo de manhã, quando o Espírito caiu em Pentecostes, é esse mesmo Espírito que foi derramado.

“Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará vida a vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Romanos 8,11).

Nem quando caímos no pior pecado o Espírito Santo nos abandona. O terrível do pecado é que não foi só na cruz que Jesus se fez pecado por nós. Cada vez que pecamos, levamos o Espírito Santo e Jesus. Uma vez que comungamos, como receptáculos da Trindade, levamos o Espírito Santo, Jesus e o Pai a pecar.

Quem se deixa conduzir pelo Espírito produz os frutos do Espírito. Assim, é muito fácil para as pessoas com quem convivemos perceberem se somos ou não batizados no Espírito Santo. É pelos frutos que vemos se uma pessoa é batizada no Espírito Santo.

Conhece-se uma árvore pelos frutos, e não pela casca. Então, quais frutos que estamos deixando o Espírito Santo produzir na nossa vida? Aqueles que acolhem o Espírito produzem os frutos do acolhimento, enquanto aqueles que resistem ao Espírito produzem os frutos da resistência.

Nosso serviço, nossa vida, realiza-se conforme a renovação do Espírito, e não mais sob a autoridade envelhecida da letra. Renovação não é inovação, não é estar em busca de novidades e nunca estar satisfeito. Renovação é descobrir, a cada dia, esse novo que há em mim, é restaurar. E restaurar é dar novo vigor baseado no modelo original, o de Jesus Cristo e Maria Santíssima.

Para restaurar uma obra de arte é preciso conhecer o artista que realizou o trabalho. Jesus e o único ser entre nós que conhece o coração do Pai. Quando deixamos de lado o pecado e buscamos as coisas do alto (Col 3, 8), ocorre um processo de restauração, à imagem daquele que nos criou. Se quisermos ser felizes, também temos que ser cheios dessa graça.

Pe. Leo - SCJ

(Artigo extraído do livro “Renovados pelo Espírito Santo” e Publicado também no Portal da Comunidade Católica Canção Nova)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Deus existe, aproveite a vida


Dom Eduardo Benes de Sales

Circula em alguns ônibus de cidades da Europa o slogan: “provavelmente Deus não existe, deixe de preocupar-se e aproveite a vida”. Será que eliminando Deus do horizonte da existência, poder-se-á eliminar a culpa por uma vida vazia de valores? Ou a noção de dever é um imperativo ínsito na própria natureza do ser humano? Será Deus um estorvo ou é Ele nossa origem e nosso destino? Não é possível não tomar posição diante destas questões.

Na Roma pagã os deuses não eram empecilhos para o “aproveite a vida”. Era assim a vida no Olimpo, morada dos deuses, um lugar de desfrute e de disputa pelo poder. Donde imperar na cultura e na vida da sociedade daquele tempo o “carpe diem”,expressão latina que tem o mesmo sentido. Entretanto, mesmo antes da chegada do cristianismo, na Grécia houve filósofos que entenderam que mais vale a prática da virtude do que a satisfação dos sentidos. O próprio Epicuro, ao propor o prazer como sumo bem, se refere ao prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É o prazer da justa-medida e não dos excessos. Epicuro valoriza, pois, os prazeres morais e não identifica a felicidade com o prazer imediato.É de Epicuro a afirmação: “De todos os bens que a sabedoria nos faculta como meio de obter a nossa felicidade, o da amizade é de longe o maior”.

Mas vigora no paganismo romano, com origens filosóficas na Grécia, o hedonismo que faz do prazer imediato o sentido da vida. O slogan afixado nos ônibus de algumas cidade da Europa se situa na linha do hedonismo, modo de pensar que sustenta a propaganda consumista que todos os dias invade nossas salas de TV. Para Aristóteles, porém, o fim supremo da vida humana é a felicidade. Mas a felicidade não está no prazer imediato, está na prática da virtude e na paz social. Donde a importância da Ética, no pensamento de Aristóteles, bem como da Política como lugar por excelência da vivência das virtudes, maxime da justiça. Ele tinha clareza de que a felicidade só pode existir plenamente através de uma ordem social justa. Ora, uma ordem social justa exige das pessoas a busca do bem comum acima dos interesses individuais. Donde ser o hedonismo uma proposta que em última análise destroi a possibilidade de viver com prazer, com alegria. Como viver com prazer numa sociedade em que cada um busca seu interesse imediato? Para os homens religiosos não há alegria maior do que a de estar com Deus. Já neste mundo é feliz quem desfruta da amizade com Deus. O destino final da existência humana é o infinito prazer da comunhão plena com Deus, depois desta vida, comunhão entendida como união amorosa, esponsais místicos.

A proposta do “slogan” acima servirá por algum tempo para algumas pessoas como forma de driblar a angústia existencial que mora em nós pelo fato de sermos mortais. A filosofia do prazer é a versão mascarada da filosofia do desespero. Em um momento de crise existencial mais aguda, essa postura ensejará o suicídio. Quando não se puder mais “aproveitar a vida”, restará o suicídio como saída. Aliás, em nosso mundo já há os que defendem a eutanásia. Para outras pessoas, o referido slogan é uma mensagem cheia de cinismo, pois veicula desprezo pela vida dos que não podem gozá-la e se torna assim um horroroso convite ao desespero. Imagine, prezado(a) leitor(a), esse slogan afixado, não nos ônibus, mas na entrada de hospitais, nas escolas onde estudam nossas crianças, nos bairros miseráveis da África ou nos casebres de nossos bolsões de pobreza. Mas Deus existe. Mais ainda: Ele veio até nós e assumiu nossa condição, nossas enfermidades e nossas iniquidades, como profetizou Isaias. O amor o sustentou. Ele afirmou: “o Pai me ama e Eu amo o Pai”; “vim trazer vida e vida em abundância”; “a minha, vida eu a dou”;. “Eu sou o grão de trigo” que aceita morrer para dar vida; tudo o que desejo “é que minha alegria esteja em vós”; “para isso aceito morrer”.

O prazer e a dor por si mesmos não têm nenhum sentido. O prazer passa. A dor também. Do só prazer sobra o vazio que pede mais prazer, ao qual segue mais vazio. O prazer e a dor só têm sentido quando são assumidos no amor e dele se tornam expressão. É o amor que dá sentido ao nosso viver. A vida, esse espaço de tempo que vai de nossa concepção até nossa morte, é para ser vivida no amor. Quem assim a vive, vai construindo sua identidade, e, ao morrer entrará definitivamente na plenitude da vida, deixando na história as marcas de sua passagem. Aproveite, portanto, irmão(ã) a vida, gastando-a no amor, pois Deus existe, Ele é amor, caminha com você e o espera para um maravilhoso encontro de amor, sem fim.

Publicado no Portal da Comunidade Católica Shalom

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Em busca da felicidade


Quando você tentou tudo e ainda assim fracassou...

Um jovem rico procurou o Filho de um carpinteiro, que não vinha da capital judaica, mas sim, da província do norte da Galiléia, que era muito pobre. Esse jovem perguntou a Jesus: “Mestre, o que devo fazer para ter a vida eterna?” O que significa a felicidade, a paz.

Centenas de jovens vão todos os meses da Europa para a Índia. E se você perguntar por que eles estão deixando os países deles para uma terra de tantos miseráveis e desconfortos, eles dirão: “Viemos aqui em busca da paz e da felicidade. Diga-nos aonde devemos ir. Queremos ir a uma casa de retiros dos hindus. Diga-nos a que guru devemos procurar”.

Era exatamente isso que aquele jovem rico pedia a Jesus. Vocês sabem muito bem a resposta. Vocês acreditam na doutrina católica. O jovem rapaz declarou ao Senhor que desde que se lembrava havia tentado ser bastante religioso, acreditava em toda a doutrina da religião e ainda assim era infeliz. Isso é o que muitas pessoas dizem no dia de hoje: “Eu tentei tudo e ainda não sou feliz. Ainda busco a felicidade no meu coração”.

E apesar de todo o esforço daquele jovem para ser bom e religioso, ele ainda era infeliz. Diz a Palavra: “Jesus o amou”. Por quê? Por causa da humildade, por ele ter dito que precisava de Deus na vida dele. Pois ainda não conseguia encontrar a paz em seu coração.

Nós encontramos muitas pessoas como esse rapaz rico que dizem: “Padre, apesar de ter uma casa muito bonita, carro, tudo que o mundo pode oferecer, ainda assim sou muito infeliz”.

E Cristo disse para aquele jovem rico: “Você tentou tudo e ainda assim fracassou. Mas há apenas uma coisa que você precisa fazer: Venda tudo o que você tem e siga-me”. Ou seja, o Senhor afirmou ao jovem: “Largue isso, porque isso se constitui num obstáculo para uma vida feliz e em paz”. Ou “Há alguma coisa que está tomando o lugar de Deus na sua vida”.

No caso daquele rapaz era seu apego às riquezas. Em nosso caso, pode ser um amigo, que é mais importante para nós do que nossa família; pode ser nosso trabalho, que é mais importante para nós do que ficar em casa. Há na vida de cada um de nós alguma coisa que nos está bloqueando de chegar mais perto de Deus. Essa coisa que está tomando o lugar do Altíssimo no centro da nossa vida.

Jesus não disse ao jovem que ele tinha uma vida ruim, mas talvez não tinha um bom sistema de valores, visto que criaturas estavam tomando o lugar do Criador na vida dele. É isso que Santo Agostinho dizia: “Oh, Deus, quão maravilhoso Tu és e eu me voltei para criaturas que se tornaram mais importantes do que o Senhor, Deus Todo-poderoso”.

Todas as pessoas que vieram até Jesus buscando a felicidade, uma nova vida, Jesus não disse: “Você tem de acreditar nessas doutrinas aqui”. O que Jesus fala? “Siga-me”. O Cristianismo não é só uma questão de obedecer a mandamentos, cumprir uma doutrina, mas seguir uma Pessoa, seguir Jesus Cristo. E acima de tudo: fazer d’Ele o centro da nossa vida.

Não há limite para Deus fazer na sua vida, basta reconhecer Jesus como único líder religioso do mundo, o qual afirmou: "Eu sou a única verdade, o único caminho, a única vida". Amém!

Padre Rufus Pereira

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova