"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sem o Espírito Santo, o Cristo permanece no passado


Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo

Pentecostes, do grego “pentekosté”, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, a qual era uma celebração da colheita (cf. Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nela, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (cf. Ex 19, 1-16).

No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, Mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído: "Como se soprasse um vento impetuoso". "Línguas de fogo" pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.

Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos.

Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972): "Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos". O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e garante a ela a vida e a eficácia da missão.

Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente.

O Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos, descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito: ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.

Fonte: Comunidade Shalom

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Apóstolos da efusão do Espírito Santo


Somos chamados a voltar ao Cenáculo, para ter um novo Pentecostes

Pela efusão do Espírito, a Igreja é manifestada ao mundo e impulsionada por Ele. O Espírito a inaugurou ao mundo. Ele [Espírito Santo] é dado em Pentecostes na grande efusão; por essa razão, o projeto de Deus é colocá-Lo em público. Às vezes, acontece certa confusão na cabeça das pessoas com relação a esta expressão: "efusão do Espírito Santo". Essa efusão é o acontecimento por meio do qual Deus nos dá uma nova graça de viver uma nova vida.

O Espírito Santo derrama muitos dons sobre a Igreja, mas nem o bispo nem o padre são proprietários d'Ele, muito menos a Renovação Carismática Católica (RCC)! O Espírito Santo não quer fechar as coisas, mas sim, abri-las. Por exemplo: é próprio dos bispos terem o dom do discernimento, ou seja, identificar o que o Espírito Santo fala à Igreja, mas isso não significa que só eles o tenham. Eles precisam estar abertos a novas moções.

O Espírito Santo de Deus é para todos. Deus dá graça própria para você exercer as suas funções. Ele nos dá os dons necessários. Muitos homens e mulheres descobriam que Pentecostes é um fato que se atualiza em suas vidas.

O perfil do apostolado da efusão do Espírito Santo é o de se abrir com docilidade aos dons do Espírito, acolhendo os carismas e não esquecendo que estes [os carismas] são dados para todos. Ser apóstolos da efusão, preparar as pessoas, é clamar o batismo do Espírito Santo, rezar pelas pessoas, impor as mãos. O carisma não é para atrair as pessoas para nós, para nos fazermos de "estrelas", mas é para levar as pessoas a Deus.

Em 1974, participei de um grupo de oração e ali recebi a efusão do Santo Espírito (eram os primeiros da RCC). Era uma graça para tantas e tantas pessoas, as quais hoje são pessoas maduras e treinadas na oração, porque tiveram suas vidas renovadas pelo Pentecostes.

É preciso haver grupos de oração e momentos de oração carismática, porque corremos o risco de transformar a Renovação Carismática em promoção de encontros de massa. Isso é bom, mas é preciso ter a experiência de grupo de oração.

Somos chamados a voltar ao Cenáculo, para ter um novo Pentecostes, pois é o Espírito que nos faz experimentar o fogo do amor. O Pentecostes nos impulsiona a levar para o mundo este vigor do Espírito e Ele dá vida à nossa Igreja. Quando nos abrimos à efusão do Espírito Santo, Ele reforça o nosso encontro.

(Artigo produzido a partir da pregação de 10/01/2008)

Dom Alberto Taveira
Arcebispo metropolitano de Palmas (TO)

Publicado no Portal da Canção Nova

O cara lá de cima?

Se tem uma coisa que eu observo quando os irmãos fazem uma oração, é na maneira como as pessoas pronunciam o termo “Nosso Senhor”. Alguns dizem de maneira fria. Outros dizem com um carinho terno. Nosso Senhor…

Sim Jesus é o meu Senhor, mas gosto do termo “Nosso Senhor”. Admiro muito a maneira com que o Ricardo Sá usa esse termo. Gosto também de ouvir o Padre Hamilton. Eles falam com carinho. Sempre peço que os escuto, peço a Deus que me dê a graça de pronunciar esse termo com o mesmo carinho…

O termo Nosso Senhor para mim é convidativo a oração. A oração junto com toda a Igreja. Jesus é Senhor da Igreja.

A Igreja também utiliza muito esse termo. Veja nas missas (por Nosso Senhor Jesus Cristo…).

O fato de chamar Jesus de Senhor, me leva a oração. Para mim é uma expressão carinhosa. Do servo para com o seu Senhor.

A oração cristã é marcada pelo título “Senhor”, quer se trate do convite à oração “o Senhor esteja convosco” ou da conclusão da oração, “por Jesus Cristo nosso Senhor”, ou ainda do grito cheio de confiança e de esperança: “Maran atha” (”o Senhor vem!”) ou “Marana tha” (”Vem, Senhor!”) (1Cor 16,22): “Amém, vem, Senhor Jesus!” (Ap 2,20). (CIC§451)

Sabe irmãos, hoje em dia, vejo expressões cada vez mais desrespeitosas para com Nosso Jesus. Tem uma apresentadora de programas infantis que chama Jesus de “o cara lá de cima”. Não amigos. Não é assim que nós católicos devemos tratar Nosso Senhor. É preciso aprender, ou reaprender, a tratar com Jesus.

Inventar uma expressão nova como “o cara lá de cima”, não vai fazer o seu relacionamento com Deus melhorar ou ser diferente. O que vai diferenciar seu relacionamento com Jesus, é quão servo você deseja ser, e quanto você deseja que Ele seja o Senhor da sua vida.

Sabemos que Jesus é o Senhor. Mas precisamos deixar que ele seja. Nas pequenas decisões. Nas dúvidas que temos. Quando nossos sentimentos teimam em nos trair… Se ponha diante de Nosso Senhor. Reze. Fale com Nosso Senhor. Fale sempre.

Hoje terminamos mais um estudo. Falamos aqui sobre o termo “Senhor” e como Ele é profundo. Em breve começaremos mais um estudo.

Dominus Vobiscum

Escute nosso Podcast Kyrios, Dominus… Senhor, clicando aqui!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vinde, Espírito Santo!





Pe. Leonardo Henrique A. Wagner

Poucas vezes atentamos para o fato de que o Espírito Santo de Deus é uma Pessoa, viva, real, uma Pessoa Divina que nos ama e que está ao nosso lado a cada momento, sempre. Quando suplicamos: “Vinde, Espírito Santo”, não estamos pedindo simplesmente: “Vinde, ó força de Deus”, mas estamos suplicando: “Ó vem, Espírito Santo de Deus, vem sobre mim, porque és Deus, és o puro amor e eu preciso de ti, como pobre criatura que sou!”.
Precisamos continuamente suplicar a Luz de Deus: “Envia do céu um raio de tua Luz, arranca-me das trevas, as trevas que são o pecado, que é o olhar tanto para mim e tão pouco para ti e para meus irmãos. Faz-me ver a tua luz neles, naqueles que na tua divina providência puseste ao meu lado. Que eu possa contemplar a tua beleza, a tua pureza, a tua santidade naqueles que são criados à tua imagem e semelhança”.
É tão fácil contemplar os defeitos! Mas para os puros, tudo é puro; e os santos, os que são cheios da Luz do Espírito de Deus, conseguem ver as coisas, o mundo, as pessoas, com os olhos de amor e misericórdia que só pertencem a Deus. Ele é o Pai dos pobres, por isso podemos suplicar: “Vinde a mim, que sou pobre”. Pobre de virtudes, pobre de méritos. Eu preciso de ti, Senhor, preciso de teus dons, de tua força, preciso estar continuamente na tua presença. Sei que estás continuamente em mim, mas eu nem sempre me apercebo disso, nem sempre deixo-me guiar por tuas moções e inspirações”. Temos tanto medo de não ser felizes que acabamos por desprezar aquele Único que nos pode trazer a felicidade.
Quem somos nós para recusar os dons de Deus? Como ousar dizer que não necessitamos dos dons divinos ou, pior, trocá-los pelos dons dos homens? Como preferir a sabedoria deste mundo à Sabedoria que vem do Espírito Santo? Seria incoerência querer galgar os cumes da sabedoria deste mundo sem buscar a ciência de Deus acima de tudo. Lembro-me agora do que disse Jesus: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e inteligentes e por tê-lo revelado aos pequeninos” (Lc 10,21). Como temer a Deus se não nos preenchemos de seu Amor? Sem o Amor de Deus nos nossos corações, a nossa fidelidade é legalismo e o nosso zelo é orgulho. “Sim, Senhor, sem os teus dons, nada sou, e ainda sou um nada soberbo!”.
“Espírito Santo, tu és meu consolo”. Há tantas tristezas nesta vida... Tantas dores e tribulações... Mas não há dor maior que aquela dor escondida dos que não amam a Deus. O Espírito Santo é o nosso consolo, é aquele que nos diz: “Não temas, o Pai te ama”! “Sim, Senhor, e tu não estás distante. Não és uma força estranha, alheia, fora de mim. Não, tu moras em mim. És o doce Hóspede da alma. Estais tão perto, não preciso buscar longe, esforçar-me para te encontrar”. Saber que Deus está tão perto de nós, que habita em nós, é o grande consolo de nossa alma vacilante, insegura.
O Espírito Santo é o nosso “descanso no trabalho”. Como diz o salmista: “É inútil levantar de madrugada ou até à noite retardar nosso repouso quando aos seus amados Deus concede o pão enquanto dormem” (Sl 127,2). Sim, é inútil ganharmos o mundo com nossas próprias forças se viermos a perder Deus, é inútil a aflição se podemos a Ele tudo confiar e esperar. O Espírito é nossa brisa leve.
“Por isso, eu vos peço, Senhor, com todas as forças do meu ser: incendiai o meu coração com a chama do teu amor. Sim, incendiai! Que meu coração arda de amor”.
“Sem a tua Luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele. Então, enche-me de ti! Lava-me, purifica-me, rega a minha alma para que eu possa dar os verdadeiros frutos de santidade que só brotam do coração que ama. Cura-me, Senhor, não permitas que minhas feridas e mazelas me prendam em mim mesmo e longe de ti”.
Quantas vezes também declaramos que temos o coração muito duro, mas só o Espírito pode transformar essa realidade, só Ele arranca do nosso peito o coração de pedra e nos dá um coração novo, um coração de carne. Renovemos a nossa fé. Muitas vezes pedimos algo a Deus sem esperar de fato receber aquilo que pedimos. Ele é Deus, Deus nos ama e é capaz de nos fazer santos. A santidade não é um alvo impossível, precisamos crer nisso verdadeiramente. Não é por nossas forças, é pelo poder de Deus e a nós cabe apenas desejar, abrir o nosso coração para a ação do Espírito Santo, ser dóceis ao Amor. Por fim, oremos junto com a Santa Igreja:
Espírito de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!

Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações
vossos sete dons.

Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!

No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.

Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!

Sem a luz que acode
nada o homem pode,
nenhum bem há nele

Dobrai a vossa Igreja
que espera e deseja
vossos sete dons.

Dai em prêmio ao forte
uma santa morte,
alegria eterna.
Amém.



Fonte: Revista Shalom Maná

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Cura das pequenas coisas


Deus é detalhista e cuidadoso com todos os seus filhos

Tenho meditado sobre o processo curador de Jesus em nossas vidas, e tenho percebido o quanto Deus é detalhista e cuidadoso com todos os seus filhos, pois quer que sejamos plenamente curados: no físico, no espírito, na psique, nas lembranças, entre outros.

Muitas vezes, nós nos prendemos a grandes curas e milagres e nos esquecemos das pequenas coisas do nosso dia-a-dia, as quais são tão importantes quanto as nossas grandes necessidades. Alguns exemplos disso: uma pessoa cheia de manias, que acaba criando o seu mundinho e é apegada às suas coisinhas, precisa ser curada. Uma pessoa apegada a mentiras, que cria um mundo fantasioso que não existe, também precisa ser curada. Da mesma forma, alguém que vive fofocando, falando dos outros pelos cotovelos, precisa ser curado. Assim como uma pessoa que vive insatisfeita com tudo e com todos e só vê o negativo, também necessita de cura. O mesmo vale para as pessoas que vivem sob a ação do medo, apegadas a pessoas e a coisas ou consumistas em excesso, todas precisam se deixar curar. A partir disso, poderia citar muitas outras realidades que, muitas vezes, trazemos em nós e que precisariam ser tocadas pelo poder curador do Espírito Santo.

Não tenho dúvidas de que o Senhor quer curar o canceroso, o aleijado, o cego, o surdo, o que tem problemas de coração, o doente de AIDS, etc. Porém, além de curar o nosso corpo, o Senhor nos quer curar em nossa humanidade, que é tão complexa e linda; contudo, necessitada de ser tocada pela ação de Deus que muda todas as realidades.

A Carta aos Gálatas nos relata os frutos do Espírito: “O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não existe lei” (Gl 5, 22-23). Esses frutos relatados por São Paulo são fontes seguras de reflexão sobre a liberdade e a cura da nossa humanidade. É hora de se perguntar: tenho vivido no amor ou vivo no ódio e na vingança? Vivo a alegria ou minha vida é uma tristeza interminável? Encontro paz no meu interior, mesmo vivendo em realidades muitas vezes sem paz? Sou paciente ou me impaciento facilmente? Sou amável, gentil, ou vivo na grosseria? Opto por fazer o bem e por viver na bondade ou faço opções pela maldade, prejudicando as pessoas? Sou leal, fiel, ou vivo de infidelidade? Vivo na mansidão, na serenidade, ou minha vida é uma constante agitação, até mesmo dormindo? Vivo o autodomínio ou sou uma pessoa descontrolada no comer, no dormir, no comprar, no beber, na sexualidade, entre outros?

Já temos uma boa base para um profundo exame de consciência e de uma observação de nós mesmos para detectar em que área precisamos de cura, pois Deus quer curar as pequenas coisas que nos atrapalham em viver a felicidade. Deus nos fez para sermos felizes e realizados em tudo. A saudade do céu sempre vai existir dentro de nós, e esse vazio do eterno só vai ser totalmente preenchido quando chegarmos diante do trono de Deus Pai.

O profeta Jeremias nos relata algo de suma importância: “Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós – oráculo do Senhor! Um projeto de felicidade, não de sofrimento: dar-vos um futuro, uma esperança! Quando me invocardes, ireis em frente, quando orardes a mim, Eu vos ouvirei. Quando me procurardes, vós me encontrareis, quando me seguirdes de todo o coração, Eu me deixarei encontrar por vós – oráculo do Senhor” (Jr 29, 11-14). Esse é um trecho da carta do profeta aos exilados, aos que estavam sofrendo, precisando de esperança e de cura. Ela [carta] nos dá um sinal de como alcançar de Deus a cura e a libertação de que precisamos: invocar a Deus; orar sempre; procurar a todo instante o Senhor e segui-Lo de todo coração! Essa é a receita! Permanecer em Deus!

O Senhor está interessado na nossa cura, e nós também não podemos nos conformar com a situação em que vivemos atualmente. Precisamos trabalhar o nosso interior e as nossas reações, e tudo isso se faz pela oração; pela Eucaristia; pelo jejum; pela Palavra viva e vivida; pela confissão; pela busca de uma direção espiritual; pela cura interior; pelo autoconhecimento. Não tenha medo de entrar nesse processo de cura, por você e por quem você ama! Deus cuida dos mínimos detalhes!

Estamos juntos e estou orando por você e por sua cura! Ore também pela minha!

Deus o abençoe!

Pe. Roger Luís

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

Enfrentando os percalços da vida

Tal como numa película cinematográfica, nossa vida é composta por vários quadros, a qual a cada segundo vai se compondo numa obra de arte. Dentro dessa história, que desejamos contar, temos como “script” nossos projetos de vida. Arriscar-se a vivê-los é o que desejamos fazer; mesmo que não tenhamos a vivência daqueles que já passaram pelos percalços da vida e aprenderam a superá-los. Mas, por mais que outras pessoas tendam a nos recomendar cautela ou até mesmo a nos advertir sobre como devem ser os nossos procedimentos, nem sempre estamos interessados em acolher suas sugestões.

Podemos ter a pretensão de que nada do que pensamos possa dar errado. Muitas vezes, acreditamos cegamente que todos os nossos planos vão se cumprir como desejamos. Projetamos nossa vida profissional imaginando que logo após o término da faculdade conseguiremos um bom emprego com um bom salário; etc. Outros projetos incluem casamentos e filhos e na maneira como queremos educá-los… Nada poderá acontecer diferentemente daquilo que foi idealizado.

Achamos – e, por vezes, julgamos – que as dificuldades enfrentadas por outras pessoas, como o desemprego, as desilusões ou qualquer outro fato que as tenha feito se sentir frustradas –, são resultados de suas próprias falhas. Como, por exemplo, ao analisarmos a situação de alguém que viveu o desemprego, julgamos que ele talvez não tenha sido um funcionário exemplar. E aos que experimentaram decepções num relacionamento, de acordo com nossa perspectiva limitada, muitas vezes, julgamos que eles não tenham sido tão espertos como acreditamos que deveriam ter sido; e assim por diante. Corremos o risco de – na soberba de quem está fora da situação – julgar e, talvez, condenar a outrem apenas por aquilo que tomamos conhecimento.

Com o decorrer da nossa própria existência, vamos percebendo que infelizmente não temos o controle das coisas nem a onisciência de que gostaríamos. E assim como o futuro não poupa em surpreender a outros; da mesma forma, não nos poupará.

Ao sairmos para um passeio, imaginamos acessar uma determinada rodovia, calculamos o tempo de percurso, estabelecemos as possíveis paradas para descanso, estimamos o horário de chegada, etc. Fazemos tudo como se nada pudesse sair errado; entretanto, se alguma coisa não acontecer como havíamos planejado, não desistiremos do passeio. Ao contrário, pensaremos rapidamente numa alternativa para que seja possível cumprir o que nos propusemos a realizar. Ter em mente um objetivo a ser cumprido ajuda a nos preparar para as possíveis mudanças e inesperadas adaptações aos planos.

A mesma disposição é necessária também para os percalços que a vida nos prepara. Por maiores que sejam as surpresas reservadas por ela [vida], as dificuldades não podem nos fazer desviar do caminho, fazendo-nos deixar de acreditar em nossa capacidade de cumprir o que havíamos projetado como meta a ser alcançada.

Muitas vezes, devemos estar preparados para assumir um “desvio” que a estrada da nossa vida nos força a tomar, mesmo que não seja uma atitude fácil de se aceitar. Por muitas vezes, ouvimos os mais velhos nos dizer que na vida tudo passa… Enfrentar os fatos e entender que não podemos ficar parados no problema – ajuda-nos a encontrar as saídas necessárias para o impasse momentâneo.

Assim como não desistimos de nossos passeios por conta de um contratempo, como um pneu furado por exemplo, da mesma forma não devemos desistir dos nossos projetos de vida. Ainda que as situações adversas possam levantar barreiras de dificuldades, elas não têm o poder de apagar os nossos planos e projetos. Afinal, sabemos que os desafios, que teremos de enfrentar, não se comparam às alegrias que sentiremos ao superá-los. Entendendo que não estamos imunes aos erros, aprendamos, assim, a ser lentos em julgar e ávidos por auxiliar aos que enfrentam dificuldades, com palavras e atitudes de conforto.
De outro modo, de que serviria uma pessoa que se auto-intitula amiga?

Um abraço

Dado Moura

Publicado no Blog Comportamento

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Igreja missionária e as tecnologias



As facilidades tecnológicas estão também a serviço da evangelização


A Igreja, onde estiver, é chamada a viver seu compromisso missionário de ensinar a arte de viver, apresentar as respostas que nos direciona à vida e à felicidade através do seu testemunho vivido no caminho que é Jesus! Ele, que ensinou a seus discípulos a viverem a prática do amor, pede para todos os homens repetir seus atos. Evangelizar significa mostrar este caminho.

Falar de amor e felicidade – para um mundo cercado de diferenças sociais gigantescas, no qual as maiores riquezas se concentram em poucos países –, pode parecer impossível.

Como cultivar a pequena e frágil semente do amor, que poderá suprir o desejo do coração do homem, em terras áridas e ressequidas pelo egoísmo? Tornar o terreno fértil para o cultivo dessa semente, talvez, seja o primeiro passo para saciar o mundo com o mesmo “fruto” que saciou as necessidades da mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11), do cego Bartimeu (cf. Mc 10, 64-52), dos leprosos (cf. Lc 17, 11-19), ou da mulher que se alimentava das mesmas migalhas que eram lançadas aos cães (cf. Mc 7, 24-30)...

A ciência tecnológica muito tem realizado no sentido de garantir a sustentabilidade no mundo, facilitando a vida do homem moderno. Modificações genéticas transformam sementes, deixando-as mais resistentes às pragas naturais, entre outras. No entanto, o “fruto” de que o mundo mais carece não se obterá simplesmente por meio de experiências transgênicas realizadas em laboratórios.

As facilidades tecnológicas estão também a serviço da evangelização. Falar de Jesus, na atualidade, implica alcançar aqueles que precisam conhecê-Lo por intermédio dos mesmos meios dos quais estes se servem.

Longe de apresentar uma evangelização “encapsulada” em refinada tecnologia, a Igreja busca atrair aqueles que por inúmeras razões se distanciaram de seu seio maternal. Conseqüentemente, este afastamento os conduz ao esvaziamento do conhecimento da verdade revelada por Jesus Cristo.

O anúncio do Evangelho aconteceu entre apenas doze homens que, pouco a pouco, espalharam para outras comunidades os efeitos transformadores da conversão – contidos na novidade revelada.

A missão determinada a cada batizado em particular é a de atingir os confins da terra na comunicação da Boa Nova. Como missionários, sabemos dos atritos da convivência com os não-evangelizados, os quais, muitas vezes, na ânsia de uma vida melhor ou de uma resposta aos seus questionamentos, procuram se encontrar numa “religião” sob medida ou numa frágil autenticidade pessoal; fato que se repete no mundo contemporâneo tal como aconteceu no primeiro anúncio.

Hoje, levar a evangelização até os confins da terra pode parecer um desafio intransponível. Entretanto, sem a ação do Espírito Santo – que tudo faz – presente na vida da Igreja militante, mesmo os mais avançados meios tecnológicos nada poderão realizar em favor da evangelização.

Artigo produzido com base no texto da Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” de Papa Paulo VI

Um abraço


José Eduardo Moura

Publicado no Portal da Canção Nova