"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O segredo da felicidade?

Caríssimos,

Tenho pensado sobre o segredo da felicidade... Existe um segredo para ser feliz? Qual a receita para a felicidade? Qual o caminho? E se há um caminho, por que tantos não o seguem, já que todos buscam a felicidade, e há tantos infelizes no mundo? Talvez não o conheçam... ou se conhecem o caminho, teimam em querer não seguí-lo, ou acreditar que existe um outro caminho, um atalho... sei lá. Mas qual o caminho? Qual o segedo da felicidade?

Acho até que muitos já cantaram esses segredos em verso e prosa... acho até que tem uma estrofe de alguma música exatamente com essa pergunta (ou resposta)... qual o segredo da felicidade? Milhares de sites apresentam páginas e mais páginas sobre esse segredo. Livros, artigos, palestras, pregações, ... E se é assim tão conhecido e divulgado, por que tantos ainda não conseguiram encontrá-la? É fato que muitos são felizes... e quando perguntados porque são felizes, várias são as razões... Mas infelizmdente, é fato que muitos também são infelizes... E pensando nesses tantos, me flagrei tentando achar uma razão ou segredo para a felicidade (quantos já não se flagraram em questionamentos rigorosamente idênticos).

Recorri a Bíblia, e em duas passagens, vejo momentos de tristeza e angustia, mas também passos simples para a felicidade, e que agora gostaria de compartilhar com vocês para sua reflexão (se é que provoquei alguma inquietação em quem está sendo esse blog).

Na primeira passagem recorro aos Salmos...
"Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esquecerás de mim o teu rosto?
Até quando consultarei com minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?
Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte;
Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar.
Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração.
Cantarei ao SENHOR, por quanto me tem feito muito bem"
(Salmo 13)
O salmista Davi ainda acredita no amor de Deus, mesmo que na dor, e não se deixa abalar pela angustia. Será essa experança o segredo da felicidade? Ainda nos Salmos vários outros cantos descrevem a angustia da dor e a infelicidade.

Mas em Mateus, no belíssimo sermão da montanha, Jesus me parece nos dar várias dicas para a felicidade...
"Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
...
Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus."
(Mateus 5, 3-12,19)

Ter um coração desapegado, experança no consolo, cultivar a mansidão, controlar a agressividade, ter fome e sede de justiça, sem esquecer jamais a misericordia, ternura, perdão, coração puro e bonito sem falsidade, promover a paz, sem ódio ou amargura são alguns das palavras-chaves destacadas por Padre Zezinho sobre este belo ensinamento de Cristo. Quem consegue essas virtudes, diz Jesus em suas bem aventuranças, alcançará a felicidade plena para si, e para os seus.

Está lá em Mateus. Esse parece ser o segredo da felicidade. Mas por que tantos, mesmo vendo o que está escrito, não conseguem ser felizes? Talvez por não terem tido uma experiência real com o sagrado, como Padre Fábio de Melo sempre diz... não tiveram em nada sua vida transformada por força do Evangélho.

Pensemos um pouco sobre isso, e pratiquemos essas simples orientações para a felicidade. Eu preciso viver mais essas palvras. E você? Deixemos essas palavras transformarem nossos corações, e nossas vidas!
E levemos a Boa Nova aos que precisam.

Forte abraço, e que Deus nos abençoe e conceda a felicidade em seu amor!

Marcus Rodrigues

De punhos cerrados

Quem já não passou pela dúvida de ir ou não rezar, entre o desejo de Deus e o medo de pôr-se à escuta da sua vontade, o medo do que Ele irá pedir, das ofensas que sabemos que cometemos e da mudança que o seu amor nos impelirá a tomar?

Sempre esses caminhos se cruzam dentro de nós: o medo e o desejo de rezar. Mas é o medo de Deus ou medo de nós? Deixo essa para você responder. Há alguns dias estava me sentindo sem norte, então fui recorrer à Presença Eucarística do Senhor e, ao chegar diante dele, o sentimento de que eu estava de “punhos cerrados” tomava meu coração. Isso fazia-me presa, fria, recuada. E na medida em que eu ia expondo a minha dor, meus medos, desejos... ia me acalmando como criança no colo da mãe, os punhos iam se abrindo, a paz voltando e a certeza de que o convite de Jesus: “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso do fardo e eu vos darei descanso” (cf. Mt 11,28) é verdadeiro porque Deus e os seus mandamentos não esmagam as pessoas, apesar de serem exigentes.

Recorri ao Santíssimo Sacramento outros dias e via que os punhos iam se abrindo e a grande surpresa era que se abriam não para dar, para receber. Que a antiga e sempre nova realidade de Deus só recebemos diante do mistério eucarístico; Deus me dá, Deus se dá.

Lembro-me da Homilia do nosso Papa Bento XVI em que meu coração explodia de alegria ao ouvi-lo dizer com tanta convicção: “Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo.”

Não tenhamos medo da oração, talvez nos enganamos porque achamos que orar é fácil, mas não é! Assim como viver não é fácil. Orar é viver! E como diz um grande teólogo, vive-se como se reza!

Não existe contemplativo de um período só, assim como não há cristão em tempo parcial nem homens em período parcial.

Desde o dia em que acreditamos em Cristo e o reconhecemos como o Senhor, não há nenhum momento – despertos, dormindo, andando, sentando, trabalhando, aprendendo, comendo, brincando – que não seja marcado pelo toque de Deus em nós, que não seja vivido em nome de Jesus, por inspiração do Espírito Santo.” (Prayer by Abhishi Ktenancia Delh, 1967).

O olhar de Deus nos abre, nos faz viver, impulsiona a vida a “combater o bom combate e guardar a fé” (cf. 2 Tm 4,7).

Travamos um combate todos os dias e diante dele podemos sucumbir ou reagir, e só em Deus reagimos, pois está reservada para cada um de nós a coroa da justiça.

Se estamos sem Deus seremos como o povo de Israel em seu pecado de idolatria, ficando com as mãos abertas, porém vazias.

“Comerão, mas não ficarão saciados, prostituir-se-ão, mas não se multiplicarão, porque abandonaram a Iahweh para se entregarem à prostituição.” (Os 4,10).

Corramos para o olhar vivificador de Deus. Busquemos somente Nele a alegria de viver, a verdade acerca de nós, o perdão para as nossas faltas; ninguém, pessoa alguma poderá nos preencher, alegrar e perdoar como Ele. Tiremos dos outros as nossas expectativas e exigências. Esperemos nele e então poderemos dizer como o salmista: “procurai e vede como o Senhor é bom”(XXX).

Façamos a experiência ímpar de colocar-nos diante de Deus e deixar que o seu amor a cada dia nos torne livres interiormente. O caminho para a verdadeira liberdade gera amor, livres podemos amar, podemos sair de nossas cadeias, não há nada mais libertador do que a força do amor de Deus. Vemos tantas coisas fantásticas, poderosas, fascinantes, mas nada é mais atual e belo do que a experiência do amor de Deus que nos impulsiona a amar o outro. Não esperemos ser curados dos nossos traumas para começar a amar (não perca tempo!) porque há feridas que só o amor cicatriza, amando somos curados, sem amar ficamos paralisados, carcomidos pelo peso da nossa dor. O amor nos dá coragem de abrir os nossos punhos cerrados para acolher o que o Pai reservou para nós.

“Uma vida imersa em oração é uma vida de mãos abertas, em que você não se envergonha da sua fragilidade, mas percebe que é mais perfeito um homem se deixar guiar pelo Outro do que procurar prender tudo nas mãos”. Desejo-te boa viagem neste caminho de liberdade interior.

Márcia Fernanda Moreno

Sugestão de leitura

Philipe, Jacque. A liberdade interior. Tradução: Maria Emmir Oquendo Nogueira. Fortaleza: Shalom, 2004.

Fonte: Arquivo Shalom

quinta-feira, 1 de maio de 2008

ECC - Próximos eventos

03 de maio – Missa dos Casais e Feirinha.
Círculo responsável pelo serviço: Tales e Grace.

02 e 03 de maio - Primeira Sexta e Primeiro Sábado do mês
(não sabe do que se trata, responda esse email que esclarecemos).

04 a
12 de maio – Novenário da Nossa Paróquia: Casais Coordenadores do Novenário precisam muito da ajuda de todos os casais, no serviço (servindo) e financeiramente (bebidas, prendas dos bingos diários e compra de cartelas dos binguinhos e bingão). Voluntariamente, vamos todos ajudar, afinal o Padre Ivan já avisou que o Novenário deve ser montado inteiramente por doações, já que todo dinheiro arrecadado será revertido na construção de banheiros externos e nova secretaria paroquial.

13 de maio – 10 Missas (5h, 6h30min, 8h, 9h30min, 12h, 14h, 15h30min, 17, 18h30min, 20h). Muita Ajuda nas Coletas.

17 de maio – Feirinha de Homenagem ao Dia das Mães
(com Surpresas para Mães e Presença de Todos).
Círculo responsável pelo serviço: Sales e Ivana.

20 de maio - Adoração ao Santíssimo, 20h.

24 de maio – Não haverá Feirinha.

25 de maio – Passeio Turístico-Religioso do ECC para Mosteiro dos Jesuítas, em Baturité.
Saindo da Igreja às 7h30min. O passeio custa R$25,00 por pessoa e inclui ida e volta em ônibus com ar condicionado, ingresso de visitação ao mosteiro, almoço e celebração eucarística.

29 de Maio - Encontrão. Tema: Maria.
Círculos responsáveis: Marcelo e Ana Angélica, Régis e Madalena, Fernando e Raquel, João Ernani e Jesus.

31 de maio – Missa dos Casais e Feirinha.
Círculo responsável pelo serviço: Rômulo e Fernanda (permuta com Carlos e Alexsandra).

01 a
30 de junho - Inscrições p/ 6o Encontro de Jovens Com Cristo do Santuário de Fátima (à partir de 18 anos) que se realizará no dia 24 de agosto. R$10,00 (camisa e alimentação inclusos). Informações: 88690014 - Armando.

03 de junho - Reunião de Coordenadores, às 20h.

06, 07 e 08 de junho - Seminário de Vida no Espírito Santo para Casais.
Informações e inscrições: 32793620 / 86167209.

07 de junho – Missa dos Casais e Feirinha.
Círculo responsável pelo serviço: Carlos e Alexsandra (permuta com Rômulo e Fernanda).

21 de junho - São João do ECC de Fátima.
No Clube dos Oficiais PM/BM, na Praia do Futuro. Ingresso R$10,00 por pessoa. Vista-se em seu espírito caipira, pegue sua "cumade" e seus "mininos" e venha pro Arraiá mais animado da Cidade.

19, 20 e 21 de setembro - 27o Encontro de Casais com Cristo do Santuário de Fátima.
Que Jesus guie Seus Passos e Nossa Senhora de Fátima interceda sempre por vós, junto a Seu Filho.

"Somos Fortes, Porque Somos Unidos."

Grupo Dirigente 2008

"Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Aos que crerem será dado o poder de fazer estes milagres: expulsar demônios pelo poder do meu nome e falar novas línguas; se pegarem em cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; e, quando puserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados." Mc 16,15-20.

O Verdadeiro Senhor do Mundo

Desde o principio da história cristã a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter sua liberdade de pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é “o Senhor”. “A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram em seu Senhor e Mestre.”(CIC§450)

Certa vez ouvi uma história sobre um rei (penso que seja Alexandre o Grande rei da Macedônia, mas não lembro ao certo) que dizia assim:

Quando à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos.

1 - que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2 - que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas…);

3 - que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1 - Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2 - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3 - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Estou narrando este fato que ouvi e que não sei se é veridico (se for ou não, por favor alguém confirme nos comentários) para dizer que, até mesmo os grandes Reis e Senhores da humanidade ao longo da História sabiam de suas limitações, e mesmo aqueles que se achavam Deuses, pereceram. Caso você tenha visto o Filme - 300 de Esparta - Você percebe que o imperador Xerxes, se achava um Deus. O povo também o via como um Deus, até que foi ferido. Mais a frente ele foi vencido. Não era Deus. Não era o senhor. Era apenas um homem…

O fato é que ao longo da história só existe um Senhor: Jesus Cristo. Xerxes não ressuscitou. César não ressuscitou, Nabucodonosor não ressuscitou, Napoleão não ressuscitou, Hitller não ressuscitou… Só Jesus venceu a morte!

Por isso a Igreja propaga que Jesus é o Senhor de todo mundo. Senhor de todos o Povos raças e nações.

Hoje temos diversos governantes. Diversas instituições que detém o poder. Mas nenhuma dessas pessoas, nenhuma dessas instituições, tem a Força, o poder, a Honra e a Glória. Só Jesus é o Senhor. Só ele tem a força, o poder, a honra e glória. temos governantes sim. Mas não podemos abrir mão da vontade de Deus, para satisfazer a vontade dos homens. O Nosso Reino não é deste mundo.

Por isso precisamos ao longo das nossas vidas, antes de tudo, aprender e professar que Jesus , além de Senhor de Nossas Vidas, Senhor também do Mundo inteiro. Já disse uma vez e direi novamente: A sua Segunda vinda, a cada dia se aproxima. É certo que não sabemos nem o dia e nem a hora, mas a certeza é que: Ele voltará!

Você crê?

Pax Domini

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Publicado no Blog Dominus Vobiscum

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Nunca é tarde para aprender


Isso me faz entender a lógica do amor de Deus
Hoje eu senti saudade de ter pai. Vê-lo voltar para casa, observar o seu sorriso tímido, seu cuidado com as pequenas coisas... Senti saudade de ser visto como filho, já que na vida tenho que dar conta de tudo; muitas vezes, sozinho. Ser filho é um jeito interessante de descansar da vida, de depender, de poder perder a hora, de esquecer o compromisso, não cumprir o combinado. É uma forma justificável de realizar pequenas transgressões. A bronca do pai vem sempre depois de tudo isso. Até mesmo das broncas eu tive saudade. Do seu olhar severo me pedindo explicações, repreendendo-me... Quanto amor havia naquelas repreensões! Só eu não sabia ver, só eu não podia enxergar.

Tive saudade de vê-lo chegar pelo portão principal com sua velha bicicleta. Um jeito silencioso de andar, de guardar as ferramentas e chamar pelo nome da minha mãe. Chamava por chamar, só para anunciar sua chegada.

Eu costumo dizer que minhas principais aulas de Teologia, eu as recebi no interior da minha casa, lá, naquele lugar onde a vida nos permitia recolher pelos cantos da casa os rastros do Sagrado. Deus esteve ali e olhou-me nos olhos do meu pai. Deus esteve ali e comeu junto com a gente uma sopa de macarrão em noites de chuva e frio.

Eu me recordo das pequenas alegrias daquele tempo. Somadas, formam uma grande felicidade no dia de hoje. Ainda que tudo fosse tão difícil naquela hora, hoje, distante no tempo, a vida se reveste de novas cores, e o que antes era triste, agora se transforma em saudade feliz.

Ter pai é um jeito interessante de ter fé em Deus. Uma fé que não passa pelo horizonte das formulações racionais, mas que nos surpreende com um impacto nos afetos. Uma fé que nos rouba as palavras, as formulações, e que nos coloca na boca um balbucio que diz sem dizer: Eu não sei dizer por que acredito, eu só sei acreditar. Talvez seja por isso, que eu tenha acordado com tanta saudade de ter pai de novo. Talvez eu esteja precisando voltar à fé simples... A fé que não precisa explicar, que não sabe dizer, que sabe esperar... Não saber dizer é um jeito interessante de cultivar a sabedoria. Jeito estranho, mas é.

Meu pai era um homem que não sabia dizer muito. Tinha dificuldade com as palavras, e, no entanto, era um homem sábio. A palavra demorava mais tempo na sua boca. Não tinha pressa para dizer nada.

Palavra que demora na boca, quando nasce, nasce mais sábia. Aprendi isso com ele. Aprendi também que sempre é tempo de aprender. Ele, por ser tímido, sempre teve dificuldades de demonstrar o seu afeto. Tinha um coração imenso, mas não sabia demonstrar o que sentia. Somente no último ano de sua vida, quando a doença chegou para levá-lo de nós, é que ele se tornou capaz de externar o amor que tinha por cada um dos seus filhos.

Meu pai viveu 63 anos. Precisou viver 62 para ter coragem de nos beijar sem receios. Acho isso lindo. No último ano de sua vida, todo o afeto – trancado ao longo de uma vida inteira – veio para fora. Isso me ensina, isso me faz entender a lógica do amor de Deus.

Não importa o tempo em que ele não soube amar. O que importa é o tempo em que soube aprender. Deus não se prende ao que a gente não conseguiu. Ele prefere olhar para o que a gente soube realizar!

Eu não lamento os 62 anos em que tive o meu pai pela metade. Eu só quero me recordar do último ano de sua vida, e dos dias felizes que ele me proporcionou. Quero é recordar a grande lição que ele me deixou, antes de partir: Nunca é tarde para aprender!

Padre Fábio de Melo

Publicado no Portal da Comunidade Canção Nova

terça-feira, 29 de abril de 2008

Para que todos sejam um

Jesus estava prestes a partir. Escreve a testemunha que viu e participou: “sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim.”(Cf. Jo. 13,1) E, tendo dado seu corpo em alimento e seu sangue em bebida, no final da oração sacrifical, poucas horas antes de iniciar sua paixão, implorou ao Pai por seus discípulos e “por aqueles que por sua palavra vão crer em mim para que todos sejam um, assim como Vós, o Pai, estais em mim e eu em Vós” (Cf. Jos. 17, 20-21)

A Igreja Católica no Brasil junto com outras Comunidades Cristãs que formam o CONIC, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, sentiram este apelo de Cristo, e trabalham juntas em busca da unidade. E todos os anos, nos dias que sucedem a festa da Ascensão até o dia de Pentecostes, dedicam-se à intensificação deste propósito com estudos e orações. No ano em curso, o lema insiste na oração: “Orai sem cessar”.

Não é um movimento regional. Apenas a data não coincide. Há cem anos, “no limiar do século XX, a angustia e a ousadia da esperança inauguraram a era do ecumenismo” (Pastor Breno Schumann) e, em 1908 promoveu-se pela primeira vez esta Semana de Orações, entre 18 e 25 de janeiro. Há trinta está organizado no Brasil. Na Arquidiocese de Juiz de Fora, é anterior, por iniciativa de cristãos liderados por sacerdotes redentoristas e o referido Pastor da Igreja de confissão Luterana.

Bem ajustada a constatação citada acima. Escrevemos em artigo anterior que a Igreja de Deus peregrinante na terra é divina, mas carrega consigo a fragilidade humana nos seus membros. É a realidade histórica. Assistimos, sobretudo, nos últimos quatro séculos, embora tenha havido antes também, a quebra da unidade da Igreja e, em conseqüência a secularização social e a perda da fé. Nós, cristãos, tínhamos nos acostumados a agir, a pensar e a viver isoladamente.

Mas, o Espírito que ilumina a todos aqueles que sinceramente crêem em Cristo, acordou as mentes para a esperança de uma Igreja uma e santa, segundo o desejo de Cristo, católica, isto é enviada para anunciar a salvação ao mundo todo e apostólica, edificada sobre o testemunho do Apóstolos, uma Igreja que, na terra, refletisse a realidade celeste. O movimento ecumênico nos descobre uma unidade oculta na diversidade gerada pelas falhas humanas e também pelo pecado: a fé em Cristo que se difunde no amor e no alento da esperança.

A solicitude para instaurar a união se impõe a toda a Igreja, quer na vida cristã, vivida dia a dia, por todos os fiéis, pastores e leigos quer nas investigações teológicas e históricas. Fiéis ao sopro do Espírito, reconheçamos os sinais dos tempos e abramos os nossos corações no reconhecimento dos laços fraternos existentes entre nós e que devem nos conduzir à plena e perfeita unidade segundo a benevolência de Deus, ensina o Concílio Vaticano II no decreto, Unitatis Reintegratio. A unidade corresponde ao mandamento e à vontade de Deus mesmo. Não há alternativa, ou obediência ou transgressão.

Para viver esse espírito ecumênico, temos, em primeiro lugar, de nos renovar na fidelidade à vocação a que fomos chamados. O mesmo Decreto Conciliar continua: “Toda a renovação da Igreja consiste essencialmente numa fidelidade maior à própria vocação. Esta é sem dúvida a razão do movimento para a unidade” (nº 777/778).

Exige também de nós, a conversão do coração. O apóstolo Paulo nos concita a andar de modo digno de nossa vocação, na humildade, mansidão e paciência, esforçando-nos para conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Cf. Ef. 4, 1-3).

A oração unânime, fruto de nossa fé e esperança, deve acompanhar nossa conversão e unida à prece de Jesus pedir a unidade, Pai, para que todos sejam um.

Esta Semana de Oração é momento propício que nos é dado. Como se expressa o Presidente da Comissão Pastoral para o Ecumenismo da CNBB, Dom José Alberto Moura, Arcebispo de Montes Claros, ”o evento significa um esforço de compreensão e respeito entre as igrejas cristãs, uma tentativa de buscar a unidade dos cristãos como Jesus Cristo queria ‘um só rebanho e um só pastor’, no esforço de confiança em Deus”

Todos nós cremos e confessamos no Símbolo de nossa Fé: “Creio na santa Igreja, una, santa católica e apostólica, confessamos um só batismo para a remissão dos pecados (Simb. Niceno Const.) Vivamos esta fé na esperança e caridade e numa vida de oração.

DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO METROPOLITANO DE JUIZ DE FORA, MG.

Publicado no portal A Catequese Católica

Quando Deus se torna uma aspirina


Lembramos de Deus quando necessitamos de alguma coisa

Existe um problema em nossas orações: constantemente lembramos de Deus somente quando estamos necessitados de algo, pedindo a Ele que faça a nossa vontade. Mas nem sempre as coisas são assim, pois, muitas vezes, o que desejamos não é o melhor para nós.

Um exemplo bem prático disso é uma criança pequena pedindo à mãe que lhe deixe brincar com uma faca. Por mais que isso seja a vontade dela [criança], uma mãe – em plena consciência – nunca a deixaria brincar com esse objeto. Do mesmo modo, Deus age assim conosco, sempre visando primeiramente o nosso bem; mesmo que a situação que estamos vivendo não esteja coerente com a vontade divina.

A lógica de Deus é muito diferente da nossa, porque Ele vê e tem idéia perfeita sobre todas as coisas, enquanto nossa visão é meramente limitada. Já experimentou olhar o lado avesso de um bordado feito à mão? O que vemos são apenas traços de um desenho; é difícil imaginar como realmente é o bordado. Assim nós também vemos a realidade, não a vemos por todos os ângulos, nossa visão a respeito dela é parcial.

Acreditamos – por meio de nossa fé – que Deus é Onisciente, ou seja, sabe tudo; logo, sabe o que é melhor para nós, muito mais do que nós mesmos. Portanto, o melhor que temos a fazer é nos deixar guiar pelo Senhor e pedir que se faça a vontade d’Ele em nossa vida e não a nossa, pois somos passíveis de erros.

Há de se ter muito cuidado em nossas orações para que não nos tornemos meramente pedintes, pois nossa tendência é a de esquecer de Deus quando conseguirmos o que queremos. Imagine você uma pessoa que orasse tão somente por causa de uma dor de cabeça, e agisse assim a vida toda. Qual seria o conceito que ela tem de Deus? Eu acredito que como o de uma grande aspirina, e é aí que mora o perigo, pois com esse conceito reduzido sobre Deus, quando ela tomar consciência de que a aspirina resolve seu problema, ela deixará de orar por crer que não precisa mais de Deus.

Com isso, não afirmo que é proibido pedir qualquer coisa a Deus; muito pelo contrário, no Evangelho de São João, podemos encontrar a seguinte passagem: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu o farei de tal forma que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14,13-14). Digo que apenas é necessário ter cuidado para que nossas orações não se tornem apenas um ato de somente pedir. Repito aqui que a melhor solução é deixar-se guiar por Deus.

Erick Walker

Publicado no portal da Canção Nova