"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Não recue diante do medo

Coragem não é a ausência do medo, mas sim, a capacidade de avançar

O medo da desgraça, muitas vezes, é pior do que a desgraça em si. O medo de sofrer é pior do que o sofrimento. É natural ter medo; é algo humano, mas devemos enfrentá-lo para que ele não paralise a nossa vida. Há muitas formas de se ter medo: temos medo do futuro incerto, da doença, da morte, do desemprego, do mundo...

O mundo nos paralisa e nos “implode” interiormente, perturba a alma, por isso é importante enfrentá-lo. Talvez ele seja uma das piores realidades de nossos dias.

Coragem não é a ausência do medo, mas sim, a capacidade de avançar, apesar dele [medo]; de caminhar para frente e de enfrentar as adversidades, vencendo os medos. É isso que devemos fazer. Não podemos nos derrotar e nos entregar por causa dos medos.

A maioria das coisas que temos medo de que venham a acontecer, acabam não acontecendo. E esse medo antecipado nos faz sofrer muito, nos preocupar em demasia e perder horas de sono. No entanto, muitas vezes, acaba acontecendo o que menos esperamos. Muitas vezes, sofremos, antecipadamente, sem nenhuma necessidade.

É preciso policiar nossa mente; ela solta a si mesma e pode fabricar fantasmas assustadores, especialmente nas madrugadas. Os medos em geral são sombras imaginárias, sem base na realidade.

Há pessoas que se sentem ameaçadas por tudo e por todos, dramatizam os fatos e fabricam tragédias. É preciso acordar, deixar de se torturar com essas fantasias e pesadelos imaginários; o que as assusta é irreal. Quando amanhece as trevas somem... Para onde foram? Não foram para lugar nenhum, simplesmente desapareceram, porque não existiam; não eram reais. Quanto menor o medo, menor o perigo. As aflições imaginárias doem tanto quanto as outras [reais].

Jesus sempre censurou os seus discípulos quando eles ficavam paralisados pelo medo. Ele disse muitas vezes aos apóstolos – “Não temas!”

Quando Cristo chamou Pedro para vir a seu encontro, andando sobre as águas do mar da Galiléia , ele foi, mas permitiu que o medo tomasse conta do seu coração; então começou a afundar. Após salvá-lo Jesus lhe pergunta: “Homem pobre de fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31b).

Pedro sentiu medo porque “olhou” para o vento e para a fúria do mar, em vez de manter os olhos fixos em Jesus. Esse também é nosso grande erro. Em vez de manter os olhos fixos em Deus, permitimos que as circunstâncias que nos envolvem nos amedrontem.

Não podemos, em hipótese alguma, abrigar o medo e o pânico na alma; nem lhes permitir que “durmam” conosco. Arranque-os pela fé, pela oração e por atos de vontade, decididamente!

É claro que toda a fé em Deus não nos dispensa de fazer a nossa parte. Não basta rezar e confiar – cruzando em seguida os braços –, pois Deus não fará a nossa parte. Ele está pronto a mover todo o céu para fazer aquilo que não podemos fazer, mas não faz nada que podemos fazer.

Vivemos dizendo a Deus que temos confiança n’Ele, mas passamos o tempo todo provando o contrário, por nossas preocupações.... Quando você age com fé e confiança em Deus, Ele lhe dá equilíbrio e luzes para agir, guiando-o e abrindo as portas para você resolver o problema que o angustia. Se temos um problema é porque ele tem solução, então vamos a ela. Se o problema não tem solução, então, não é mais problema, é um fato consumado, o qual devemos aceitar.


Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

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sábado, 26 de abril de 2008

Jesus o Senhor!

Jesus mesmo atribui-se de maneira velada este título quando discute com os fariseus sobre o sentido do Salmo 110, mas também de modo explícito dirigindo-se a seus apóstolos. Ao longo de toda a sua vida pública, seus gestos de domínio sobre a natureza, sobre as doenças, sobre os demônios, sobre a morte e o pecado demonstravam sua soberania divina. (CIC§447)

Amigos do blog Dominus Vobiscum. Estamos agora estudando e aprendendo, o significado bíblico da palavra Senhor, que por sinal tem tudo a ver com este blog. Explico. Senhor em Latim, significa Dominus, e qual é o nome do blog?

Então, a grande novidade neste caso, é chamar Jesus de Senhor. No post passado, vimos que o povo Hebreu chamava Deus de Senhor. Agora voltemos ao tempo de Jesus. Perceba que Jesus, na visão humana da época era apenas o Filho do Carpinteiro. Nada mais. Era um entre muitos. E como disse também no post anterior, Jesus não se torna Senhor a força na vida de ninguém. Jesus foi conquistando um a um. Pessoa a pessoa. E aos poucos, na medida em que foi se revelando Filho de Deus, Ele foi mostrando aos Doutores da Lei e aos Fariseus que sua missão era de fato ser o Senhor do Mundo e do Universo.

Mas Jesus não fez isso de forma direta. ele soube ser sutil. Foi mostrando isso através de obras e palvras. Através da vida Dele, as pessoas foram percebendo que Ele era alguém vindo da parte de Deus. Depois foram vendo que Ele era Filho de Deus e portanto Deus, e assim entregaram sua vida a Ele. É um processo que todos nós vivemos. Uns levam mais tempo, outros menos tempo.

Mas o importante aqui, é crer que Ele é o Senhor do Universo. E como também disse no post passado, entregar sua vida a Ele para que ele seja o Senhor. Para que Seja o Senhor de sua vida, é preciso aprender, e isso leva tempo e requer dedicação, a fazer as suas escolhas, as escolhas essenciais da sua vida, junto com o Senhor. Desde as mínimas coisas, até as coisas mais importantes. Como diz a canção: ” Se sou fiel no pouco, Ele me confiará mais!”

É importante exercitar o seu ouvido espiritual. Sim você tem um ouvido espiritual. E você não pode ser servo, se você não aprender a ouvir seu Senhor. Esse é o principal objetivo do bom servo: Aprender a obedecer o seu senhor.

Obedecer vem de Ob-audire (ouvir com o coração). Você tem escutado seu Senhor com o coração? Como tem sido suas escolhas? Junto com o seu Senhor ou do jeito que você quer e faz?

Pense nisso…

Obs.: Ouça o nosso estudo sobre o Significado do Termo Filho de Deus. Para ouvir o Podcast, clique aqui!

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Sejamos misericordiosos

Dom Gil
Foto: Wesley Almeida
Misericórdia vem do latim, que é a junção de ‘misere’ que significa miséria, pobreza e ‘cordia’ que significa de coração. Misericórdia está relacionado diretamente com coração, ser misericordioso é ter um bom coração.

No livro do Gênese vimos Adão e Eva que ofendeu ao Criador que os repreendeu, mas em sua misericórdia Deus prometeu um salvador, e este salvador foi o Seu Filho.

No Antigo Testamento também vimos Abraão e Sara, os dois não poderiam ter filhos, mas por misericórdia Deus deu a graça deles terem inúmeros filhos.

Deus não quer te condenar, Deus não quer a morte do pecador, mas Ele quer que você se converta e viva. No Salmo 50, Salmo da misericórdia, Davi pede perdão a Deus pelos seus pecados e Deus vai encontro de Davi com misericórdia.

Jesus vem até nós para nos dá a certeza que podemos ficar livre do nosso pecado, Jesus é a própria misericórdia.

Jesus pregou a misericórdia. Todos os milagres que Jesus realizou foi um ato de misericórdia. No Evangelho de São João 10:

"Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego. Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo."
"Jesus é a própria misericórdia"
Foto: Wesley Almeida
No Evangelho de São Marcos 7 vemos mais um milagre, mais um ato de misericórdia.

"Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído. Ele deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole. Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão. Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva. E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Éfeta!, que quer dizer abre-te! No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente. Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam. E tanto mais se admiravam, dizendo: Ele fez bem todas as coisas; fez que ouçam os surdos e falem os mudos."


Jesus pregou e viveu a misericórdia. Jesus vai ao encontro dos sofredores, pecadores. No Evangelho de São João no capítulo 8, Jesus tem mais uma atitude de misericórdia com a mulher adúltera. Ele não vive só da justiça, mas da misericórdia. Jesus viu o coração daquela mulher.

"Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno".


São as inúmeras as atitudes de misericórdia de Jesus no Evangelho. Até no momento da morte, Jesus foi misericordioso:

“Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós! Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino! Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,39-43).


Nesta passagem há um mau ladrão que blasfemou e não acreditou na misericórdia, já o outro tinha fé, ele sabia de seus erros, dos seus pecados, mas ele confiou na misericórdia. Pelo mau ladrão Jesus não podia fazer nada, porque só recebe a misericórdia quem confia.

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

A identidade do filho de Deus


Muitas vezes, não temos a coragem de assumir a nossa identidade

Deus sempre renova a nossa experiência com Ele, fazendo o “novo” acontecer, fazendo florescer um tempo de graça na nossa história e no nosso dia-a-dia!

Caminho sempre numa Palavra da Bíblia: “Quem está em Cristo, é uma nova criatura. Passou o que era velho, tudo se fez novo” (2 Cor 5, 17). Em Deus não há monotonia, n’Ele nada se repete, tudo se renova, – e quando estamos em Cristo – essa renovação acontece com uma força e um poder transformadores. Tenho 13 anos de conversão e de vida com Deus, e a cada manhã tudo se renova na minha vida.

Jesus assume, com todo o coração e alma, a missão d’Ele, sem medo de se expor e sem medo de morrer pelo que veio anunciar. E sempre assumiu a identidade d’Ele: Filho de Deus! Foi rejeitado pelos da Sua raça, da Sua estirpe, o povo a quem Ele foi enviado; foi perseguido, ameaçado. Porém, não desistiu, foi até o fim, sendo condenado à morte, sendo flagelado, derramando o sangue pelos nossos pecados; não desistiu, morreu e foi justificado pela Ressurreição. Sempre assumindo a identidade d’Ele.

Muitas vezes, não temos a coragem de assumir a nossa identidade, de forma que nem sempre damos testemunho dela [identidade], pois queremos ser iguais a todo mundo. No entanto, nós nos esquecemos de que Aquele – a quem temos de imitar – não se fez igual aos demais; pelo contrário, viveu de maneira diferente, fez a diferença e incomodou. Hoje é o dia de nos perguntarmos: eu tenho incomodado com a minha vivência do Cristianismo? Eu tenho sido autêntico? Tenho dado testemunho da minha fé?

A vivência da Sua identidade levou Jesus à cruz. Talvez também tenhamos de passar pela cruz por fazermos a opção radical por Deus. Mas preciso dizer sem medo: isso é o que Deus quer de nós, que sejamos autênticos, diferentes, separados, santos! E preciso ainda dizer: as pessoas com quem convivemos esperam também que sejamos diferentes e que tenhamos posições diferentes no dia-a-dia, e São Paulo revela que até mesmo toda a criação espera que nos manifestemos: “De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19).

Você já reparou na sua identidade? No que ela contém? Ela traz o seu nome completo, a sua filiação (nome do pai e da mãe), a data do seu nascimento, o número do registro de seu nascimento, a cidade onde você nasceu, a data da expedição da carteira, a sua foto, sua digital e o número do registro geral e sua assinatura. E como será a nossa identidade de cristãos?

No céu o seu nome está completo também, assim como o nome daqueles que lhe deram a vida aqui na terra estão registrados lá. No entanto, a filiação evidenciada no céu é a de que você é filho de Deus; há a data do seu nascimento, e no lugar da data da expedição da carteira há a data do seu batismo, pois por meio deste sacramento você adquiriu a identidade de filho de Deus. O céu o conhece muito bem, por isso, não precisa de foto nem de assinatura, pois a “assinatura” são as opções que você faz. O Sangue de Jesus lhe dá a garantia do seu nome registrado no céu.

O desafio é demonstrarmos aqui nesta terra a nossa identidade de filhos de Deus, de cidadãos do céu, pois no lugar da cidade onde nós nascemos, está escrito que você e eu somos cidadãos do céu. Mostre para todos a sua identidade. Eis o desafio de hoje: seguir os passos de Jesus e não negar a identidade de cristão, de filho de Deus. Isso implica testemunho de vida e luta constante pela santidade.

Estamos juntos nesta!

Conte comigo!

Deus abençoe!

Pe. Roger Luis

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Em que sentido a Igreja usa o termo “Senhor”?


Hoje em dia, vemos muita gente chamando Jesus de Senhor. De fato Ele é o Senhor, e disso não tenho dúvidas. Porém é preciso entender o sentido do termo Senhor. Veja o que diz o Catecismo:

Na versão grega dos livros do Antigo Testamento, o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés, Iahweh, traduzido por “Kýrios” [”Senhor”]. Senhor torna-se desde então o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que o Novo Testamento utiliza o título de “Senhor” para o Pai, e também - e aí está a novidade - para Jesus reconhecido assim como o próprio Deus. (CIC§446)

Desde os inícios do Judaísmo, o povo de Deus chamava o seu Deus Yahweh de Senhor. Na Grécia usava-se o termo Kyrios, como vimos no catecismo da igreja Católica. Porém o termo Senhor naquele tempo tinha dois sentidos:

O primeiro sentido, era usado para tratar alguém de mais idade, ou dos filhos para com os pais. Este de fato é um termo mais atual. Se usa comumente entre Pais e filhos, entre empregados e patrões, e para com pessoas de mais idade;

O segundo termo, é menos usual hoje, porém era muito usado na época do Antigo e do Novo Testamento. Era usado pelos escravos e servos para com o seu dono. Era assim que um servo ou escravo chamava seu dono: Senhor! Era nesse caso específico que se usava a palavra Kyrios.

Desde os inícios, o Povo de Deus se refere ao seu Deus como seu Senhor, usando esse segundo sentido. Ou seja, aqueles que se dispõem a seguir a Deus, precisam se colocar como servos, como escravos, muito embora Deus nos trate como servos, mas como amigos. O grande problema é muita gente ao tratar Jesus como Senhor, não expressa de fato na sua vida o Senhorio de Jesus.

Para muitos, Jesus é Senhor apenas por uma questão de respeito. Pelo fato de ser Filho de Deus. Mas não pelo fato de permitir que Jesus de fato seja o senhor de suas vidas. O centro desse estudo não é apenas explicar o termo Senhor, mas conscientizar ao amigo leitor que vai visitar o blog nesses dias, que é preciso mesmo deixar que Jesus seja de fato o Senhor da sua vida.

Porém agora fica a pergunta, para que você responda nos comentários: Em que sentido você trata Jesus como Senhor? Jesus é o seu Kyrios?

Dominus Vobiscum

Obs.: Ouça o nosso estudo sobre o Significado do Termo Filho de Deus. Para ouvir o Podcast, clique aqui!

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Traduzindo Deus

Hoje uma razão muito especial me fez pensar que o tempo todo somos convidados a “traduzir” Deus para as pessoas. Isso mesmo: traduzir o Sagrado é nossa missão, nosso discipulado. Traduzir é um verbo que tem raiz etimológica no grego μεθερμηνευω [methermêneuô], significando, pois, aquela ação capaz de nos levar ao conhecimento do que antes nos parecia obscuro ou impossível de compreensão.

Pois bem, já me explico porque somos então impulsionados pra tal dinâmica. O imperativo de traduzir Deus se dá quando percebemos que pelas avenidas da vida tantos corações parecem ter se cansado de acreditar num motivo que alimente suas vidas. Quando notamos o quanto de olhares já se perderam, quantos solos deixaram a sua sacralidade ir embora, e nisso minha gente muitos são os que também cristalizaram suas vidas em noites escuras e já não sentem mais motivos de contemplar o sol da existência por meio das cores e sabores da Ressurreição. Quantos vivos que estão mais mortos que aqueles que já adormeceram na Eternidade.

Aqui temos um caminho a percorrer, um caminho dado e traçado, um desejo a ser tornado real, tão real quanto o “Verbo que se tornou carne” ao traduzir o Amor Divino. Um caminho que se deu por duas vias: a de quem veio – o Verbo – e a de quem sempre vai – nossos corações, território humano no qual o Sagrado quis fazer morada. E neste itinerário a estrada assumiu beleza quando nos foi dado a Plenitude da Revelação. Nada mais precisa ser revelado. No entanto precisamos “traduzir” Deus. Precisamos comunicar Deus pra tantos quantos ainda não se permitiu sentar com Ele, ter um encontro pessoal.

Lembro que algumas vezes lá na escola a professora de língua estrangeira nos colocava pra traduzir textos e frases. Debruçávamos com todos os instrumentos necessários, dicionários, gramáticas, para que desta forma a tradução fosse a mais fiel possível ou o mais próximo daquilo que se propunha. Minha gente, nossa missão não é diferente. Parece-nos que o exemplo da escola é meio tolo, mas serve-nos de fio condutor para compreender que embora a Plenitude da Revelação já nos tenha traduzido todo o Amor do Pai, somos, no entanto configurados como seus fiéis colaboradores pra que esta tradução visite todos os corações humanos e possam ali fazer morada. Da mesma forma que um dia tivemos que fazer a tradução de um texto cuja língua parecia-nos desconhecida ou inacessível, somos, pois vocacionados o tempo todo a traduzir com nossas vidas e testemunhando por meio de nossas opções e escolhas o amor d’Aquele que nos atraiu para si.

Feliz foi Santo Agostinho ao dizer “Nihil volitum nisi precognitum est”, que nada é desejado se não for conhecido. O mundo busca um sentido, e nesta busca surge o desejo, e este último se dá pela via do conhecimento. Tudo é muito simples quando percebemos que Deus se deu a conhecer e se deixou encontrar pra desta forma ser desejado, buscado. Nossa missão portanto, mesmo com nossas limitações, é traduzir este conhecimento que nasce da nossa relação de amor com o Divino, pra que deste modo todos possam também desejá-lo.


Geronimo Lauricio
Seminarista da Diocese de Itabuna - Ba.
Bacharelando do curso de Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@hotmail.com

Publicado no Portal A Catequese Católica


Olá amigos! Este é o primeiro Podcast que fazemos daqui de São Paulo e consequentemente este também é o primeiro estudo que faremos. Aos poucos vamos retomando nossos projetos. No Podcast de hoje falaremos sobre o último título ao qual o Catecismo da Igreja Católica cita, sobre a pessoa de Jesus Cristo: Senhor.

Senhor é um título atribuido pelos gregos. No grego, Senhor chama-se Kyrios. Em Latim, chamamos Dominus. Todo mundo diz: Jesus Cristo é o meu Senhor! Mas você sabe por que a Igreja atribui esse título a Jesus? Será que é por respeito? Você vai saber sobre isso acessando agora esse podcast.

Dominus Vobiscum

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