"Quem já descobriu a Cristo deve levar Ele aos outros. Esta alegria não se pode conter em si mesmo. Deve ser compartilhada." (Papa Bento XVI)

quinta-feira, 20 de março de 2008

O Sangue de Jesus Cristo tem poder!

O Sangue de Jesus nos liberta de todas as contaminações

Senhor Jesus, eu renuncio a todo pecado, renuncio a satanás.
Oh! Senhor, vem libertar-me e purificar-me!

Lava-me, Senhor, com teu Sangue precioso. Derrama o Sangue das tuas chagas, das tuas mãos, dos teus pés, lava-me com teu Sangue por inteiro: corpo, alma e espírito.

Envolve-me com teu Sangue. A minha mente, o meu coração, a minha vontade, os meus sentimentos. Estou pedindo: derrama o teu Sangue precioso sobre toda a minha pessoa.

Senhor Jesus, que o teu Sangue seja a minha defesa, minha fortaleza, minha guarda e que nada do maligno possa me atingir agora, pelo poder do teu Sangue precioso derramado sobre mim, sobre todos os meus bens.

Agora repita com firmeza:

O Sangue de Jesus tem poder sobre mim. A minha defesa é o Sangue de Jesus. A minha proteção é o Sangue de Jesus. A minha fortaleza é o Sangue de Jesus. Eu acolho agora o Sangue precioso de Jesus, que é a minha redenção. Amém!

O Sangue de Jesus tem poder sobre o inferno. Diante do seu Sangue, o inimigo é repelido e foge. Todo joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos, porque esse Sangue tem poder. Amém.

(Trecho publicado no Portal da Canção Nova, e extraído do livro "Sim, sim! Não, não!" de monsenhor Jonas Abib)

quarta-feira, 19 de março de 2008

São José

SÃO JOSÉ Celebra-se hoje, 19 de março, a solenidade de São José. Neste dia, a Igreja, espalhada pelo mundo todo, recorda solenemente a santidade de vida do seu Patrono.

"Celebre a José a corte celeste, prossiga o louvor o povo cristão: só ele merece à Virgem se unir em casta união".

Ele é um dos santos mais conhecidos e amados no Cristianismo. Por isso, inspirou o nome a dezenas de santos da Igreja e também a cristãos do mundo todo, que neste dia comemoram seu onomástico.

O nome José, em hebraico, significa: "Deus cumula de bens" e, sem dúvida, este casto, amado e humilde carpinteiro de Nazaré foi cumulado de bens ao aceitar a nobre missão de esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo:

"Ao despertar, José fez o que o Anjo do Senhor lhe prescrevera: acolheu em sua casa a sua esposa" (Mt 1,24).

A grande devoção dos cristãos por São José está fundamentada nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição. Ele é reconhecido e invocado como modelo de pai, operário, protetor da Sagrada Família e da grande família de Deus, que é a Igreja.

Embora na Bíblia pouco se fale sobre a figura dele, o que nos é comunicado testemunha com clareza o papel indispensável dele para a missão de Cristo. Homem justo, trabalhador, silencioso, fervoroso, foi trabalhado pelas mãos do Oleiro Divino a ponto de ser constituído elo entre o Antigo e o Novo Testamento. Dessa forma confere a Jesus a linhagem de Davi, porque, acima de tudo, foi um homem de fé e coragem:

"José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa" (Mt 1,20b.24).

São José, valei-nos!

Publicado no Portal da Canção Nova

Um conto de São José

No alpendre da casa uma roda de camaradas discute sobre o que acabou de falar o representante político na moderníssima, para a época, televisão Telefunken. A conversa é cheia de concordâncias e discordâncias que parece não chegarem a um consenso.

Um homem magro e de tez queimada pelo sol, cigarro pendurado no canto da boca, falava dos compadres que moravam pelas bandas do alto verde. Haviam perdido a criação devido à seca, “a plantação se tinha queimado até o pé”, lamentava, meneando a cabeça e alteando a voz, e prosseguia, exaltando o plano de emergência do governo, “isso é que ainda livra os pobres da morte”, dizia.

“Mas tem pobre que hoje em dia não quer mais trabalhar, quer só esperar das autoridade o de comer”, dizia outro homem acocorado no peitoril. Apontando o dedo em riste para a audiência lamentava: “tenho pena desses home”.

“Ainda bem que tem carnaúba por essas bandas pra que os magricelos dos bezerros possam comer, porque ajuda dos coroné nunca chegou por aqui”, orgulhava-se o dono da casa que, na redondeza, era conhecido como pobre rico.

“A mulher da televisão falou que tem canto no Ceará que nem água tem para beber. E olhe que nem esperança de chuva os homens da Funceme tão dando”, informava um caboclo que continuava a fala cheio de esperança ao se lembrar que se aproximava o 19 de março.

No meio da animada conversa a dona da casa traz um bule de café esfumaçante e um pacote de bolachas doces deitado num prato de plástico azul, de merenda escolar. Como do nada aparecem saltitantes as crianças que levam mancheias de bolachas à boca.

A prosa continuou o assunto, porém, mudara. Agora versavam sobre o cemitério para anjinhos que um vereador da região empreendeu construir perto da casa onde estavam. “Isso é falta do que fazer”, sentenciou o mais velho da roda, “por que não fez isso ao menos longe da estrada dos carros grandes?”, questionava o idoso.

Aos poucos a prosa desfez-se e a turma se enveredou cada um para sua casa, sumindo na noite. O pequeno que antes escutava ao lado do pai, o dono da casa, a conversa dos homens, encolhia-se ao fundo da rede, ouve abismado os respingos de chuva que há muito não eram ouvidos. E em seu coração se confirmava a certeza de que o dia de são José se aproximava e que, por isso, a chuva chegara e, com ela, a esperança de que tudo poderia ser diferente naquele lugar.

Vanderlúcio Souza – Membro da Comunidade Católica Shalom
vanderluciosz@yahoo.com.br
Publicado no Portal da Comunidade Católica Shalom

Ponha-se diante da cruz

Nós estamos tocando na realidade fundamental do Cristianismo. O Senhor teria muitos meios para nos salvar, mas Ele quis nos salvar pela cruz.

Naquele tempo, os gregos buscavam a sabedoria, pois para eles essa virtude resolveria tudo; já os judeus buscavam a lei. Deus, ao contrário, não quis salvar o mundo nem pela sabedoria nem pela lei, mas pela "loucura" (aos olhos do mundo) da cruz.

"Em verdade, ele tomou sobre si as minhas enfermidades, e carregou os meus sofrimentos: e eu o reputáva como um castigado, ferido por Deus e humilhado".

Dessa forma, temos aqui a verdade fundamental do Cristianismo: Jesus assumiu todos os nossos pecados e os pregou na cruz. Aí está o bonito, o Senhor assumiu sobre si os nossos pecados. Depois, ao assumi-los sobre si, Ele não sofreu somente na cruz, mas já durante a prisão.
Monsenhor Jonas Abib
Muitas vezes, nós olhamos somente para a crucificação. Claro que é uma coisa bárbara o que fizeram, mas não foi só o ser pregado na cruz que o foi. Veja: Cristo assumiu sobre si os nossos pecados, os levou para cruz e ali os apagou. Deixe-me lhe dizer: os nossos pecados já não nos pertencem.

Os nossos pecados passados já foram assumidos pelo Senhor na cruz; mais ainda: os pecados futuros também já foram assumidos por Ele. Até mesmo o último pecado das nossas vidas já foram assumidos pelo Senhor! Nós estamos na verdade fundamental do Cristianismo: Jesus assumiu sobre si todos os nossos pecados, tanto os pecados passados como os presentes e até mesmo os futuros. Ele os crucificou na cruz, por isso é fácil adquirir o perdão d'Ele.

No livrinho "Curados para amar", eu apresento a seguinte explicação:
"Eu sei que você que é motorista precisa dirigir bem e realizar seu trabalho. Mas sei, também, que você não é um bom motorista, por isso, com o tempo você vai cometer erros como: arranhar o carro, acidentes, receber multas, pagar consertos do seu carro. Só que, sabendo disso, amando muito você, eu vou ao banco e deposito uma quantia muito grande que será o suficiente para cobrir esses casos; então, pego-a e a ponho na sua mão. Assim, dali para frente, todos os seus acidentes de trânsito já estarão pagos. Agora, bobo será você se não usar desse dinheiro para pagar a sua dívida. É preciso que você reconheça mais uma vez a sua culpa e veja a realidade: que agora você tem uma dívida, mas também que já tem o dinheiro para pagá-la...".

Gente, foi isso que Jesus nos fez por meio de sua Morte: Ele pagou as nossas dívidas [pecados]! Dê uma olhadinha no estrago que você fez na vida de outros, mas graças a Deus, muito mais que um talão de cheques, Jesus Cristo pagou nossa dívida com seu Sangue na Cruz, como alguém que assume a dívida dos outros. Por isso "Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (I João 1, 8).


É claro que você não quer pecar, mas peca. Adianta negar que não pecou? Não! Jesus está nos ensinando que basta ter humildade em reconhecer o nosso pecado. Na hora em que o reconhecemos, Deus aí está – fiel e justo para nos perdoar, como nos ensinam as Sagradas Escrituras.

Eu me encanto sempre com o gesto da Luzia, pois ela tem um carinho muito grande com o Cristo crucificado. Quando o crucifixo chegou aqui ela logo se pôs a beijar as chagas de Jesus. Faça o mesmo: ponha-se diante da cruz, mergulhe fundo no lado aberto de Jesus. Essa chaga está eternamente aberta; entre no coração de Cristo, não se esconda! A primeira coisa que carregamos dentro de nós é o sentimento de culpa. Imediatamente o demônio começa a nos acusar, colocando em nós o sentimento de vergonha para que não reconheçamos o perdão de Deus. Sendo assim, no lugar de arrependimento começamos a sentir remorso. Quantas pessoas ainda hoje se acusando de acidente de trânsito que sofreram! E por outras coisas... Enquanto eu estou falando o Senhor está usando "azeite" e "vinho" para o curar.

Talvez muitas coisas, neste momento, estejam borbulhando dentro de você, mas saiba que não são para que você se acuse, mas para que aconteçam a cura e a libertação.

O supremo Amor nos salvou e nos curou para que possamos amar. É isso que queremos: ser curados para amar.


Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova
Publicado no Portal da Canção Nova

O Batismo de Jesus Cristo

Pax Domini! Amigos do blog Dominus Vobiscum, estamos na semana Santa. Tempo de rezar e meditar na morte do Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas paralelo a isso estamos fazendo um estudo importante para que possamos entender a pessoa de Jesus Cristo. Hoje estudaremos um pouco mais sobre a Consagração, sobre a unção de Jesus, a ponto de ser chamado Cristo.

Mas antes de começarmos o estudo de hoje quero deixar-vos uma música para que, a sua leitura possa ser mais profunda. Essa canção é cantada pelo Coral Ortodoxo Romeno de Bucharest. O nome eu desconheço (se alguém conhecer por favor me escreva). Ontem eu a escutei várias vezes. Uma interpretação linda… Gosto muito de cantos assim. E é bacana para que você conheça a música cristã no mundo

Para ouvir a Música, clique aqui

(Faça uma pausa na Radiola do Círculo Verde)

Voltemos ao estudo. Vimos que por diversas vezes, o Espírito Santo ratifica a unção de Jesus. Ontem vimos também que desde o seu nascimento, o Espírito Santo se mostra presente, agindo e fazendo com que as pessoas percebam que este Jesus, não é um mero Jesus. Porém em uma dessas ações do Espírito Santo, acontece algo diferente: No batismo de Jesus. Talvez você me pergunte: Mas por que acontece algo diferente?

A resposta irmãos é simples. É que no seu batismo Deus nos revela a Missão de Jesus e o capacita para tal. Você recorda nos posts anteriores que eu havia escrito que antigamente, apenas eram ungidos os profetas, os sacerdotes e os reis certo? Pois bem, a questão é: Para que foram ungidos?

Ora, os que eram ungidos, eram ungidos para executar uma tarefa específica a qual o Senhor havia preparado para eles. Os reis tinham a missão de governar. Os sacerdotes tinham a missão de “ligar” o homem a Deus. Os profetas tinham a missão de falar por Deus.

Ao ser ungido, Deus também tinha uma missão para Jesus:

A consagração messiânica de Jesus manifesta sua missão divina. “É, aliás, o que indica seu próprio nome, pois no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu, Aquele que foi ungido e a própria Unção com que ele foi ungido dado: Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e o foi no Espírito, que é a Unção. (CIC§438)

Essa frase grifada, pertence a Santo Irineu de Lyon - Santo do Século II. Ao ser ungido, Jesus portava uma missão dada pelo próprio Deus. Naquele momento, o Espírito se revelou, mostrando ao povo que realmente Jesus era o Messias. Digo mostrando ao povo, por que Jesus já sabia disso. Mas era preciso que o povo visse, que o povo acreditasse.

No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim. Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel. (João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.) Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus. (Jo 1,29-34)

A partir desse momento, Jesus estava dando início a sua vida pública, ou seja, a manifestação da sua missão ao mundo.

“Sua consagração messiânica eterna revelou-se no tempo de sua vida terrestre, por ocasião de seu Batismo por João, quando “Deus o ungiu com o Espírito Santo e poder” (At 10,38), “para que ele fosse manifestado a Israel” (Jo 1,31) como seu Messias. Por suas obras e palavras será conhecido como “o Santo de Deus”. (CIC§438)

É preciso estarmos atentos a esses pequenos detalhes, sobretudo nos dias de hoje onde as pessoas tem a intenção de reduzir Jesus Cristo a um mero personagem histórico. Ele é o Cristo. Não é mais um. É o único.

Outra coisa interessante. Veja que Deus nos forma de uma maneira quase que didática. Primeiro unge os sacerdotes, os profetas e os reis. Depois unge seu Filho Jesus. E lá na frente vai ungir todo o seu povo com o Espírito Santo. Ele vai fazendo as coisas de uma forma didática. A Igreja zela pela ação de Deus. Quando entendemos a forma como Deus age, temos a segurança que a Igreja católica é o caminho mais seguro para depositarmos nossa fé. Veja os sacramentos. Batismo (unção na água da vida - Espírito Santo), A crisma (unção com o santo óleo), unção dos enfermos (unção com os santos óleos), ordenação (unção com os santos óleos). Deus é didatíco. E a Igreja Católica preza pela didática de Deus.

Pax Domini

Obs.: O nosso estudo sobre o Significado da palavra Cristo começou com um podcast. Para ouví-lo, clique aqui!

Publicado no blog Dominus Vobiscum

terça-feira, 18 de março de 2008

Curso Bíblico na Terra Santa - Parte 4



Nesse episódio, Prado Flores nos fala sobre a multiplicação dos pães.

A Semana Santa que o mundo precisa


Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre

O maior acontecimento da história da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade desse acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres – sobretudo os Santos e Santas – se debruçaram sobre esse acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.

Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que

“Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (João 3, 16).

São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as seguintes palavras aos romanos:

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós... Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Romanos 5,8-10).

Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus, humanizado, morreu por nós. O que mais poderíamos exigir do Senhor para demonstrar a nós o seu amor? Sem isso, a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por quê? Porque o homem pecou e peca desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis, a qual rompe nossa comunhão com Ele. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade ao Senhor. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar, com o seu sacrifício, essa ofensa infinita a Ele, então, o próprio Deus – na Pessoa do Verbo – veio realizar essa missão.

Não pense que Deus seja malvado e que exige o sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz por mero deleite ou para se vingar da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isso; esta lei só não existe entre os animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Ele, mas à justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; e cada injustiça da qual fomos vítimas também será reparada no Dia do Juízo.

Nisso vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo Divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1, 26).

A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente:

"Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: 'Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade' (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus" (Hebreus 10,5-10).

A Semana Santa celebra todos os anos este acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o resgate desta das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (cf. Rom 6,23).

Mas agora Jesus nos libertou; "pagou o preço do nosso resgate". Disse São Paulo:

"Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz" (Col 2, 12-14).

Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Cristo; a pia batismal é portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua justiça. É por isso que na Vigília Pascal, do Sábado Santo, renovamos as promessas do Batismo.

O cristão, que entendeu tudo isso, celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Por outro lado, aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo dela apenas um grande feriado, é porque ainda não entenderam a grandeza dessa data sagrada e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande mistério de amor!

O cristão católico, convicto, celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela inicia-se com a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. E grita: "Hosana!"; "Salva-nos!" Ele é o Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele – e só Ele – é o nosso Salvador (cf. At 4,12).

Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava-Pés, na noite da Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos, na qual o Senhor instituiu a sagrada Eucaristia e lhes deu as últimas orientações.

Na Sexta-Feira Santa a Igreja guarda o Grande Silêncio diante da celebração da Morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida há a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção.

Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor, que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. "Ó morte onde está o teu aguilhão?"

A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse – em sua Encíclica "Spe Salvi" – que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida.

Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Publicado no Portal da Canção Nova